Avante Bancário

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Começa uma nova etapa da luta de classes no Brasil

A oligarquia financeira, os oligopólios e o agronegócio tomaram a chave do cofre

A crise econômica, social e política brasileira mudou de patamar com impeachment da presidente Dilma Rousself e a usurpação do poder por uma gang de oligarcas corruptos, cujos principais personagens dominam o Parlamento brasileiro, vários escalões da administração e representam o que há de mais reacionário e obscurantista na sociedade brasileira. Ao lado dessa gang, está uma quadrilha sofisticada de ladrões de casaca, que tomaram de assalto todos os ministérios da área econômica e social para impor aos trabalhadores uma violenta regressão social e a entrega do patrimônio público e das riquezas nacionais para os monopólios nacionais e internacionais. Essa conjuntura representa, ao mesmo tempo, o desfecho de uma crise política que se vinha arrastando desde as eleições presidenciais, além do fim de um longo ciclo de lutas sociais no País iniciado com as greves do final da década de 70 e início dos anos 80, quando emergiram na cena política o Partido dos Trabalhadores (PT) e a Central Única dos trabalhadores (CUT), [1] além de outras organizações do movimento social.

A crise brasileira também não está dissociada da crise mais geral do capitalismo e dos métodos que o grande capital internacional, especialmente a oligarquia financeira, vem executado em várias partes do mundo para colocar na conta dos trabalhadores todo o ônus da crise, visando recuperar suas taxas de lucro. Desesperado diante da crise sistêmica que o castiga por cerca de 10 anos, o capital vem realizando uma ofensiva mundial contra os fundos públicos, salários, direitos e garantias dos trabalhadores e, para atingir seus objetivos, não hesita em restringir as liberdades democráticas, ampliar a repressão e, discretamente, incentivar grupos fascistas como uma espécie de Plano B caso a situação fuja de seu controle. Se antes medidas dessa ordem ocorriam apenas nos países da periferia, agora o capital vem tirando a máscara e executando essa estratégia em vários países da Europa, onde tem colocado no poder governos fantoches ou representantes diretos do capital. Mas cada dia amplia-se a contradição entre os interesses da oligarquia financeira, que representa menos de 1% da população, e o conjunto dos trabalhadores e da população em geral, fato que prenuncia um acirramento da luta de classes de caráter global.


Aqui no Brasil a situação não é diferente. Desde 2003 os governos petistas conseguiram desenvolver uma política que, voltada fundamentalmente para satisfazer os interesses gerais do grande capital, também realizou algumas políticas de compensação social, como o Bolsa Família, o aumento do salário mínimo e medidas que incentivaram o ingresso da juventude nas universidades públicas através do programa de cotas e financiamento estudantil para jovens estudantes das universidades privadas, cujos recursos transformaram o setor num conglomerado de oligopólios educacionais. No entanto, a própria crise mundial, aliada à desaceleração do crescimento da China, com a consequente queda no preço mundial das commodities , além de um conjunto de medidas desastrosas de política econômica interna, produziram um impacto devastador na economia brasileira. O Produto Interno Bruto (PIB) médio dos últimos cinco anos foi reduzido aos menores níveis dos últimos 50 anos e o desemprego cresceu de maneira avassaladora, atingindo atualmente cerca de 12 milhões de trabalhadores.


É necessário ressaltar ainda que em 2013 ocorreram as extraordinárias jornadas de luta , nas quais a juventude, os trabalhadores precarizados e setores da baixa camada média urbana emergiram em grandes manifestações, reunindo milhões de pessoas em mais de 600 cidades do País, reivindicando educação, saúde, transporte e infraestrutura de qualidade. [2] Essa confluência de fenômenos (crise econômica, social, política e manifestações de massa) acendeu a luz vermelha para a grande burguesia: o PT já não estava mais conseguindo administrar o capital e, o que é mais grave para a burguesia, não tinha mais condições de cumprir o papel de controlador e apassivador das lutas sociais que vinha desempenhando nos últimos 13 anos de governo. Portanto, era chegada a hora de um governo puro sangue do grande capital, que executasse de maneira rápida e profunda os ajustes regressivos contra os trabalhadores, realizasse o processo de privatização do que ainda resta de empresas públicas e entregasse o pré-sal para as corporações transnacionais.


Desenvolveu-se assim no Brasil uma crise completa – econômica, social, política e ética, própria do fim de um longo ciclo. Esse quadro foi a base material e política que uniu todos os setores da burguesia brasileira – indústria, finanças, comércio, serviços em geral e agronegócio –, em aliança com a mídia corporativa e amplas áreas do judiciário, para descartar o Partido dos Trabalhadores e instalar um governo direto da burguesia, disposto a realizar os ajustes predatórios de maneira mais veloz do que o PT vinha implementando de maneira mais lenta. A gravidade da crise não deixava às classes dominantes espaço para qualquer vacilação em relação à urgência da implantação dessas medidas. À luz do dia, a burguesia manobrou as instituições da maneira mais inescrupulosa possível, articulou a mídia para criar um clima favorável ao impeachment, mobilizou seus agentes no judiciário e na Polícia Federal para dar ares de legalidade ao impeachment e finalmente colocou em movimento o Parlamento, dócil e subserviente instrumento das classes dominantes, para consumar o rearranjo institucional burlesco. Estava assim consumada a farsa, com aparência de legalidade, mas na verdade instalou-se um governo ilegítimo e usurpador. Primeiro, porque todo o processo envolveu uma manipulação vergonhosa; segundo porque o presidente interino não teve um voto sequer para ter legitimidade; e terceiro porque, como se comprovou posteriormente, formou-se um governo em que a maior parte de seus integrantes está envolvida até a medula em processos de corrupção e que realizaram o impeachment para salvar a própria pele em função das investigações em curso da Operação Lava a Jato.


Quem são os personagens da trama?
A crise brasileira é tão profunda que produz impactos até mesmo no perfil dos representantes da burguesia no governo. As classes dominantes já tiveram quadros mais qualificados tanto no Parlamento quanto no Executivo, mas desde a eleição de Fernando Collor, no início da década de 90, que vem encontrando dificuldades para extrair de seus próprios funcionários um personagem à altura para representar seus interesses. No entanto, os personagens desse governo e seus representantes no Parlamento são tão desqualificados que mais se assemelham a uma gang mafiosa do que efetivamente a políticos com respeitabilidade social e política. Bom, mas a burguesia não tem muito escrúpulo nessa questão da representação: a burguesia é prática e objetiva, o que almeja de fato é a defesa de seus interesses. Nesse particular, apesar da imagem escandalosamente negativa dos parlamentares, estes senhores têm votado subservientemente todas as medidas de interesses da burguesia.

 
O governo foi tomado de assalto por duas quadrilhas: os ladrões de casaca, representantes da oligarquia parasitária das finanças, que ocuparam os ministérios da área econômica e social e vem buscando implantar o ajuste predatório e a entrega do patrimônio público à iniciativa privada. Esses senhores tentam passar à sociedade uma aura de respeitabilidade, mas na verdade são os principais responsáveis pela sangria dos recursos dos fundos públicos e sua transferência para o capital privado, em função do pagamento dos juros da dívida interna. Em paralelo, operam os ladrões de galinha, representados no Parlamento e em vários postos da administração pública, cuja prática é auferir recursos através da corrupção, das negociatas e do fisiologismo, tanto para manter o poder das oligarquias nas várias regiões do País quanto para seu enriquecimento pessoal. No Parlamento, têm a significativa denominação de baixo clero, em virtude de suas limitadas capacidades intelectuais e protagonismo político nas questões gerais do País, mas em compensação são vorazes em termos de esperteza quando se trata de roubar os recursos públicos através da corrupção. [4] Vejamos os seus principais representantes:


O impeachment, por exemplo, foi comandado por Eduardo Cunha, um político delinquente, que merecia estar muito mais numa cadeia do que na presidência da Câmara dos Deputados. Recentemente, o Supremo Tribunal Federal o afastou dessa função e o Conselho de Ética já encaminhou sua cassação para o plenário da Câmara Federal. Os 357 deputados que votaram pelo impedimento da presidente (um terço deles com processos na justiça) proporcionaram um espetáculo tão bizarro que custa a acreditar que aquela trupe de boçais seja realmente representante da população brasileira no Congresso Nacional. As pessoas costumam argumentar que este Parlamento representa o povo brasileiro porque foi eleito pela própria população. Essa é apenas a aparência da questão: como as eleições no Brasil são dominadas pelo financiamento privado, um parlamentar só pode se eleger se fizer coligação com o governo e/ou receber dinheiro das empresas, nos dois casos perdendo inteiramente sua independência política. Portanto, esse Parlamento não representa o povo: é a cara das classes dominantes brasileiras, que o financiaram e o elegeram. A ironia é que alguns daqueles parlamentares que dedicaram seus votos aos pais, mães, filho e maridos poucos dias depois tiveram parentes presos pela Polícia Federal por corrupção em setores da administração pública. No Senado, apesar do espetáculo do impeachment não ter sido tão deprimente como na Câmara, mais de duas dezenas de senadores também são investigados pela Justiça.


Mas se o enredo e consumação do impeachment foram eivados de manipulações, trapaças e acordos espúrios, a formação do novo governo não ficou nada a dever ao espetáculo da Câmara e do Senado. Esse é um governo que abriga os principais acusados de corrupção da política brasileira, a começar pelo próprio vice-presidente de Dilma e agora presidente interino, Michel Temer. Recente delação premiada, de um ex-diretor da Transpetro (empresa ligada à Petrobrás), Sergio Machado, uma espécie de Caixa 2 do PMDB, caiu como uma bomba no cenário político: Machado denunciou que Temer foi intermediário de propina no valor de R$ 1,5 milhão (U$ 500 mil) para um apadrinhado seu, candidato a prefeito em São Paulo em pleito passado. Detalhe burlesco: tudo foi acertado longe das câmaras, numa base área de Brasília o que, convenhamos, é um local no mínimo pitoresco para esse tipo de negociata. Além disso, Temer foi condenado, em definitivo, pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, sua base eleitoral, a ficar inelegível por oito anos. Isso sem falar que seu nome consta em várias planilhas de doações fraudulentas apreendidas pela polícia com diretores de empreiteiras investigados na Operação Lava a Jato. Além disso, em uma troca de mensagem num celular de Leo Pinheiro, executivo da empreiteira OAS, também apreendido pela polícia, há um fato estarrecedor: o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha, reclamava indignado que Pinheiro havia pago R$ 5 milhões (U$ 1,63 milhão) a Temer, então presidente do PMDB, e estava atrasando repasse para outros peemedebistas. Este é o homem que neste momento dirige a República.


Não é segredo para ninguém que Temer é uma espécie de refém de Eduardo Cunha, pois toda a articulação para a votação do impeachment na Câmara Federal foi organizada, articulada e consumada pelo então presidente da Câmara. Isso com certeza gerou compromissos, tanto que Cunha continua mantendo grande influência na Câmara e no governo Temer: o atual líder do governo na Câmara, André Moura, é um fiel aliado de Cunha. Após o Conselho de Ética aprovar e recomendar ao plenário a cassação do mandato de Cunha, este conseguiu (com a ajuda dos parlamentares governistas e anuência do governo) eleger o relator do recurso de Cunha na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, com o objetivo de inviabilizar a cassação do seu mandato, muito embora Cunha tenha sido recentemente derrotado nesta comissão. Mas o fato mais escandaloso das relações entre Cunha e Temer e que demonstra o poder de Cunha junto ao governo foi o próprio presidente interino ter se encontrado no Palácio, na calada da noite de um domingo, sem constar da agenda oficial, com Eduardo Cunha. Como a reunião vazou, o governo se apressou em dizer que era encontro institucional. É muito estranho um presidente da República recebe no palácio do governo um deputado afastado da presidência da Câmara, réu em dois processos pelo Supremo Tribunal Federal e condenado pelo Conselho de Ética, com incontáveis denúncias de corrupção e próximo a ser cassado. Só compromissos muito profundos explicam essa reunião. Mas Temer já disse em entrevista, para justificar que é um político forte, que estava acostumado a lidar com bandidos quando era secretário de Segurança Pública de São Paulo. Bom, essa declaração faz sentido.


O seu ministério se assemelha a um conglomerado de oligarcas corruptos, ladrões de casaca e fundamentalistas pentecostais. No sua equipe, por exemplo, sete integrantes são investigados pela justiça. Em menos de um mês, três ministros foram afastados em função das denúncias de corrupção: senador Romero Jucá, ministro do Planejamento e um dos principais articuladores de impeachment, denunciado por receber propina de empreiteiras; Henrique Eduardo Alves, ministro do Turismo, amigo de longa data de Temer, também acusado de receber propina; e Fabiano Figueiredo, ministro da Transparência. Ressalte- se que Jucá era o articulador político do governo no Congresso e antes do impeachment assumiu a presidência do PDMB para deixar Temer, então presidente, livre para realizar as articulações e as negociatas que levaram ao impeachment. Fabiano Silveira, ex-integrante do Conselho Nacional de Justiça e que deveria zelar pela transparência das ações do governo, caiu porque foi flagrado em conversas gravadas criticando a Lava a Jato e orientando o senador Renan Calheiros sobre como se comportar junto à Procuradoria Geral da República. O ministro da Justiça, conhecido por sua truculência quando secretário de Segurança de São Paulo, foi advogado de Cunha e da Transcooper, uma cooperativa de vans citada em investigações que apura crime do Primeiro Comando da Capital, um grupo de traficantes de drogas muito ativo nas grandes capitais, especialmente em São Paulo, isso para falar apenas nos principais acusados.


Na verdade, toda essa crise desvenda a podridão das instituições brasileiras. As gravações das delações premiadas que se tornaram públicas revelam que os senadores Renam Calheiros, Romero Jucá e José Sarney, ex-presidente da República, estavam se articulando para tirar a presidente Dilma e colocar em seu lugar Michel Temer, como forma de se conseguir, a partir da posse do novo presidente, a paralisação da Operação Lava a Jato, que eles consideravam que estava indo longe demais e que poderia atingir praticamente toda a cúpula política tanto do partido que estava no governo quanto os da oposição. O impeachment seria assim uma espécie de tábua de salvação de todos eles. A corrupção entre as altas cúpulas de todos os partidos da ordem é tamanha que recentemente o procurador geral da República pediu publicamente a prisão de Renam Calheiros, presidente do Senado, Romero Jucá, ex-ministro de Temer, José Sarney, ex-presidente do Brasil e Eduardo Cunha por estarem articulando manobras para atrapalhar as investigações. Foram salvos na bacia das almas pelo Supremo Tribunal Federal, que negou o pedido de prisão, sem antes deixar de registrar que o comportamento desses figurões não era adequado. Mas como a cada dia aparece uma denúncia nova, mais bombástica que a anterior, ainda vamos ter muitas surpresas nessa novela burlesca.


À sombra dessa conjuntura pantanosa estão os verdadeiros operadores da oligarquia financeira, do grande capital, do agronegócio e do imperialismo. Na área econômica ponteiam os delegados diretos do mercado financeiro, os mais radicais na ortodoxia neoliberal, a começar pelo ministro da Fazenda, Henrique Meireles. Ex-presidente do Banco de Boston, é um monetarista que fez carreira no sistema financeiro privado internacional. Quando esteve no governo, nos dois mandatos do período Lula, sempre se destacou por ser partidário ativo dos juros altos, sendo o mais ortodoxo da equipe ministerial. O Banco Central, o principal instrumento de execução da política monetária, foi capturado pela banca: Ilan Goldfajn, nomeado presidente, é banqueiro do Itaú e um ortodoxo militante. A diretoria que nomeou no Banco Central reúne a fina flor do rentismo institucionalizado: o diretor de política monetária é Reinaldo Le Grazie, do Bradesco, que antes era responsável no banco pela administração de fortunas dos clientes rentistas e que agora vai dar continuidade a essa política na administração pública. A área de política econômica e assuntos internacionais estão a cargo, respectivamente, de Carlos Viana e Thiago Berriel, ambos da PUC do Rio, uma espécie de pequena Chicago carioca. Na Petrobrás, a maior empresa estatal do País, está Pedro Parente, um privatista radical, foi o homem do apagão no governo FHC e atualmente está sendo processado por improbidade administrativa.


Além desses personagens do rentismo, pode-se destacar ainda um dos principais homens do imperialismo no Brasil, José Serra, que atualmente está no Ministério das Relações Exteriores para alinhar a política internacional do Brasil aos Estados Unidos, desmontar o processo de integração latino-americana e atrapalhar os BRICs. Na Casa Civil está uma espécie de primeiro-ministro, Eliseu Padilha, velha raposa política do PMDB, acostumado aos bastidores da pequena política de Brasília, tanto que era conhecido na era FHC como "Eliseu Quadrilha". Padilha está envolvido nas denúncias de corrupção e teve seus bens bloqueados pelo Ministério Público Federal. Também estão envolvidos em denúncias de corrupção o ministro da Educação, Mendonça Filho e Gedel Vieira Lima, ministro da Secretaria de Governo e velhos conhecidos nas denúncias de corrupção. O setor agropecuário é comandado por um grande latifundiário do setor de soja, Blairo Maggi e na Saúde está um conhecido lobista da medicina privada. Há ainda um aspecto bem singular da equipe de Temer: em seu ministério não há uma única mulher, nenhum negro, num País onde mulheres e negros são maioria na população brasileira.


Um ataque brutal contra os trabalhadores
Um dos motes estratégicos do programa desse governo para justificar os ataques aos trabalhadores e à soberania nacional é a balela que o Brasil não cabe na Constituição de 1988 e os direitos sociais também não cabem no orçamento, como sugere o documento-base do PMDB (Ponte para o Futuro), que orienta as ações governamentais: "Na forma como está desenhada na Constituição e nas leis posteriores (a sistemática orçamentária, EC), que resulta em excessiva rigidez nas despesas, torna o desequilíbrio fiscal permanente e cada vez mais grave ... Assim, a maior parte das despesas públicas tornou-se obrigatória, quer haja recursos ou não. Daí a inevitabilidade dos déficits quando os recursos previstos não se realizam, ou porque as receitas foram superestimadas, ou porque houve retração na atividade econômica, portanto perda de receitas". [5] Para estes senhores, as conquistas da Constituinte, elaboradas num duro embate após a queda da ditadura, atrapalham a competitividade das empresas, inviabilizam a economia de mercado e garantem direitos à população que o País não pode pagar. Ou seja, as conquistas sociais inscritas na Constituição estão em rota de colisão com o apetite voraz da oligarquia rentista e dos oligopólios e as liberdades democráticas são um empecilho à ordem neoliberal.


Em outras palavras, caso essa equipe se mantenha no poder após a consumação do impeachment no Senado, estaremos diante de um governo claramente antinacional e antipopular, um governo ilegítimo e usurpador, sem o respaldo do voto da população para exercer o poder político e sem legitimidade para reorganizar a economia no interesse das oligarquias regionais, dos rentistas e dos oligopólios nacionais e internacionais. Um governo frágil porque a qualquer momento seus ministros e o próprio presidente podem perder seus empregos em função das denúncias de corrupção, mas profundamente perigoso tanto porque não deve satisfações à população, tendo em vista que não pode se viabilizar eleitoralmente (o presidente está inelegível por oito anos), quanto principalmente porque poderá realizar qualquer tipo de medida antipopular para agradar as classes dominantes e ao imperialismo e se manter no poder. Para isso, tem o apoio de uma maioria parlamentar, da mídia corporativa e do mercado, apesar de rejeitado pela maioria da população, conforme recentes pesquisas de mercado. A continuidade desse governo, para os trabalhadores, significa um vôo cego para a barbárie.


Até agora já foram realizadas um conjunto de medidas regressivas nas áreas econômica e social, mas o pior ainda está por vir: o governo espera apenas o desfecho do impeachment para aplicar seu verdadeiro programa, porque aí estaria com as mãos livres para realizar o ataque direto aos trabalhadores e viabilizar a política entreguista. Vejamos as principais medidas tomadas até agora e aquelas já anunciadas e que estão em discussão no Parlamento. O governo extinguiu o Fundo Soberano e sacou todos os recursos (R$2 mil milhões) para abater a dívida interna. Também definiu que o BNDEs (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) deverá devolver ao Tesouro, em três anos, R$ 100 mil miilhões (U$ 33 mil milhões), recursos que foram repassados ao Banco para viabilizar investimentos empresariais. Estes recursos também servirão para abater a dívida. Ao colocar na presidência do Banco uma conhecida militante privatista, Maria Silvia Bastos, que já cumpriu funções no governo FHC, o objetivo é mudar radicalmente o papel da instituição, passando de agente de fomento do desenvolvimento industrial para operador e financiador do projeto de privatizações, como ocorreu no governo do PSDB, entre 1994 e 2002.


O governo também vai cortar 4 mil cargos de confiança na administração pública, como parte do chamado esforço para equilibrar as contas públicas e pretende acabar com a estabilidade do funcionalismo público e os acordos que levaram ao aumento real do salário mínimo. Quer também aumentar de 20% para 30% a Desvinculação das Receitas da União (DRU). Isso significa que agora o governo poderá utilizar livremente até 30% do orçamento da União, mesmo em relação às verbas de setores protegidos por dispositivos constitucionais, como saúde e educação. [6] Na prática, as autoridades econômicas podem remanejar livremente recursos da saúde e educação para pagar, adivinhem quem: os compromissos dos juros dívida interna. O governo também enviou ao Congresso projeto de emenda constitucional de ajuste fiscal de longo prazo, no qual fixa um limite rígido para os gastos públicos por cerca de 20 anos, podendo ser revisto após o nono ano de implementação, período no qual esses gastos se manterão inalterados, podendo ser corrigidos apenas pela inflação, o que na prática significa um congelamento dos gastos públicos. A ambição dos representantes do parasitismo financeiro e dos oligopólios nacionais e internacionais [7] é tão grande e às vezes bizarra que o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sugeriu que a jornada de trabalho fosse estendida para 80 horas semanais, algo muito próximo ao que era vigente no período da escravidão. Vale lembrar que esses balões de ensaio buscam amaciar a população, tornar corriqueira a barbárie, de forma a reduzir os impactos das medidas vindouras. Ao mesmo tempo é uma jogada esperta: eles sabem que esse é um governo que pode durar no máximo mais dois anos e meio, mas as reformas a serem aprovadas amarram todos os governos futuros a essa política ultraliberal. Ao mesmo tempo, significa uma importante sinalização para o mercado, que sempre desejou ter no governo uma equipe econômica que tivesse a coragem de defender abertamente seus interesses sem grandes necessidades de prestar contas à população.


Temer também anunciou que vai apoiar o projeto de Lei de Responsabilidade Fiscal para as estatais e fundos de pensão, pelo qual 25% dos membros dos Conselhos de Administração devem ser independentes. O governo justifica a medida alegando que esses dirigentes deverão ser nomeados por critérios técnicos e meritocráticos, sem vínculos políticos, de forma a poderem alocar de maneira eficiente os recursos dessas instituições. [8] Na prática, quer colocar gente da iniciativa privada e do mercado financeiro para gerir uma parcela significativa dos recursos públicos nacionais e os fundos dos trabalhadores (que atualmente possuem patrimônio de R$ 445 mil milhões – U$148 mil milhões) para servir aos interesses do mercado financeiro. Ou seja, a raposa cuidando do galinheiro: o mercado financeiro passará a gerir centenas de milhares de milhões de reais dos trabalhadores e do povo brasileiro. Há ainda a possibilidade concreta de ser aprovada a independência do Banco Central. Mas as joias da coroa que o governo Temer está preparando, caso se consuma o impeachment da presidente Dilma, é a entrega do Pré-Sal às petroleiras imperialistas, a reforma trabalhista, a reforma da previdência e o programa de privatizações.


Entrega do Pré-sal: O volume de petróleo até agora encontrado nas bacias do pré-sal está calculados em R$ 20 milhões de milhões (U$ 6,8 milhões de milhões), um botim bastante apetitoso para o capital internacional petroleiro. Temer já anunciou que vai apoiar um projeto que já foi aprovado no Senado, por proposta de Serra e com apoio de Dilma (agora está na Câmara Federal), que altera as regras de exploração do petróleo do pré-sal. Pelas normas atuais, a Petrobrás tem exclusividade na exploração de 30% em todos os poços de petróleo, mas se o projeto for aprovado na Câmara a companhia estatal perde a exclusividade e o petróleo brasileiro passará a ser explorado pelas multinacionais. Para realizar tal tarefa, nomeou para a presidência da Patrobrás, responsável por 13% do PIB, Pedro Parente, um privatista radical. Mal assumiu o posto, já pilota um projeto de venda de ativos que, mesmo ainda sigiloso, já se pode dizer que os estão de olho nas companhias subsidiárias da Patrobrás como a Liquigás, usinas térmicas, Transportadora Sudeste, Transpetro e BR Distribuidora, campos de petróleo em produção ou em fase de exploração, além das concessões de exploração de novos campos pelas multinacionais. Também está ainda na agenda a redução ou mesmo o fim da política de conteúdo nacional, pela qual a Petrobrás passou a comprar equipamentos de empresas nacionais, como forma de incentivar a indústria local. Como entreguistas contumazes, eles acusam essa política de compras como uma questão ideológica do governo anterior, que viola a competição e causa prejuízos à empresa. Se essa agenda se consumar, será um golpe duro na soberania nacional, tendo em vista que o monopólio estatal do petróleo foi uma conquista do povo brasileiro, após grandes manifestações de massas nas ruas, ainda na década de 50, e foi exatamente este monopólio que possibilitou ao País se tornar autossuficiente em petróleo. Com pré-sal, o País deverá se transformará num grande exportador petroleiro, tendo em vista os vastos depósitos descobertos nos últimos anos.

Reforma da Previdência: A questão da previdência no Brasil é um dos casos mais dramáticos no qual uma mentira repetida muitas vezes termina virando verdade. Diariamente, todos os meios de comunicação, jornalistas ignorantes ou a serviço do mercado financeiro, empresários e banqueiros repetem estridentemente que a Previdência é deficitária, que o déficit aumenta a cada ano, que a população está envelhecendo e, por isso, é necessário uma reforma da previdência para evitar uma insolvência no futuro. Com esse discurso, as classes dominantes tentam capturar parcela expressiva dos recursos da Previdência definidos pela Constituição de 1988. Nas discussões daquele período, os Constituintes decidiram incorporar à previdência os milhões de trabalhadores rurais que não pagavam a Previdência e, portanto, não recebiam os benefícios previdenciários. Para tanto, criaram a Seguridade Social, da qual fazem parte a Previdência, assistência social e saúde e definiram regras do financiamento, que inclui os recursos dos trabalhadores, dos empregadores e do governo, além de tributos específicos, como a CSLL (Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido) e a CONFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), além de outras receitas, visando dar sustentabilidade de longo prazo à previdência brasileira. Ocorre que, desde meados da década de 90, as classes dominantes lutam para recapturar esses recursos mediante uma série de falsificações, desonestidade contábil e manipulação midiática. Nessa ofensiva já conseguiram realizar duas contra-reformas previdenciárias, uma no governo FHC e outra no governo Lula, sempre retirando direitos dos trabalhadores e desviando os recursos da seguridade social para pagamento dos juros da dívida interna. Eles alegam que a previdência é deficitária e, com o envelhecimento da população, seu financiamento se tornará insustentável. Para justificar essa inesperada e hipócrita preocupação com o futuro dos pensionistas, os oligarcas realizam um argumento falacioso ou uma conta pela metade, isolando a Previdência da Seguridade Social e comparando apenas os recursos arrecadados das contribuições de patrões e empregados com as despesas previdenciárias, sem levar em conta os recursos dos tributos da seguridade social, criados justamente para dar sustentabilidade ao sistema previdenciário. Por essa metodologia falsificada, a previdência se torna permanentemente deficitária. Mas quando as receitas da seguridade social são computadas, obtém-se um superávit nas contas previdenciárias. Por exemplo, o superávit foi de R$68 mil milhões (U$22 mil milhões) em 2013 e R$56 mil milhões (U$18 mil milhões) em 2014, [9] isso sem levar em conta que os recursos previdenciários foram reduzidos em função da política de desonerações e renúncias fiscais realizadas pelo governo, das diversas modalidades de sonegação previdenciária e da fuga de receitas em função do processo recessivo. Para se ter uma ideia de quanto o governo desvia da Seguridade Social para pagar a dívida interna, é importante observarmos os cálculos do economista Eduardo Fagnani, da Unicamp: "Só em 2012 a DRU retirou da Seguridade Social R$52,6 mil milhões (U$17 mil milhões). O acumulado, para o período 2005-2012 totaliza R$286 mil milhões (U$95 mil milhões)". [10] Mas nada disso é observado pela mídia corporativa. Como essas informações não são divulgadas para a população, permanece a versão fantasiosa dos déficits crescentes na previdência e, com essa farsa contábil, os rentistas vão reduzindo cada vez mais os direitos e proventos dos pensionistas. Também querem ainda desvincular os reajustes do salário mínimo dos reajustes dos aposentados. Na verdade, seu objetivo maior é a privatização da previdência, como ocorreu no Chile de Pinochet.

Reforma Trabalhista: Outro dos grandes objetivos desse governo é o desmonte da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que foi promulgada ainda na década de 40 pelo governo de Getúlio Vargas. Uma parcela expressiva dos direitos dos trabalhadores já foi retirada no período FHC (e outra flexibilizada nos governos petistas), mas ninguém teve força suficiente para desmontar a CLT, tarefa que agora o governo Temer busca atingir. O centro da questão é aprovar no Congresso uma reforma definindo que aquilo que for acordado entre trabalhadores e empresários se sobrepõe ao que está legislado. Ou seja, os acordos realizados em cada empresa ou cada setor de produção estão acima da legislação da CLT ou da Constituição. Numa conjuntura de recessão e desemprego, com a ofensiva patronal contra direitos e garantias dos trabalhadores, isso seria um prato cheio para a implantação da barbárie social. A que nível chegou o capitalismo brasileiro: desesperados diante da crise econômica, querem tirar dos trabalhadores direitos que foram conquistados por seus avós. Além do desmonte da CLT, as classes dominantes também querem a implantação das terceirizações, visando não só rebaixar os salários, mas também desorganizar o mercado de trabalho, destruir o movimento sindical e criminalizar as lutas sociais. Nessa ofensiva, não será surpresa se iniciarem ainda uma campanha contra o pagamento do 13º. salário, uma conquista que vem desde a década de 60; extinção do pagamento das férias com um terço a mais de salário, como determina a legislação atual; redução do período de férias para menos de 30 dias; e até mesmo cortes no pagamento do descanso semanal remunerado. Ate agora nenhuma autoridade do governo assumiu essas três ultimas agendas, mas os balões de ensaios estão circulando diariamente nas redes sociais. Como dizia minha avó, onde tem fumaça tem fogo.

Política de privatizações: Durante o governo FHC, o governo privatizou a grande maioria das empresas públicas, envolvendo quase todo o setor de telecomunicações, grande parte do setor elétrico, bancos estaduais, siderurgia, entre outros. E nos governos petistas operou-se as privatizações disfarçadas sob o rótulo de concessões à iniciativa privada. Pelo menos em relação às quatro grandes empresas estatais nenhum governo reuniu forças para entregá-las à iniciativa privada: a Petrobrás, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e os Correios e Telégrafos. Mas essa equipe de Temer vai procurar de todas as formas realizar a tarefa não concluída por FHC. A ordem no governo é privatizar o que for possível o mais rápido que se puder. Temer já anunciou que vai adotar medidas para facilitar a venda das empresas do setor elétrico que não foram privatizadas na era FHC, ao mesmo tempo em que está transferindo para os consumidores a conta decorrente dos acordos realizados com o Paraguai ainda no governo Lula, através do qual o Brasil aumentou a remuneração paga pela energia fornecida ao Brasil pela Itaipu Binacional. Também já foi sancionada pelo presidente a abertura do setor aéreo, através do qual o capital estrangeiro pode adquirir as empresas nacionais. Mas o objetivo central do governo é a privatização das grandes estatais. Essa tarefa ainda não foi publicizada porque aguardam o desfecho do impeachment, mas é a missão desse governo usurpador. No entanto, essa é uma tarefa difícil: FHC ensaiou privatizar a Petrobrás, chegando inclusive a tentar mudar o nome da empresa para Petrobrax para facilitar sua venda, mas foi obrigado a recuar em função da grande reação de setores sociais e políticos do País. A privatização do Banco do Brasil também é uma tarefa difícil não só em função de seu tamanho (é o maior banco do País), mas porque se trata de uma instituição pública fundada ainda no período colonial. E a Caixa Econômica Federal também apresenta grandes dificuldades, em função do seu porte e também porque é gestora do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e dos financiamentos do programa de habitação. Da mesma forma, os Correios e Telégrafos têm grande prestígio junto à população pela qualidade dos serviços que proporciona. Portanto, qualquer movimento do governo no sentido da privatização dessas empresas vai gerar grandes conflitos sociais.

As elites estão brincando com fogo
Na verdade, as classes dominantes brasileiras, ao iniciarem o processo de impeachment, com as manobras e manipulações de todos conhecidas, em meio às denúncias de corrupção que atingem toda a institucionalidade, desencadearam um processo que podem não ter condições de controlar. Estão brincando com fogo. Numa conjuntura de elevada tensão social, com o descontentamento das massas em consequência do caos urbano, das precárias condições de saúde, dos baixos salários, do desemprego, da corrupção generalizada, da crise de representatividade e da desmoralização das instituições, querer implantar a ferro e fogo a agenda neoliberal predatória que esta sendo anunciada é como colocar gasolina na fogueira. Vai acirrar de tal maneira a luta de classes que não será surpresa para ninguém a emergência de conflagrações sociais em várias regiões do País, especialmente nas grandes metrópoles. Como registra recente nota política do PCB: com o impeachment da presidente Dilma e a ascensão do novo governo ilegítimo, a luta de classe mudou de patamar no Brasil, tornando mais aberto o conflito entre capital e trabalho, que era ofuscado pela política de apassivamento, cooptação e despolitização implementada pelo Partido dos Trabalhadores.


Vale recordar ainda que estamos vivenciando o dramático fim de um ciclo de lutas sociais que se iniciou no final da década de 70 com as greves do ABC, no qual a classe operária emergiu com força e combatividade, criando organizações próprias e contribuindo de maneira decisiva para o fim do regime militar. Também é fundamental compreender que a partir de 2013, com as extraordinárias jornadas de junho, a juventude e os trabalhadores precarizados emergiram na cena política com manifestações de massa, por fora das instituições sindicais e políticas, iniciando-se assim, ainda de maneira embrionária, um novo ciclo de lutas sociais no Brasil. Portanto, estamos vivendo na atual conjuntura aquele intervalo gramsciano no qual o velho está morrendo, o novo está emergindo mas ainda não se consolidou e, nesse vazio, surgem os monstros, entendido aqui como os elementos mais inesperados, imponderáveis ou bizarros da conjuntura, mas também esse é um período cheio de oportunidades. Como todo final de processo, o desfecho desse ciclo poderá parir um conjunto de fenômenos novos na realidade brasileira:
a) O primeiro deles é o esgotamento das organizações que cresceram e se desenvolveram durante o ciclo anterior, como o Partido dos Trabalhadores (PT) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), para falar apenas nos dois principais. Essas organizações poderão até ainda continuar vivas, como o MDB continuou vegetando na forma desse PMDB degenerado atual, mas perderão sua alma, sua capacidade de transformar, serão apenas caricatura do que foram no passado, sem possibilidade de se reinventarem porque serão incapazes de realizar uma autocrítica sincera dos erros estratégicos e táticos que cometeram durante o período de governo, tais como a renúncia à construção de uma nova correlação de forças baseada nos setores populares; a adesão ao modus operandi da velha política até se envolver abertamente com a corrupção; a cooptação e burocratização do movimento sindical e social; a conciliação de classe e as alianças com a escória da política; e o apassivamento e despolitização geral dos trabalhadores e da juventude. Essas organizações estão vinculadas de tal maneira à ordem e à institucionalidade que se torna praticamente impossível uma virada de mesa na atual conjuntura, pois os movimentos que realizaram durante o período de governo as tornaram prisioneiras de seu próprio destino.
b) A emergência do novo ciclo ainda não consolidado vai produzir uma conjuntura inteiramente nova na realidade brasileira. Como todo início de ciclo, em que ainda não se forjou uma organização catalisadora do novo processo, sua dinâmica é confusa e contraditória, mas as lutas de junho de 2013 estão produzindo um conjunto de atores e lutas sociais com enorme combatividade e originalidade. É só recordarmos as ocupações vitoriosas dos estudantes secundaristas paulistas contra o governo reacionário do PSDB, há mais de 20 anos no poder em São Paulo. Essas manifestações estão inspirando outras ocupações de secundaristas em várias regiões do País. Os estudantes secundaristas das escolas públicas são os filhos do proletariado brasileiro, porque só os filhos dos proletários estudam em escolas públicas, uma vez que os filhos da classe média alta e da burguesia estudam em colégios privados. Esses jovens estão debutando na luta social e trazendo formas de lutas e experiências novas de organização das lutas sociais. Vale ressaltar ainda que no Brasil a entrada em cena do proletariado na luta social e política sempre foi antecedida das lutas da juventude. Foram as lutas da juventude que anteciparam a abolição da escravatura e a proclamação da República; o movimento dos tenentes na revolução de 1930; o movimento estudantil nas lutas pelas reformas de base; e o movimento pela reconstrução da UNE antes das greves do ABC. Podemos dizer que as lutas atuais da juventude podem ser prenúncio da entrada em cena do proletariado, de forma a dar um novo rumo na história de nosso País. Ressalte-se ainda que o número de greves vem aumentando desde 2013, o que indica que algo está movendo no interior do proletariado brasileiro.
c) O terceiro dos fenômenos é o resultado da fusão dos dois anteriores e podemos dizer que está se expressando num complexo e doloroso processo de reorganização da esquerda. Ninguém pode errar nesse momento de crise: um erro pode custar caro às organizações sociais e políticas. Isso explica a implosão que ocorreu recentemente no PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado), quando mais de 700 militantes orgânicos se desligaram da organização. Processos mais reduzidos estão sendo verificados também em organizações menores. Mas o grande drama vai ocorrer com as bases do Partido dos Trabalhadores, que estão frustradas e confusas, não se sentem representadas pela cúpula do partido, mas em contrapartida não têm a menor possibilidade de ganhar por dentro a direção do partido. Vão procurar um novo rumo com o desfecho do impeachment. O PC do B se organiza mais como uma empresa que como uma organização política, dado o elevadíssimo número de profissionais burocratizados na organização e nas administrações públicas federais, estaduais e municipais, sendo este um fator limitador de dissidências. Em tempos de crise ninguém quer ficar sem trabalho. Mesmo assim, com o fim do ciclo, pagará caro sua opção pela institucionalidade eleitoral. E os militantes mais jovens das ocupações secundaristas irão amadurecer e buscar uma opção para se organizar politicamente. Com certeza o próximo ciclo que se abre será um desafio para a reconstrução da esquerda.
Realmente, o Brasil vive atualmente uma conjuntura complexa e difícil. Estamos diante de um governo impopular, desmoralizado, interessado a prestar bons serviços aos seus patrocinadores. Um governo que está disposto a implementar a agenda neoliberal a qualquer custo, no menor espaço de tempo possível, mesmo que para isso tenha que se utilizar da lei antiterrorismo, diga-se passagem aprovada pelo governo do PT, da criminalização dos movimentos sociais e da repressão aberta contra os trabalhadores e a juventude. Por outro lado, cresce a indignação na sociedade, muito embora ainda difusa, contra o governo, fato que se expressa nos protestos tanto das ruas quanto nas torcidas de futebol nos estádios, nos espetáculos musicais e teatrais e nos escrachos [11] de parlamentares e ministros do governo nos aeroportos, dentro de aviões, em eventos públicos. Se essas manifestações já ocorrem num momento em que o governo ainda não tomou as medidas mais duras, imaginem o que vai acontecer quando o governo mostrar sua verdadeira face, após a interinidade. Estamos nos aproximando de um momento de acirramento da luta de classes e possivelmente de uma repressão muito dura contra os trabalhadores e os movimentos sociais, pois dificilmente essas medidas serão realizadas sem luta, mas também poderemos estar diante da possibilidade da construção de uma nova correlação de forças favorável aos trabalhadores.

Na verdade, o desfecho dessa conjuntura complexa e volátil é uma obra aberta porque não está garantido a nenhuma das forças fundamentais da sociedade brasileira, a burguesia e o proletariado e as forças de esquerda, a vitória nessa conjuntura. Se a burguesia nesse momento tem a iniciativa, controla os poderes institucionais, o poder econômico e os aparatos militares, isso pode não significar grande coisa diante de levantes sociais de massa. Afinal, o outro lado, o proletariado e a juventude, também estão jogando e representam uma força avassaladora se colocados em movimento. Mas nesse processo de novas lutas é fundamental fugir da órbita das velhas organizações que estão morrendo com o ciclo em que se forjaram e, especialmente, das armadilhas do lulismo, que busca colocar as lutas das ruas a serviço da disputa eleitoral em 2018, na qual nem Lula sabe se será candidato. É fundamental buscar construir um caminho que rejeite tanto a conciliação de classe quanto a direita. A construção desse terceiro campo é o caminho mais difícil, mas é o único que pode construir uma alternativa dos trabalhadores para a crise. Tudo leva a crer que no médio prazo teremos uma disputa aberta entre o proletariado e a juventude contra a burguesia e todo o seu aparato. O resultado desse processo vai depender da capacidade das organizações políticas e sociais de encontrarem pontos em comum, tanto do ponto de vista orgânico quanto programático. Uma boa ideia nesse sentido é a proposta de construção de um grande Bloco de Lutas, a ser consolidado num encontro nacional dos trabalhadores e do movimento popular, que reúna as organizações políticas e os movimentos sociais classistas e seja capaz de forjar um programa mínimo que possa colocar em movimento os trabalhadores, a juventude e o povo pobre dos bairros na luta pelas transformações sociais e pelo poder popular a partir de suas reivindicações concretas contra o ajuste fiscal, o ataque aos direitos dos trabalhadores e pensionistas, o pagamento dos juros e amortizações da dívida interna, por terra, trabalho e moradia, em defesa do patrimônio nacional. Essas propostas, vinculadas à vida cotidiana dos trabalhadores, poderão colocar em movimento milhões de pessoas nas ruas, locais de trabalho, moradia e estudo e levar a um processo que nos tire da crise e abra possibilidade para uma transição no interesse dos trabalhadores. 
por Edmilson Costa

O original encontra-se em pcb.org.br/portal2/11624

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Marcelo Rubens Paiva: novo lema de Temer é Minha Mansão, Minha Vida.

Segundo o escritor e colunista Marcelo Rubens Paiva, o novo lema de Michel Temer é "Minha Mansão, Minha".
No Twitter, ele criticou as ações do governo interino que suspendeu as contratações do programa de moradia Minha Casa, Minha Vida e, por outro lado, a Caixa ampliou o financiamento para imóveis destinados aos mais ricos, de até R$ 3 milhões. “Questão de classe”, comentou ele.

A Caixa Econômica Federal vai elevar o teto do valor de imóveis financiáveis pelo banco para R$ 3 milhões. O percentual financiável também passará de 70% para 80% no caso de imóveis novos e de 60% para 70% no caso de usados. 

A ideia é facilitar as condições para as construtoras, num esforço para acelerar os desembolsos no segundo semestre, disse um executivo do banco. 

O banco também está reabrindo e expandindo uma linha que permite a transferência de financiamento imobiliário que tenha sido contratado com outros bancos. Com isso, mutuários poderão transferir para a Caixa até 70% do empréstimo que tenha tomado com outras instituições financeiras. O limite hoje é de 50%. 

Outras medidas para pessoas físicas incluem elevar o nível de aprovação das propostas pelo banco, hoje em torno de 80%, além de uma intensa campanha de divulgação. 

Fonte: Folha e Brasil247.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

NOTA DA UC SOBRE A GREVE DOS PROFESSORES DE CUBATÃO

Esses ataques, intensificados no ano de 2016, incluem atraso no pagamento de salários dos trabalhadores da ativa e principalmente dos aposentados, corte do programa Cartão Servidor (um abono em forma de crédito a ser gasto no comércio da cidade), atraso no pagamento de benefícios como vale transporte e refeição, o não-repasse da contrapartida patronal à Caixa de Previdência, praticamente inviabilizando o plano de saúde da categoria e a frustração da negociação por reajuste salarial para recomposição das perdas inflacionárias do último ano. Além disso, no mês de maio, a secretaria de educação, cujo secretário é o conhecido ex-advogado da Apeoesp Cesar Pimentel, editou uma resolução que pretende “disciplinar” as faltas de professores. Os termos dessa “disciplina” do secretário Cesar Pimentel incluem perda de pontos na classificação para escolha de aulas (0,05 ponto por dia trabalhado e perda de 0,10 ponto por dia de falta), triagem das licenças médicas a ser realizada pelo próprio secretário, remoção ex-ofício para licenças médicas superiores a 15 dias, perda de carga suplementar para licenças superiores a 15 dias sem garantia de reatribuição, abertura de processo administrativo com vistas à demissão para licenças médicas mais longas.

Por fim, uma “denúncia anônima” foi oficializada ao Ministério Público a respeito do pagamento supostamente inconstitucional realizado pela prefeitura da gratificação de nível superior a cargos cujo pré-requisito para atuação é o próprio nível superior, tais como professores, médicos, advogados e engenheiros. O Ministério Público acionou a prefeitura e tudo indica que esta terá de pagar a gratificação. No salário líquido, a perda da gratificação representará uma redução salarial próxima de 50%. Diante de todos esses ataques, os professores de Cubatão não tiveram outra alternativa senão iniciar sua greve no último dia 14/06, terça-feira.

A pauta de reivindicações consiste em: resgate da assistência médica da Caixa de Previdência, recomposição salarial de 4,2% (relativa à inflação de 2016, por causa do ano eleitoral); incorporação do valor do Cartão Servidor (R$ 500,00) ao salário; incorporação da gratificação de nível ao salário e revogação da resolução punitiva às faltas, sendo que estes dois últimos itens não implicam um centavo sequer de aumento de gastos aos cofres da prefeitura.

Nestes dias de greve, os professores alcançaram êxito em mobilizar praticamente toda a categoria, impactando as aulas na cidade em sua totalidade. Denunciaram a política irresponsável da prefeitura e do secretário de educação, conquistando o apoio da comunidade e agregando a participação de pais, mães e alunos nas manifestações. Construíram um movimento unitário junto a outras categorias do serviço público cubatense, trabalhadores terceirizados do hospital municipal e vigilantes patrimoniais, que estão numa situação dramática, com meses de atraso em salário e parcelamento de salários e benefícios. Até os comerciantes da cidade integraram as movimentações, tendo em vista o calote recebido da prefeitura no repasse dos valores devidos àqueles referentes ao programa Cartão Servidor. Amplas manifestações de massas ocuparam as ruas e o barulho ensurdecedor da reivindicação justa denunciou veementemente a política de terra-arrasada praticada pela administração do PT.

A Prefeitura chegou a inclusive passar por cima do movimento, dizendo que haveria aulas e negando a, causando um caos nos planejamentos das famílias e promovendo uma verdadeira guerra de informações.

Por sua parte, a prefeitura negou-se a negociar com os professores grevistas e trabalhou intensamente para deslegitimar e colocar o movimento na ilegalidade. A jogada final, orquestrada pelo secretário Cesar Pimentel, foi uma liminar conseguida no TJ-SP na última sexta-feira de noite, que determina que 90% da categoria volte ao trabalho sob pena de multas diárias ao sindicato da categoria. Em vez de procurar resolver os graves problemas a que a categoria está exposta, a administração Márcia Rosa/Cesar Pimentel preferiu derrotar judicialmente os professores, utilizando-se do poder judiciário para atacar o direito de greve desses trabalhadores.

A Unidade Classista da Baixada Santista denuncia esta prática nojenta, própria dos traidores da classe trabalhadora, empreendida por ex-militantes do maior sindicato de professores da América Latina contra sua própria categoria! Pedimos a todas as forças políticas consequentes do campo dos trabalhadores que nos auxiliem nessa tarefa de denúncia, distribuindo essa nota em suas listas de e-mails, redes sociais e nas assembleias de todos os sindicatos ligados ao magistério no Brasil. Os traidores dos professores têm nome na cidade de Cubatão: Cesar Pimentel e Márcia Rosa!

UNIDADE CLASSISTA – NÚCLEO BAIXADA SANTISTA
http://csunidadeclassistasp.blogspot.com.br/2016/06/nota-da-unidade-classista-da-baixada.html

segunda-feira, 20 de junho de 2016

A “farsa” chamada déficit da Previdência

Professora de Economia da UFRJ, Denise Gentil defende a existência de um “cálculo distorcido” pelo mercado financeiro, que rasga a Constituição ao transformar em déficit a parte da contribuição previdenciária reservada à União.

Nem reforma política nem tributária. O mercado financeiro iniciou 2016 pressionando o governo federal a tirar do papel uma reforma da Previdência, capaz de preencher o rombo de R$ 124,9 bilhões no INSS previsto para este ano. Rombo? Professora de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Denise Gentil dedicou sua tese de doutorado para defender exatamente o oposto: o déficit previdenciário seria uma farsa provocada por uma distorção do mercado financeiro, que fecharia os olhos para um artigo da Constituição que exige participação da União na composição da Seguridade Social, da qual a Previdência faz parte. “Por essa metodologia, houve déficit de R$ 87 bilhões de janeiro a novembro de 2015”, diz.
 
Acontece que, quando as contribuições previstas pela Carta entram na conta, o déficit se transforma em superávit. O de 2014 foi de R$ 56 bilhões. “A pesquisa que realizei leva em conta todos os gastos com benefícios, inclusive com pessoal, custeio dos ministérios e com a dívida dos três setores: Saúde, Assistência Social e Previdência”, explica. Denise ironiza o “súbito” interesse do mercado financeiro pelo futuro da Previdência e não poupa de críticas o ajuste fiscal implantado pelo governo. “Dilma está fazendo o que os tucanos desejaram, mas não tiveram força política para fazer.”

Brasileiros – A sua tese de doutorado diz que existe uma “farsa contábil” que transforma em déficit o superávit do sistema previdenciário. Que farsa é essa? Denise Gentil – O artigo 195 da Constituição diz que a Seguridade Social será financiada por contribuições do empregador (incidentes sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro), dos trabalhadores e do Estado. Mas o que se faz é um cálculo distorcido. Primeiro, isola-se a Previdência da Seguridade Social. Em seguida, calcula-se o resultado da Previdência levando-se em consideração apenas a contribuição de empregadores e trabalhadores, e dela se deduz os gastos com todos os benefícios. Por essa metodologia, houve déficit de R$ 87 bilhões de janeiro a novembro de 2015. Pela Constituição, a base de financiamento da Seguridade Social inclui receitas como a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e as receitas de concursos de prognóstico (resultado de sorteios, como loterias e apostas).

De quanto foi o superávit da Seguridade Social no ano passado?
Quando essas receitas são computadas, obtém-se superávit de, por exemplo, R$ 68 bilhões em 2013 e de R$ 56 bilhões em 2014. Mas essa informação não é repassada para a população, que fica com a noção de que o sistema enfrenta uma crise de grandes proporções e precisa de reforma urgente. Há uma ideia de insolvência e precariedade generalizada que, no caso da Previdência, não corresponde à realidade.

Então por que tanta pressão por reforma?
 O objetivo é cortar gastos para dar uma satisfação ao mercado, que cobra o ajuste fiscal. Nada é dito sobre os gastos com juros, que entre janeiro e dezembro de 2015 custaram R$ 450 bilhões, o equivalente a 8,3% do PIB. Ocorre que o governo fez enormes desonerações desde 2011. Em 2015, chegaram a um valor estimado em R$ 282 bilhões, equivalente a 5% do PIB, sendo que 51% dessas renúncias foram de recursos da Seguridade Social. Essas desonerações não produziram o resultado previsto pelo governo, que era o de elevar os investimentos. Apenas se transformaram em margem de lucro.

Em 50 anos, o volume dos inativos corresponderá a mais da metade da população brasileira, segundo o IBGE. Mesmo assim não é necessária alguma mudança na lei para garantir aposentadoria no futuro? 
 É incrível que a burocracia estatal e uma parte da sociedade (o “mercado”) se preocupem tanto com o que acontecerá daqui a 50 anos. Subitamente, elas foram acometidas por um senso de responsabilidade com o futuro que não dedicam à educação, segurança, saúde… Só ocorre com o futuro da Previdência. Não é suspeito? O que precisamos, aqui e agora, é incluir um contingente enorme de pessoas que não têm acesso à Previdência. Aproximadamente 43% da população economicamente ativa vive sem direito a auxílio-acidente, seguro-desemprego, aposentadoria, pensão. A população envelhecerá, mas o que precisaremos não é de uma reforma previdenciária, mas de uma política macroeconômica voltada para o pleno emprego e que gere taxas elevadas de crescimento. É também necessário políticas de aumento da produtividade do trabalho com investimentos em educação, ciência, tecnologia e estímulos à infraestrutura. Esses mecanismos proporcionarão a arrecadação para o suporte aos idosos. Cada trabalhador será mais produtivo e produzirá o suficiente para elevar a renda e redistribuí-la entre ativos e inativos. Não podemos ficar presos a um determinismo demográfico.

Como estabelecer uma idade mínima de 65 anos para a aposentadoria em um país onde um trabalhador com mais de 40 anos é considerado velho?
A idade mínima que o governo quer instituir é para as aposentadorias por tempo de contribuição (hoje de 30 anos para as mulheres e 35 anos para os homens), que representam 29% das concessões. Ocorre que estes normalmente começaram a trabalhar cedo. Sacrificaram seus estudos, ganham menos, têm saúde mais precária e vivem menos. Essas pessoas formam dois grupos. Os que se aposentam precocemente acabam voltando a trabalhar e a contribuir para o INSS; não são um peso para a União. Outros que se aposentam mais cedo o fazem compulsoriamente porque não conseguem manter seus empregos, na maioria das vezes por defasagem entre os avanços tecnológicos e sua formação ultrapassada, ou pelo aparecimento de doenças crônicas que certos ofícios ocasionam. Estes já são punidos pelo fator previdenciário, que reduz o valor do benefício. Tratar a todos como se o mercado de trabalho fosse homogêneo ao criar idade mínima é injusto e cruel, principalmente numa economia em recessão.

Defensores da reforma pedem que a idade mínima para se aposentar seja a mesma entre homens e mulheres. Como exigir igualdade de tratamento na concessão de benefícios se a mesma igualdade não existe no mercado de trabalho?
Concordo. A Constituinte de 1988 visou compensar o salário menor e a dupla jornada de trabalho da mulher. Levou em consideração o fato de ela cuidar das crianças e dos idosos da família e de ter uma jornada muito superior a dez horas de trabalho diário. Esse desgaste, que compromete a saúde, teria que ser compensado com regras mais brandas de aposentadoria. E, de fato, as estatísticas mostram que as mulheres vivem mais que os homens, mas sofrem muito mais de doenças crônicas a partir dos 40 anos. Vivem mais, mas vivem pior.

Não é aconselhável uma reforma na aposentadoria de deputados e senadores?
As regras para essas aposentadorias foram alteradas. É semelhante às regras previdenciárias do servidor público federal. Para o recebimento integral, exige 35 anos de contribuição e 60 anos de idade sem fazer distinção entre homens e mulheres. Mas a conta sempre ficará para os trabalhadores do setor privado, que já sofreram uma minirreforma da Previdência no apagar das luzes do primeiro governo Dilma, com a revisão das pensões por morte, com as mudanças no seguro-desemprego e no abono salarial, no auxílio-doença, e, muito provavelmente em breve, haverá revisão nas aposentadorias especiais. Isso tudo adicionado à mudança na Previdência dos servidores públicos que aconteceu em 2012.

Surpreende que as mudanças tenham vindo em um governo de esquerda?
O governo Dilma está fazendo o que os tucanos desejaram, mas não tiveram força política para fazer. A esquerda hoje vive o constrangimento enorme de ter que apoiar um governo desconcertante, retrógrado, privatista, conservador até a medula, que ataca os direitos sociais conquistados com muita luta por sua própria base de apoio. Um dia vai às ruas contra o impeachment. No dia seguinte, vive um pesadelo.Tem que se posicionar contra tudo o que o governo propõe no campo do ajuste fiscal. O que realmente quer essa militância de um governo que só pede apoio para se livrar do impeachment sem dar nenhuma contrapartida?

Link curto: http://brasileiros.com.br/czZwK 

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Bilderberg 2016: a reunião anual dos donos do mundo

imagemkontra Info / Resumen Latinoamericano/ 1° de junho de 2016.
Banqueiros, donos e CEOs (sigla em inglês para Chief Executive Officer, grande executivo) das principais corporações do mundo, membros da realeza europeia, o Secretário Geral da OTAN, ex-diretores históricos da CIA como Kissinger, Soros e Rockefeller, a elite global em sua plenitude realizará sua reunião Bilderberg 2016, na cidade de Dresden , Alemanha, no luxuoso hotel Tashchenbergpalais Kempinski entre os dias 9 e 12 de junho. Ninguém os elege, porém, eles decidem em segredo as medidas políticas, sociais e econômicas que depois serão aplicadas em grande parte do mundo .

Onde fica a “democracia” se quase tudo é decidido por estas grandes corporações em reuniões secretas? Talvez só como um jogo que cria ilusões aos povos acerca da escolha de seus destinos e, portanto, acalma as possibilidades de rebelião. Por vezes, os povos escolhem governos que desafiam as corporações, porém, isto é algo assim como uma anomalia, uma falha do sistema. Quando algo assim ocorre, o sistema midiático global se encarrega de destruir a imagem desse governante, as corporações afugentam as divisas desse país provocando corridas bancárias e cambiais, e depois o poder judiciário ou legislativo, cúmplice do pode real, se encarrega de terminar de destruir esse governo anômalo e já desgastado midiaticamente.

Aqueles que participaram no ano passado da reunião Bilderberg 2015 nos dão uma pista sobre os que voltarão a se reunir dentro de poucos dias (as personalidades tendem a se repetir ano após ano):

Henry Kissinger, ex-Secretário de Estado dos EUA
– John R Allen pelo Departamento de Estado dos EUA
– General David Petraeus, ex-diretor da CIA

REALEZA
– Princesa Beatriz de Holanda (ex-rainha)

BANCOS GLOBAIS
*Franco Bernabé (CEO da Telecom Italia e vice-presidente da Rothschild Europa )
*John Kerr (diretor do Rio Tinto empresa emblemática do banco Rothschild e Presidente da Royal Dutch Shell ),
*Marcus Agius ( Banco Barclays )
*John Micklethwait (ex-editor-chefe do The Economist, propriedade do banco Rothschild)
*Zanny Minton Beddoes (atual editor-chefe do The Economist)
– Presidente do Goldman Sachs International , Peter Sutherland
– Presidente do The Goldman Sachs Group , Robert Zoellick
– Presidente do HSBC Holdings , Douglas Flint
– Vice-presidente do megafundo de investimento BlackRock
– Presidente e CEO do Banco Lazard , Kenneth Jacobs
– CEO do JP Morga n Asset Management, Mary Erdoes
– Presidente do Royal Bank of Canada , David McKay
– Conselheiro executivo do Morgan Stanley , Klaus Kleinfeld
– Presidente do Banco Santander , Ana Botín
– Presidente do Banco Wallenber g , Jacob Wallenberg
– Ex-presidente do Banco Mundial , James Wolfensohn
– Conselheiro executivo do Banco Central Europeu, Benoit Coeuré

MEDIOS DE COMUNICAÇÃO E TECNOLOGIA
– Presidente do Google, Eric Schmidt
– Diretor do Faceboo k e fundador do Paypal , Peter Thiel
– Presidente Grupo PRISA , Juan Luis Cebrián
– Editor-chefe do Bloomberg , John Micklethwait
– Editor-chefe do The Economist, Zanny Minton Beddoes

SETOR PETROLÍFERO
– CEO da Royal Dutch Shell , Ben van Beurden
– Presidente da British Petroleum, Carl Henric Svanberg

SETOR ARMAMENTISTA
– CEO da Airbus (uma das principais indústrias de armamento militar além de fabricante de aviões), Thomas Enders

MILITAR
Secretário Geral da OTAN, Jens Stoltenberg
LABORATÓRIOS
– CEO da Roche, Christoph Franz
SETOR INDUSTRIAL DIVERSIFICADO
– Presidente e CEO da Siemens , Joe Kaeser
– Presidente da Techint, Gianfelice Rocca
– Presidente da Fiat Chrysler, John Elkann Agnelli

A lista completa de participantes da Bilderberg 2015:
Castries, Henri de Chairman and CEO, AXA Group FRA


Achleitner, Paul M. Chairman of the Supervisory Board, Deutsche Bank AG DEU
Agius, Marcus Non-Executive Chairman, PA Consulting Group GBR
Ahrenkiel, Thomas Director, Danish Intelligence Service (DDIS) DNK
Allen, John R. Special Presidential Envoy for the Global Coalition to Counter ISIL, US Department of State USA
Altman, Roger C. Executive Chairman, Evercore USA
Applebaum, Anne Director of Transitions Forum, Legatum Institute USA
Apunen, Matti Director, Finnish Business and Policy Forum EVA FIN
Baird, Zoë CEO and President, Markle Foundation USA
Balls, Edward M. Former Shadow Chancellor of the Exchequer GBR
Balsemão, Francisco Pinto Chairman, Impresa SGPS PRT
Barroso, José M. Durão Former President of the European Commission PRT
Baverez, Nicolas Partner, Gibson, Dunn & Crutcher LLP FRA
Benko, René Founder, SIGNA Holding GmbH AUT
Bernabè, Franco Chairman, FB Group SRL ITA
Beurden, Ben van CEO, Royal Dutch Shell plc NLD
Bigorgne, Laurent Director, Institut Montaigne FRA
Boone, Laurence Special Adviser on Financial and Economic Affairs to the President FRA
Botín, Ana P. Chairman, Banco Santander ESP
Brandtzæg, Svein Richard President and CEO, Norsk Hydro ASA NOR
Bronner, Oscar Publisher, Standard Verlagsgesellschaft AUT
Burns, William President, Carnegie Endowment for International Peace USA
Calvar, Patrick Director General, DGSI FRA
Castries, Henri de Chairman, Bilderberg Meetings; Chairman and CEO, AXA Group FRA
Cebrián, Juan Luis Executive Chairman, Grupo PRISA ESP
Clark, W. Edmund Retired Executive, TD Bank Group CAN
Coeuré, Benoît Member of the Executive Board, European Central Bank INT
Coyne, Andrew Editor, Editorials and Comment, National Post CAN
Damberg, Mikael L. Minister for Enterprise and Innovation SWE
De Gucht, Karel Former EU Trade Commissioner, State Minister BEL
Dijsselbloem, Jeroen Minister of Finance NLD
Donilon, Thomas E. Former U.S. National Security Advisor; Partner and Vice Chair, O’Melveny & Myers LLP USA
Döpfner, Mathias CEO, Axel Springer SE DEU
Dowling, Ann President, Royal Academy of Engineering GBR
Dugan, Regina Vice President for Engineering, Advanced Technology and Projects, Google USA
Eilertsen, Trine Political Editor, Aftenposten NOR
Eldrup, Merete CEO, TV 2 Danmark A/S DNK
Elkann, John Chairman and CEO, EXOR; Chairman, Fiat Chrysler Automobiles ITA
Enders, Thomas CEO, Airbus Group DEU
Erdoes, Mary CEO, JP Morgan Asset Management USA
Fairhead, Rona Chairman, BBC Trust GBR
Federspiel, Ulrik Executive Vice President, Haldor Topsøe A/S DNK
Feldstein, Martin S. President Emeritus, NBER; Professor of Economics, Harvard University USA
Ferguson, Niall Professor of History, Harvard University, Gunzberg Center for European Studies USA
Fischer, Heinz Federal President AUT
Flint, Douglas J. Group Chairman, HSBC Holdings plc GBR
Franz, Christoph Chairman of the Board, F. Hoffmann-La Roche Ltd CHE
Fresco, Louise O. President and Chairman Executive Board, Wageningen University and Research Centre NLD
Griffin, Kenneth Founder and CEO, Citadel Investment Group, LLC USA
Gruber, Lilli Executive Editor and Anchor “Otto e mezzo”, La7 TV ITA
Guriev, Sergei Professor of Economics, Sciences Po RUS
Gürkaynak, Gönenç Managing Partner, ELIG Law Firm TUR
Gusenbauer, Alfred Former Chancellor of the Republic of Austria AUT
Halberstadt, Victor Professor of Economics, Leiden University NLD
Hampel, Erich Chairman, UniCredit Bank Austria AG AUT
Hassabis, Demis Vice President of Engineering, Google DeepMind GBR
Hesoun, Wolfgang CEO, Siemens Austria AUT
Hildebrand, Philipp Vice Chairman, BlackRock Inc. CHE
Hoffman, Reid Co-Founder and Executive Chairman, LinkedIn USA
Ischinger, Wolfgang Chairman, Munich Security Conference INT
Jacobs, Kenneth M. Chairman and CEO, Lazard USA
Jäkel, Julia CEO, Gruner + Jahr DEU
Johnson, James A. Chairman, Johnson Capital Partners USA
Juppé, Alain Mayor of Bordeaux, Former Prime Minister FRA
Kaeser, Joe President and CEO, Siemens AG DEU
Karp, Alex CEO, Palantir Technologies USA
Kepel, Gilles University Professor, Sciences Po FRA
Kerr, John Deputy Chairman, Scottish Power GBR
Kesici, Ilhan MP, Turkish Parliament TUR
Kissinger, Henry A. Chairman, Kissinger Associates, Inc. USA
Kleinfeld, Klaus Chairman and CEO, Alcoa USA
Knot, Klaas H.W. President, De Nederlandsche Bank NLD
Koç, Mustafa V. Chairman, Koç Holding A.S. TUR
Kravis, Henry R. Co-Chairman and Co-CEO, Kohlberg Kravis Roberts & Co. USA
Kravis, Marie-Josée Senior Fellow and Vice Chair, Hudson Institute USA
Kudelski, André Chairman and CEO, Kudelski Group CHE
Lauk, Kurt President, Globe Capital Partners DEU
Lemne, Carola CEO, The Confederation of Swedish Enterprise SWE
Levey, Stuart Chief Legal Officer, HSBC Holdings plc USA
Leyen, Ursula von der Minister of Defence DEU
Leysen, Thomas Chairman of the Board of Directors, KBC Group BEL
Maher, Shiraz Senior Research Fellow, ICSR, King’s College London GBR
Markus Lassen, Christina Head of Department, Ministry of Foreign Affairs, Security Policy and Stabilisation DNK
Mathews, Jessica T. Distinguished Fellow, Carnegie Endowment for International Peace USA
Mattis, James Distinguished Visiting Fellow, Hoover Institution, Stanford University USA
Maudet, Pierre Vice-President of the State Council, Department of Security, Police and the Economy of Geneva CHE
McKay, David I. President and CEO, Royal Bank of Canada CAN
Mert, Nuray Columnist, Professor of Political Science, Istanbul University TUR
Messina, Jim CEO, The Messina Group USA
Michel, Charles Prime Minister BEL
Micklethwait, John Editor-in-Chief, Bloomberg LP USA
Minton Beddoes, Zanny Editor-in-Chief, The Economist GBR
Monti, Mario Senator-for-life; President, Bocconi University ITA
Mörttinen, Leena Executive Director, The Finnish Family Firms Association FIN
Mundie, Craig J. Principal, Mundie & Associates USA
Munroe-Blum, Heather Chairperson, Canada Pension Plan Investment Board CAN
Netherlands, H.R.H. Princess Beatrix of the NLD
O’Leary, Michael CEO, Ryanair Plc IRL
Osborne, George First Secretary of State and Chancellor of the Exchequer GBR
Özel, Soli Columnist, Haberturk Newspaper; Senior Lecturer, Kadir Has University TUR
Papalexopoulos, Dimitri Group CEO, Titan Cement Co. GRC
Pégard, Catherine President, Public Establishment of the Palace, Museum and National Estate of Versailles FRA
Perle, Richard N. Resident Fellow, American Enterprise Institute USA
Petraeus, David H. Chairman, KKR Global Institute USA
Pikrammenos, Panagiotis Honorary President of The Hellenic Council of State GRC
Reisman, Heather M. Chair and CEO, Indigo Books & Music Inc. CAN
Rocca, Gianfelice Chairman, Techint Group ITA
Roiss, Gerhard CEO, OMV Austria AUT
Rubin, Robert E. Co Chair, Council on Foreign Relations; Former Secretary of the Treasury USA
Rutte, Mark Prime Minister NLD
Sadjadpour, Karim Senior Associate, Carnegie Endowment for International Peace USA
Sánchez Pérez-Castejón, Pedro Leader, Partido Socialista Obrero Español PSOE ESP
Sawers, John Chairman and Partner, Macro Advisory Partners GBR
Sayek Böke, Selin Vice President, Republican People’s Party TUR
Schmidt, Eric E. Executive Chairman, Google Inc. USA
Scholten, Rudolf CEO, Oesterreichische Kontrollbank AG AUT
Senard, Jean-Dominique CEO, Michelin Group FRA
Sevelda, Karl CEO, Raiffeisen Bank International AG AUT
Stoltenberg, Jens Secretary General, NATO INT
Stubb, Alexander Ministers of Finance FIN
Suder, Katrin Deputy Minister of Defense DEU
Sutherland, Peter D. UN Special Representative; Chairman, Goldman Sachs International IRL
Svanberg, Carl-Henric Chairman, BP plc; Chairman, AB Volvo SWE
Svarva, Olaug CEO, The Government Pension Fund Norway NOR
Thiel, Peter A. President, Thiel Capital USA
Tsoukalis, Loukas President, Hellenic Foundation for European and Foreign Policy GRC
Üzümcü, Ahmet Director-General, Organisation for the Prohibition of Chemical Weapons INT
Vitorino, António M. Partner, Cuetrecasas, Concalves Pereira, RL PRT
Wallenberg, Jacob Chairman, Investor AB SWE
Weber, Vin Partner, Mercury LLC USA
Wolf, Martin H. Chief Economics Commentator, The Financial Times GBR
Wolfensohn, James D. Chairman and CEO, Wolfensohn and Company USA
Zoellick, Robert B. Chairman, Board of International Advisors, The Goldman Sachs Group USA
Fonte original: KONTRAINFO.COM
Fonte: http://www.resumenlatinoamericano.org/2016/06/06/bilderberg-2016-la-reunion-anual-de-los-duenos-del-mundo/
Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)