Avante Bancário

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Nota Política sobre o crime da Vale em Brumadinho - Unidade Classista MG.

Assistimos nos últimos dias o drama da comunidade de Brumadinho que viu parte de seus habitantes e de sua história serem levados pelo mar de lama oriundo do rompimento de uma barragem.
Primeiramente, nos solidarizamos com os envolvidos nessa tragédia, principalmente  com aqueles que perderam seus entes queridos. E para que esse crime não aconteça mais, precisamos analisar toda a situação sob o prisma político. A Vale foi uma empresa pública privatizada em 1997, então sob  o mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por um preço muito abaixo do que valia. Os capitalistas compradores naquela época, não somente ganharam um poder econômico grande como um poder político imensurável, tanto que financiaram,  ao longo dos anos, as campanhas de vários deputados e candidatos a cargos majoritários da situação e oposição. Lembremos que o ex-governador de Minas, Fernando Pimentel, estava vestido com o uniforme da Samarco na época do crime de Mariana. O fato é que nenhuma punição foi aplicada à mineradora até hoje pela destruição do distrito de Bento Rodrigues (em 2015), fruto de sua influência também no poder judiciário.
Está claro que esse é um problema que se inicia com o ciclo de privatizações, passando por vários governos,  até que chegamos à destruição de parte de Brumadinho, com o saldo de mais de 300 mortos, fora o impacto ambiental de grandes proporções. Além disso, o crime é de caráter trabalhista também, aliás, um dos maiores acidentes de trabalho do Brasil, haja vista que os trabalhadores estavam completamente vulneráveis durante o rompimento da barragem e os sistemas de alerta não foram ativados. Por fim, a empresa tem o costume de criminalizar quem luta contra as contradições que ela gera e financiar lideranças locais de cidades interioranas para conseguir apoio.
As soluções para o caos instaurado passam pela mudança do modelo de gestão da atividade mineradora, hoje voltada para atender aos interesses de capitalistas e de especuladores a todo custo,  para um modelo que esteja em consonância com os interesses populares. Para tanto, é importante a reestatização da Vale e dar início a uma luta por uma estrutura de gestão popular e que privilegie a preservação do meio ambiente e das cidades onde ela está presente, sem demissões para os trabalhadores.
Apesar da Vale estar apresentando “bodes expiatórios” para seus crimes, exigimos a punição imediata e rigorosa de todos os verdadeiros responsáveis, tanto pelo desastre em Mariana,  quanto em Brumadinho! Queremos a restauração das cidades destruídas, reparação para os familiares que perderam seus entes queridos e trabalho árduo para recuperação do meio ambiente atingido.
Pela reestatização da Vale sob controle popular!
Em defesa da vida e dos direitos das populações atingidas!
Todo apoio ao Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)!

Coordenação Estadual da Unidade Classista de Minas Gerais – fevereiro de 2019
Fonte:http://unidadeclassista.org.br/

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

NÃO FOI ACIDENTE! VALE MATA MAIS UMA VEZ


O Sindibancários/ES se solidariza com todos familiares e amigos das vítimas do rompimento da barragem em Brumadinhos (MG), na última sexta-feira, 25. O Sindicato também expressa total indignação com mais esse crime cometido pela Vale, maior mineradora do Brasil e a terceira do mundo.
A ganância e a negligência da Vale fizeram o mar de lama ressurgir em Minas Gerais. Desta vez, o crime ambiental e humano, que atingiu a cidade de Brumadinhos, na região Metropolitana da Belo Horizonte, deixou mais de 60 mortos e mais de 288 desaparecidos até o momento, além de devastar a fauna e a flora da região do Córrego do Feijão e matar o rio Paraoeba, que corta Brumadinhos e deságua no rio São Francisco.
A tragédia, infelizmente, já era anunciada. Mesmo após três anos do rompimento da barragem de Fundão,  em Mariana (MG), da mineradora Samarco, pertencente à Vale e à BHP Billinton, o descaso com a situação das barragens nas áreas de mineração da Vale prevaleceu.
Natureza, vidas humanas:  nada disso parecem ter valor quando a extração de minério em larga escala é o que interessa. Em 2018, a Vale distribuiu  R$ 7,7 bilhões em lucros para seus acionistas. No entanto, pagou menos de 6% das multas recebidas após o crime em Mariana e até hoje não indenizou todas as famílias. Pescadores, donos de pousada, marisqueiros e artesãos ainda lutam para serem considerados vítimas do crime ambiental contra o Rio Doce, que era fonte de renda de milhares de famílias e foi brutalmente assassinado com o rompimento da barragem de Fundão em 2015.
Além de destruir o Córrego do Feijão, o crime em Brumadinhos também está sendo considerado o maior acidente de trabalho da história brasileira. Entre as vítimas, o maior número é de funcionários da Vale e de empresas terceirizadas. A nova lei trabalhista, no entanto, penaliza  os  trabalhadores que recebem menos ao estipular que o valor da indenização por dano moral seja de no máximo 50 vezes o valor do salário contratual do empregado. Famílias foram destruídas e podem ainda receber uma indenização irrisória pela perda irreparável de um familiar.
A vida vale mais do que o lucro e a ganância! Reiteramos nossa solidariedade às vítimas desse crime e nosso apoio na luta em defesa da vida, pela responsabilização da Vale que deve arcar com todos os custos de reparação de danos às pessoas e à natureza, e contra esse sistema perverso que privilegia o enriquecimento de alguns em detrimento da vida humana e da natureza. Não foi acidente!
NOTA DA INTERSINDICAL
Mais uma vez o mar de lama da Vale faz o Brasil chorar. Mais uma vez a Vale deixa um rastro de mortes e destruição do meio ambiente. O rompimento da barragem da mina do Córrego do Feijão, na cidade Brumadinho, em Minas Gerais, é mais um crime bárbaro da companhia Vale. Neste quinto de dia após o desastre criminoso de Brumadinho, já estão confirmadas 65 mortes e 279 continuam desaparecidas. O rio Paraopeba, que abastece a Região Metropolitana de Belo Horizonte, já está contaminado e a lama tóxica deve chegar no rio São Francisco nas próximas semanas.
Os riscos da extração de minério em larga escala são enormes. Por isso, a segurança dos trabalhadores e das comunidades vizinhas, assim como a proteção ao meio ambiente, exigem altos investimentos e manutenção contínua. Não é o que faz a Vale. O modus operandi da mineradora é a redução de custos para a ampliação os lucros. Apenas em 2018, a Vale distribuiu R$ 7,7 bilhões em lucros para seus acionistas. Apesar de seguidos alertas sobre a segurança de seus minas e apesar do rompimento criminoso da Barragem de Fundão, três anos atrás, em Mariana, a Vale nada fez para prevenir novos desastres. Para a Vale, o lucro está acima da vida e da natureza.
Ao mesmo tempo, o que temos assistido dos poderes públicos é a completa conivência e omissão. O simples funcionamento de barragens de rejeito de minério, por exemplo, é proibido em diversos países. Aqui, além da autorização para operarem, as leis são flexíveis e não há fiscalização adequada. Para piorar, quando ocorrem desastres criminosos, como o de Mariana, as mineradoras não são devidamente responsabilizadas.
Não podemos pagar para ver outro mar de lama assassino. O Estado brasileiro precisa agir com firmeza para dar um basta ao vale do tudo das grandes mineradoras.
Neste momento, a indenização das vítimas deve ser prioridade. A Vale precisa ser responsabilizada não apenas pelas mortes, mas pelos danos causados a todas pessoas atingidas de alguma forma, seja no âmbito da saúde, da moradia ou do trabalho. Além disso, deve ser responsável pela recuperação ambiental da região e todos os rios atingidos pela lama tóxica.
Para isso, a Intersindical – Central da Classe Trabalhadora defende o congelamento, seguido de expropriação dos bens dos responsáveis pelo rompimento da barragem da mina do Córrego do Feijão, o que inclui toda a diretoria atual da Vale.
Quanto ao poder público, é urgente acabar com a flexibilização das leis ambientais, que alivia a fiscalização sobre as mineradoras e permite empreendimentos de altíssimo risco sem a menor condição de segurança. O Estado brasileiro precisa regular de perto a mineração de larga escala.
Este caminho, por sinal, é absolutamente oposto ao que vem defendendo o presidente Bolsonaro e seus ministros. A plataforma do atual do governo é de menos fiscalização das atividades e menos critério no licenciamento ambiental. Essa política criminosa, que o governo atual quer levar às últimas consequências, precisa ser combatida.
A Intersindical também acredita que o momento exige a retomada da luta pela reestatização da Vale, criminosamente privatizada, em 1997, pelo tucano Fernando Henrique Cardoso, e pela revogação da Lei Kandir, que desonera as mineradoras desde 1996, destinando bilhões de dinheiro público a empresas criminosas.
Por fim, reforçamos toda nossa solidariedade com as vítimas. Não foi acidente, foi crime!
Intersindical (Texto: Matheus Lobo)
Fonte http://www.bancarios-es.org.br

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

O SINDICATO NÃO PODE AGIR COMO OS PATRÕES


Na última sexta-feira, 04/01/18, o Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro demitiu dezessete funcionários, sob a alegação de estar enfrentando uma crise financeira oriunda da redução do número de associados e do fim do imposto sindical. A decisão de demitir foi tomada pelo setor majoritário da diretoria (CUT), ignorando a posição contrária manifestada por outras correntes que fazem parte da direção.

 
A diminuição das receitas do Sindicato não ocorreu de uma hora para outra, a redução dos sindicalizados vem ocorrendo já há alguns anos. O fim do imposto sindical é uma ameaça antiga que agora se concretizou, mas foi compensado pela aprovação da taxa negocial no acordo coletivo da categoria.

 
Diante desse quadro, nós da corrente sindical Unidade Classista, como parte integrante da diretoria, temos defendido medidas alternativas de corte nos gastos, como redução e revisão dos contratos de prestação de serviços terceirizados, corte dos cargos de assessoria política, redução do repasse financeiro para central sindical, além de rígido controle de todas as demais despesas. Todas essas medidas são factíveis e poderiam evitar as demissões.

 
É inaceitável que justamente quando mais precisamos de um Sindicato forte e atuante para enfrentar essa conjuntura de ataques aos direitos dos trabalhadores e do perigo iminente de privatização dos bancos públicos, o nosso Sindicato aplique a mesma política do empresariado, ou seja, jogar nas costas dos seus trabalhadores o peso da crise. Além de enfraquecer a nossa entidade, esse tipo de atitude só fortalece a argumentação dos banqueiros.

 
O Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro tem uma história de lutas em defesa da categoria e dos interesses gerais dos trabalhadores que precisa ser mantida. Não podemos assistir passivamente essa política de desmantelamento do nosso órgão de classe. Conclamamos todos os bancários a estarem solidários com os funcionários e a exigirem a revisão dessas demissões. 

              
 
UNIDADE CLASSISTA – BANCÁRIOS RJ
    

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Equipe de Temer vai sugerir a Guedes acabar com abono salarial

A atual equipe econômica do governo vai defender junto ao time ao futuro ministro da área, Paulo Guedes, a adoção de uma série de medidas para reduzir o déficit nas contas públicas, desamarrar o Orçamento e evitar o descumprimento da chamada “regra de ouro” das contas públicas, que impede o governo de fazer dívida para pagar despesas como salários.
Uma destas medidas é restringir ou até acabar com o chamado abono salarial, benefício para quem ganha até dois salários mínimos e que custará mais de R$ 19 bilhões no ano que vem.
As primeiras conversas oficiais sobre o tema entre os integrantes do atual governo e o grupo que participa da transição estão marcadas para a próxima semana, mas conversas informais já estão em curso. Na sexta-feira, 2, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, disse em entrevista à Rede Vida que espera aprovar um “pacotão” de medidas logo no início do mandato.
O fim do abono, criado há 47 anos, chegou a ser discutido pela equipe do presidente Michel Temer, que acabou abandonando a proposta diante do elevado custo político, uma vez que seus beneficiários são justamente a camada mais pobre da população. A equipe de Guedes já defendeu publicamente mudanças no benefício
Além de medidas consideradas mais estruturais, a equipe econômica avalia que os assessores de Bolsonaro devem pedir apoio ao Congresso para a aprovação da medida que adia o reajuste do salário dos servidores para 2020. O texto precisa ser aprovado até 8 de fevereiro do ano que vem, mas na prática o ideal seria votar a MP ainda este ano.
Na lista também está o projeto de lei que altera a tributação dos fundos exclusivos, voltados para investidores de alta renda. Por se tratar de mudança no Imposto de Renda, ela precisa ser aprovada ainda em 2018 para que possa valer no ano que vem.
Fonte:https://www.metropoles.com/brasil/politica-br

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Outra primavera é inexorável*

A vitória do fascismo nas eleições deste ano representa a vitória dos bancos, das transnacionais, do agronegócio e da indústria extrativa mineral, aliados às bancadas da bala, da bíblia e outros setores conservadores que vem crescendo na política brasileira desde a década passada.

Não é pra menos. O capitalismo concorre com vários candidatos em todas as eleições. Na disputa presidencial deste ano havia à direita o MDB, o PSDB, o Podemos, o Novo, a Rede, entre outros. Ao centro, o PT e o PDT. À esquerda, apenas a coligação PSOL-PCB e o PSTU.
O fascismo já foi derrotado
outras vezes. Poderá ser novamente.
Quem ganhou, entretanto, foi um inexpressivo partido com uma candidatura fascista, que além de carregar o autoritarismo, o ódio e a intolerância traz no seu bojo uma política econômica pró-imperialismo, rejeitada pela população nas quatro últimas eleições majoritárias, apesar da conciliação posta em prática pelo PT e radicalizada no último Governo Dilma, que, antes mesmo de assumir seu segundo mandato, já adotava a pauta do candidato derrotado, Aécio Neves (PSDB).
A eleição não foi legítima. A exclusão do ex-presidente Lula, preso sem provas, injustamente, retirou da disputa o favorito em todas as pesquisas, fosse qual fosse o cenário. Além disso, as falsas notícias divulgadas pela candidatura vitoriosa influenciaram decisivamente o resultado. Financiadas ilegalmente por empresários, essas falsas notícias puseram por terra qualquer arremedo de democracia.
Democracia essa, cabe ressaltar, que politicamente não existe nem nunca existiu. A Constituição de 1988 não teve força e/ou vontade política para mudar o jogo burguês das eleições, mantendo os partidos e, pior, as regras político-eleitorais então existentes. Tudo continuou “como dantes no quartel de Abrantes”, com a burguesia no poder.
As conjunturas internacional e nacional eram favoráveis a mudanças. Em quase todo o planeta o capital exerce uma ofensiva sem precedentes, na tentativa de se manter ileso frente a crise econômica que eclodiu em 2008 e persiste, principalmente para os trabalhadores e setores mais frágeis da população.
No âmbito interno, a integração entre o capital internacional e o nacional já é fato há anos, tendo patrocinado o golpe jurídico-parlamentar-midiático de 2016. As eleições deste ano são a tentativa de legitimar e aprofundar o golpe.
Somada à crise do capital vivenciamos uma insatisfação generalizada da população, farta da insegurança, do desemprego, dos baixos salários, da corrupção, de eleger representantes que não os representam. A maioria silenciosa clama por mudanças. Não tem consciência que existem mudanças para melhor e para pior. Optou pela pior.
Como dizia o mestre Darcy Ribeiro “A crise da educação não é uma crise, é um projeto”. Proféticas palavras. É inadmissível culpar o povo brasileiro pelo resultado das urnas. É fechar os olhos para a realidade social, educacional, da mídia etc. Desconhecer a vida de quem sobrevive a duras penas.
Outro fator que colaborou decisivamente para o resultado das urnas foi a política de conciliação de classes do PT enquanto governo. Não realizou as mudanças estruturais que levariam o país a outro patamar. Fechou as portas para a participação popular, adotou a política econômica do capital, aproveitou-se da alta das commodities no mercado internacional para arrotar uma falsa vitória econômica. Deu alguns anéis e preservou os dedos e o corpo todo do capital. Alimentou, cuidou e se aliou ao inimigo. Pediu uma facada nas costas. Obteve algumas.
Cabe ainda a crítica aos setores progressistas que não souberam identificar e corresponder aos anseios de mudança da maioria da população. As passeatas de 2013 foram um prenúncio do que adviria, mas foram incompreendidas.
Da mesma maneira não detectaram o crescimento do fascismo, que já em 2015 colocava as garras de fora. Em novembro daquele ano publicamos um artigo intitulado “Quem choca o ovo da serpente?”, que, entre outras, afirmava: “O fascismo colocou as garras e as presas para fora. A ofensiva da ultradireita se dá em todas as direções, ataca todo e qualquer espaço social. Vários casos recentes ilustram essa realidade: as agressões ao líder do MST, João Pedro Stédile, ao ex-candidato à Presidência da República pelo PCB professor Mauro Iasi, ao ex-senador Eduardo Suplicy, ao racismo contra a atriz Taís Araújo, aos direitos das mulheres, dos índios e dos trabalhadores na Câmara dos Deputados, as agressões contra os movimentos grevistas, em especial os professores, entre tantos outros.”
O pior em parte já começou: mais de 100 pessoas foram agredidas por apoiadores do candidato vencedor, se não me engano três pessoas foram assassinadas, inclusive uma jovem, o ódio, a intolerância, o racismo, a homofobia e a misoginia estão proliferando país afora.
Mas não vai parar por aí. O guru econômico do novo governo é da escola de Chicago, que teoricamente forma economistas, os mais extremistas defensores do neoliberalismo. Se avizinha, agora com força, uma reforma da Previdência nociva aos trabalhadores, o descaso com a educação e a saúde pública, o subemprego, salários ainda menores, privatizações a rodo, o desmatamento e destruição do meio ambiente, a prioridade para a agiotagem através da pseudodívida pública, o realinhamento internacional com os países sede do imperialismo ocidental – EUA, Israel, Arábia Saudita, Inglaterra etc. – em detrimento dos países do Terceiro Mundo e do Brics.
Essas medidas já foram adotadas em outros países, que o digam a Grécia, a Espanha, a Itália, agora a Argentina, entre tantos, que passaram e alguns ainda enfrentam crises sem precedentes. Não deu certo em país nenhum, não será aqui que dará, mas é interesse do imperialismo, portanto prioridade para o fascismo, sua face mais cruel.
Não há possibilidade de o novo governo dar certo – no sentido de promover inclusão e segurança, trazer paz social e preparar as novas gerações para os desafios do presente e do futuro. A concentração de renda atingirá nível ainda mais vergonhoso, com aumentos – absoluto e relativo – seja da miséria, seja da pobreza.
A liberação do porte de armas e a licença para matar dada às polícias, aliada a retórica violenta de eliminação física do diferente e do fustigamento do “inimigo interno”, “os vermelhos”, descortina um cenário de genocídio para o país que hoje já é o campeão mundial no assassinato de jovens, negros, homossexuais, indígenas, lideranças do campo e ativistas dos Direitos Humanos. Um dos países, também, que mais assassina jornalistas.
Por fim, o que se descortina em termos de política educacional não só manterá como reforçará o papel de sermos o país do atraso, da improdutividade, de pessoas relegadas às tarefas menos qualificadas na arena da divisão internacional do trabalho. As gerações futuras serão condicionadas a formar um país que não saberá identificar a rapinagem de suas riquezas e de seu futuro. Um país cego aos desafios da quarta revolução industrial. Um país surdo aos recados da dramática mudança climática. Um país que encaminha suas crianças para um “não-futuro”.
A nós, trabalhadores, resta uma única opção: lutar! Ir às ruas, se organizar, protestar, enfrentar a repressão – que poderá matar a rodo no futuro breve. É o momento de unificar todos aqueles que repudiam aquele que se avizinha como o mais sombrio período de toda a nossa história e construir uma alternativa popular como saída.
Só a organização do povo será capaz de construir um novo país. Não há dúvida de que mais hora menos hora a população perceberá que foi enganada, que seus direitos continuam sendo vilipendiados, ela deixará de apoiar o novo governo, autoritário e excludente.
O fascismo já foi derrotado outras vezes. Poderá ser novamente. Cabe a nós a responsabilidade de enfrentá-lo e colocá-lo em seu devido lugar: o esgoto da história.
Afonso Costa
Jornalista.

*Alusão a uma poesia de Pablo Neruda.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Um Voto Antifascista

Ney Nunes
A última vez que votei num candidato petista, em primeiro turno, foi na eleição presidencial de 2002. Passados dezesseis anos, os motivos para não votar no PT permanecem e, até mesmo, aumentaram. Entre esses motivos, dois se destacam: a política de conluio com interesses empresariais e o  envolvimento nos escândalos de corrupção associados aos demais partidos burgueses. O quê, então, poderia justificar uma mudança nesse posicionamento?

A questão é que hoje estamos sob o risco iminente de uma vitória eleitoral das forças políticas mais reacionárias do país, agrupadas em torno da candidatura do ex-capitão Jair Bolsonaro, um fascista declarado, capacho dos EUA, adepto da tortura de presos políticos e que já afirmou, de viva voz, a intenção de prender e banir do país os brasileiros que fizerem oposição ao seu governo. Além disso, suas propostas são uma ameaça clara ao patrimônio público e ao que resta dos nossos direitos sociais tão duramente conquistados. 

Não restam dúvidas de que esta eleição difere por completo das anteriores. O fascismo está esmurrando nossa porta, votar nulo nesse segundo turno seria como entregar as chaves nas mãos desses assaltantes, facilitando sua entrada. Sem retirarmos nenhuma das nossas críticas aos governos petistas e afirmando que não temos acordo com seu programa de governo, declaramos nosso apoio ao candidato Fernando Haddad. Um voto contra a barbárie fascista!

Ney Nunes

domingo, 23 de setembro de 2018

Centrais sindicais divulgam nota de repúdio a Bolsonaro

Nós, sindicalistas brasileiros, das mais variadas tendências, que apoiamos candidatos de diversos partidos na próxima eleição presidencial, repudiamos o candidato Jair Bolsonaro.
Repudiamos por sua já conhecida postura contra a organização sindical, portanto, anti-trabalhadores, por sua postura antidemocrática, intolerante com minorias, que faz apologia da violência, e pela sua conivência com práticas repugnantes, como a defesa de torturadores.
O horizonte que ele nos apresenta é de um país marcado pela exploração do trabalhador, pela violência, pelo racismo, pela discriminação, pela repressão, pela dilapidação do patrimônio nacional, pelo desrespeito aos direitos humanos e pelo desrespeito aos direitos democráticos, garantidos na constituição, e ameaça de retorno a ditadura militar.
E nossa luta, como sindicalistas, é justamente o oposto disso: queremos um país com geração de empregos, trabalhadores valorizados e com poder aquisitivo, com licença-maternidade, férias, décimo-terceiro salário, com a PEC das domésticas, com aposentadoria e respeito aos aposentados, valorização dos servidores públicos, um país marcado pela convivência pacífica e produtiva entre pessoas das mais diversas raças, origens, gêneros e culturas, queremos um Estado laico e, sobretudo, respeito aos direitos sociais e democráticos garantidos pela Constituição e à soberania nacional.
Por eleições democráticas e por dias melhores para o Brasil, conclamamos a que todos digam não a Bolsonaro!
São Paulo, 22 de setembro de 2018
Miguel Torres, Presidente interino da Força Sindical
João Carlos Gonçalves, Juruna, Secretário Geral da Força Sindical
Adilson Araújo, Presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)
Wagner Gomes, Secretário Geral da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)
José Avelino Pereira, Chinelo, Presidente interino da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB)
Álvaro Egea, Secretário Geral da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB)
José Calixto Ramos, Presidente da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST)
Moacyr Auersvald, Secretário Geral da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST)
Edson Índio, Secretário Geral da Intersindical
Nilza Pereira, da Direção Nacional da Intersindical
Atnagoras Lopes, da Secretaria Executiva Nacional da CSP-CONLUTAS