Avante Bancário

quarta-feira, 31 de julho de 2013

O choro de Cabral e o choro de Amarildo


"Não me dão pena os burgueses
vencidos. E quando penso que vão me dar pena,
aperto bem os dentes e fecho bem os olhos.
Penso em meus longos dias sem sapatos nem rosas.
Penso em meus longos dias sem abrigos nem nuvens.
Penso em meus longos dias sem camisas nem sonhos.
Penso em meus longos dias com minha pele proibida.
Penso em meus longos dias".
 

("Burgueses", de Nicolás Guillén)

Nicolás Guillén é um poeta maior. Poeta e revolucionário. Quando essas duas coisas se juntam numa só pessoa, virtudes das mais nobres entre as outras, temos aqueles raros: os imprescindíveis. Teoria e prática, intelectuais e homens de ação...Guillén, Ernesto Cardenal, Marti... Pensei muito em Guillén na tarde dessa segunda-feira. Perseguido tantas vezes na ditadura de Fulgêncio Baptista, voltou para Cuba depois da saída do tirano. E quando alguns de seus algozes foram presos, perguntaram a ele o que sentia. Respondeu com o poema "Burgueses", (com trecho acima reproduzido).


Lembrei-me de Guillén ao ver o governador do Rio acuado, em tom choroso, pedindo ternamente, feito um menino indefeso, que os manifestantes deixassem de fazer seu legítimo protesto próximo a casa dele. Não teve o pudor em poupar o nome e a idade dos filhos para alcançar seu intento. Já não tivera pudor para botar os filhos no helicóptero do amigo empreiteiro da Delta. Mas crianças são crianças e sempre nos tocam. Por algum momento, tal qual o poeta, pensei que iam me dar pena. Por algum momento, pensei em considerar seus argumentos.


Mas tal qual o poeta, apertei bem os dentes e fechei bem os olhos. Pensei nos filhos de Amarildo, o pedreiro da Rocinha que sumiu depois de ser visto pela última vez nas mãos dos servidores de Cabral, símbolos da política de segurança do governador. Tal qual o poeta, pensei nos longos dias da mulher e dos filhos de Amarildo. Sem camisa nem sonho, com a pele proibida...São tantos Amarildos nesse Brasil onde pobres não tem sapatos nem rosas nem tampouco direitos. Muitos no Rio de Cabral, que nunca pensou no filho de nenhum deles.


Tal qual o poeta, pensei nos longos dias das famílias da Maré, dos trabalhadores assassinados sem qualquer razão. Cabral ainda não falou sobre eles...Poderia lembrar de tantos outros como os da Maré...Pensei nos longos dias das pessoas vítimas de crimes forjados, prática tão comum por aqui, mais ainda com a política de Cabral.


Pensei nos meninos da Escola Friedenreich. Alguém há de me lembrar que ela é municipal. Não esqueci. Mas está saindo para que o governador melhor sirva seus amigos que ganharam o Maracanã. Tal qual o poeta, pensei nos longos dias sem abrigo nem nuvens daqueles meninos. Alunos de uma escola de excelência, forjaram ouro no meio do nada. Imaginem o trauma desses meninos quando souberam que iam sair dali. Cabral pensou neles?


Pensei de novo nos versos citados do poeta, dos dias sem abrigo nem nuvens (que imagem!) das vítimas das remoções criminosas de todos aqueles que estão no caminho dos "grandes eventos". Quão longos e traumáticos devem ser os dias dos meninos que tem um "X" desenhado na porta da casa humilde indicando que ela será posta abaixo. Cabral pensou neles? Alguém novamente lembrará que muitas dessas remoções são municipais. A força que dá o pé na porta é estadual. E afinal, seria ser muito idiota da objetividade achar que @sergiocabralrj e @eduardopaes_ são tão diferentes assim.


Pensei nos longos dias dos meninos que iam pelos braços dos pais na geral do Maracanã. Viam o jogo na carcunda dos pais, naquele ritual que todo homem sonha, o rito da passagem. Agora exclusivo dos que podem pagar o setor vip. Do Maracanã ferida que não fecha, como definiu tão bem Pedro Motta Gueiros. Destruído por Cabral rasgando a lei. Destruído com aval do IPHAN na calada da noite, como agem aqueles que não são transparentes. Ele mesmo que agora diz não ser um ditador. Ele mesmo que publicou o decreto 44.302/2013, da CEIV, Comissão Especial de Investigação de Atos de Vandalismo em Manifestações Públicas, que rasgava a constituição. Quem rasga a constituição é o que? O governador de tantos atos de exceção.


Por sorte, a sociedade civil e todos seus instrumentos se fizeram representar e vem forçando essa recuada do ditador que sonhou ser, acuado, patético como todo ditador acuado. Espécie de Sadam Hussein no buraco, Kadafi na manilha. Ele, Cabral, desnudo em sua patética biografia que vai se desmilinguindo. Que há poucos dias tirou os mesmos manifestantes debaixo de pauladas e gases, sem pensar nos filhos deles, na calada da noite. Agora, na fragilidade do buraco e da manilha onde os ditadores se esvaem, apela para um discurso emocional.


Mesmo pensando em nossos longos dias, não deixaremos de pensar em duas crianças. Que não pediram isso. Oxalá possam lá na frente superar o trauma do pai ter deixado tal obra. Realmente elas nada tem a ver com tudo isso. Não precisam ver que na esquina do pai deles falam um monte de verdades sobre ele. Ainda bem que tem a opção nesses dias de sair dali. Ir por um tempo para o Palácio das Laranjeiras. Ou quem sabe para a Mansão de Guaratiba. Talvez não dê mais para ir de helicóptero, abateram o governador-voador, o do reino do guardanapo, em plena farra aérea. Mas ainda dá para passar uma temporada longe dos protestos na mansão comprada com o suor do trabalho do pai deles. Desejo isso do fundo do coração. Crianças não tem mesmo que passar por isso.


Lamento apenas que os filhos do Amarildo não tenham palácios ou mansões pra onde correr. Lamento apenas que os filhos da Maré não tenham para onde correr. Lamento apenas que os meninos que iam na carcunda do pai na geral do Maracanã não tenham para onde correr. Lamento apenas que os filhos dos removidos não tenham para onde correr. E então, "quando penso que vão me dar pena, aperto bem os dentes e fecho bem os olhos". Pela certeza de que os acampamentos seguirão. Até que se preste conta de tudo. E para que se saiba que foi longe demais na farra.


Ps- se botar um pouquinho a cabeça para fora do buraco ou da manilha, o governador vai ver que as pessoas passam pelos acampados buzinando, abrindo a janela dos carros, gritando palavras de força. Para aqueles acampados pacificamente, vale dizer. E que os vizinhos, que poderiam estar incomodados, levam refeições, agasalhos. Pelo menos se pouparia de perder tanto tempo pensando em teorias da conspiração, manipuladores. É apenas a conta de tanto desmando que chegou. É aquela turma da "pele proibida" que veio cobrar a conta.
Texto de: Lúcio de Castro é um historiador/jornalista, que atualmente trabalha nos canais ESPN, como repórter e comentarista do programa, Bate-Bola,


Nota dos Editores:
Discordamos da forma como o autor caracteriza as prisões e assassinatos de Sadam Husseim e Muamar Kadafi pelo imperialismo, como se as invasões armadas ao Iraque e à Líbia tivessem tornado o mundo "mais seguro" ou as populações dos dois países "mais livres" sem eles. De toda forma, é o único "arranhão" em um correto e contundente artigo sobre o governador do Rio de Janeiro. (Secretariado Nacional do PCB)

TST condena Bradesco a indenizar familiares de vigilante morto

A Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) condenou, por unanimidade, a Protege S/A Proteção e Transporte de Valores e o Bradesco a indenizar familiares de vigilante assassinado durante prestação de serviço ao banco. A decisão reformou entendimento do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP), que havia indeferido o pedido. O valor exato da indenização será calculado pela 85ª Vara do Trabalho de São Paulo.
 
No dia 18 de julho de 2006, a agência do Bradesco na qual o vigilante, de 31 anos, trabalhava, em São Paulo, foi assaltada. Durante luta corporal com um dos assaltantes, ele foi alvejado por dois tiros e faleceu no local. Três de seus familiares - o irmão, o genro e o cunhado -, então, ajuizaram ação de indenização por danos morais decorrente de acidente de trabalho contra a Protege e o Bradesco.
 
Em sua defesa, as empresas alegaram que a morte do vigilante se deveu a caso fortuito ou força maior, e não em decorrência de sua atividade empresarial. Por isso, não teriam como evitá-la ou impedi-la. A culpa, dessa maneira, não existiria.
 
A juíza da 85ª Vara do Trabalho de São Paulo acatou os argumentos da defesa e julgou improcedente o pedido de indenização. Inconformados, os familiares recorreram da decisão, mas o TRT-SP manteve na íntegra a sentença.
 
No exame do recurso de revista, a Primeira Turma do TST reconheceu o direito dos autores da reclamação a receber indenização por danos morais. Os ministros reconheceram a existência de responsabilidade objetiva das empresas - que independe de existência de culpa ou dolo, fundamentando-se na chamada teoria do risco profissional -, condenando-as ao pagamento da indenização.
 
O relator, ministro Walmir Oliveira da Costa, destacou que a Lei 7.102/1983, que regula a matéria, dispõe que a atividade de vigilância ostensiva e o transporte de valores só podem ser executados por empresa especializada, e os vigilantes têm de receber formação em curso autorizado pelo Ministério da Justiça, o que reforça a convicção de que se trata de atividade que põe o trabalhador em risco.
 
Arbitramento
 
Embora reconhecendo a obrigação da empresa de indenizar, o valor da condenação não foi definido pela Turma. "A causa não está madura para possibilitar o imediato julgamento do mérito, no tocante ao arbitramento do montante a título de danos morais para os irmãos, sogro, sogra e cunhado do morto", observou o relator. 
 
Por isso, o processo retornará à 85ª Vara do Trabalho de São Paulo, para que esta promova o cálculo do valor da condenação.


TST

A Fundação Dinarco Reis e o Instituto Caio Prado Jr convidam:


Servidores do Hospital das Forças Armadas entram em greve e pressionam governo por demandas urgentes

 

Condsef
Os servidores do HFA (Hospital das Forças Armadas) estão em greve por tempo indeterminado desde esta segunda-feira, 29. A categoria busca pressionar o governo para que sejam atendidas demandas urgentes. Uma das questões cobradas pelo setor está num problema criado e reconhecido pelo próprio governo que não equiparou a tabela salarial do HFA com a do PGPE antes que os reajustes negociados no ano passado fossem aplicados. Isso trouxe prejuízo aos servidores que desde ano passado cobram solução urgente para a situação. A Secretaria de Relações do Trabalho (SRT) chegou a dizer à Condsef que a intenção do governo era incluir solução para a questão num instrumento legal que seria enviado ao Congresso Nacional. Mas até agora tudo ficou apenas no campo das intenções.


A Condsef sugeriu que um termo de acordo fosse firmado nos moldes do negociado com a categoria no ano passado. Mas a SRT não sinalizou intenção de formalizar solução para o problema criado pelo próprio governo. Com a greve no HFA agora são dois os setores da base da Condsef em processo de paralisação de atividades. Nesta quarta-feira, 31, os servidores do Dnit promovem uma plenária da categoria para definir os rumos do movimento e ações para buscar destravar o impasse que permanece nas negociações com o Planejamento.

 
 A Condsef segue dando todo apoio aos setores de sua base em greve e incentiva toda categoria a reforçar a mobilização em torno de suas pautas pendentes. A pressão é fator fundamental para assegurar avanços em processos de negociação e o cumprimento de acordos que foram firmados pelo governo. Na última semana, a SRT informou a Condsef que só irá retomar a agenda de negociações com setores que firmaram acordo no ano passado a partir de setembro. Como o prazo limite para envio de propostas com impacto orçamentário segue atrelado ao dia 31 de agosto, a intenção do governo é protelar o atendimento das pautas da maioria dos servidores.


Greve em 2014 – Como uma das entidades integrantes do Fórum dos Federais, a Condsef vai continuar defendendo e buscando também a antecipação da parcela de 2015, referente ao reajuste de 15,8% negociado com a maioria dos servidores; além de seguir lutando pelo atendimento de outras demandas pendentes importantes para as categorias que representa. É nessa perspectiva que a Condsef propõe também a organização de uma grande greve em 2014 para pressionar e obrigar mais uma vez o governo a sentar e negociar com os servidores.

Administrar o neoliberalismo: lições do Brasil

 
A gestão do neoliberalismo por regimes de centro-esquerda é um exercício incômodo. A retórica do governo insiste em pintar um quadro de progresso social em um marco de desenvolvimento econômico. Mas as amarras do modelo neoliberal conspiram para anular os êxitos que poderiam ser obtidos. O neoliberalismo não foi feito para promover o desenvolvimento.

Alejandro Nadal
A gestão do neoliberalismo por regimes de centro-esquerda é um exercício incômodo. A retórica do palácio de governo insiste em pintar um quadro de progresso social em um marco de desenvolvimento econômico. Mas as amarras do modelo neoliberal conspiram para anular os êxitos que poderiam ser obtidos. O neoliberalismo não foi feito para promover o desenvolvimento.

Nos últimos anos surgiu o mito do milagre econômico no Brasil. A taxa de crescimento do PIB esteve acima da média da América Latina e seu desempenho exportador lhe permitiu manter um superávit significativo. Além disso, o aumento no gasto social lhe possibilitou reduzir a pobreza e diminuir a fome. O que podia dar errado?

As manifestações nas cidades brasileiras são produto de muitos fatores. Desde a péssima qualidade dos serviços públicos e da inconformidade com a corrupção, até a repressão aplicada pelos corpos de segurança. O movimento também está animado pela impaciência com a classe política que só ambiciona apoderar-se de cargos públicos para viver de suas rendas. Por enquanto, a desaprovação não têm mais perspectivas que o simples protesto. Mas esta conjuntura obriga a examinar a estrutura e o desempenho da economia brasileira sob o peculiar enfoque do PT.

Para começar tem que entender o mito do crescimento econômico no Brasil. Entre 1999 e 2011, o crescimento médio anual foi de 3%, nada espetacular e certamente muito abaixo das necessidades de geração de emprego que o gigante sul-americano tem. Nesses anos a economia brasileira foi dando cambalhotas, alternando anos de rápido crescimento (7% em 2010) com outros de mal desempenho (rombos de menos 0,2% em 2003 e 2009).

O desemprego aberto no Brasil alcança 6% da PEA (2011). Para os padrões europeus em plena crise esse dado parece reduzido. Mas deve ser manejado com cautela. Entre 2000 e 2007 51% do emprego total no Brasil se concentrou no setor informal. Como em toda a América latina, o setor informal é um grande gerador de emprego e o perfeito disfarce para o principal problema econômico do capitalismo.

Na década dos anos noventa, foram aplicados, no Brasil, fortes programas de estabilização, com esquemas de contração salarial, ajuste fiscal e até a criação da nova moeda, o real. A inflação reduziu-se de níveis superiores a 2.000% até níveis historicamente baixos (cerca de 5%). Desde então impera a política macroeconômica restritiva, com as taxas de juros mais elevadas da América latina.

Os dois governos de Lula procuraram conciliar as diretrizes do neoliberalismo com objetivos de justiça social. Para não alterar os equilíbrios da macroeconomia neoliberal, se optou pelo caminho do assistencialismo. Para obter os recursos necessários se incrementou a pressão fiscal até alcançar 36,2% do PIB em 2012. Esse é um nível que corresponde ao de um país com bons serviços públicos, mas no Brasil predomina a má qualidade em matéria de saúde, educação e transporte.

A política fiscal é de corte neoliberal absoluto e seu principal objetivo é gerar um superávit primário (diferença entre ingressos e gastos líquidos de encargos financeiros). O superávit primário é um montante que poderia ser investido em saúde, educação e transporte, mas se destina a cobrir cargas financeiras. O ano passado ultrapassou 53 bilhões de dólares, soma equivalente a 2,3% do PIB, mas inferior à meta de 3% do PIB: o Brasil manteve um dos níveis mais altos de superávit primário do mundo.

Por outro lado, a estrutura do imposto sobre a renda não é progressiva e uma boa parte da carga é suportada pelos trabalhadores de poucos ingressos. Além disso, o peso dos impostos sobre mercadorias e serviços na arrecadação total é desmedido: 48% da arrecadação total provém deste imposto regressivo que onera com a mesma taxa ricos e pobres. O arrecadado pelo imposto representa cerca de 12% do PIB no Brasil, um escândalo.

As bases do setor exportador não são robustas. Cerca de 55% das exportações provém do setor primário, com um enorme custo social e ambiental. A volatilidade dos preços destes produtos básicos é bem conhecida e, por isso, em 2012 o Brasil teve seu pior superávit comercial em dez anos. A indústria brasileira teve um mau ano em 2012 e subsistem sinais de fragilidade no setor manufatureiro. Por outro lado, o modelo de agronegócio brasileiro é um fracasso social, ambiental e econômico, mas os grandes consórcios desse país, com o consentimento do governo, pretendem exportá-lo para Moçambique e outros países da África.

Finalmente, em matéria social, a redução da pobreza no Brasil foi real, mas modesta. Este país continua entre os com maior desigualdade no mundo. Para os partidos da esquerda institucional na América latina, as lições são claras. No final do caminho, as contradições do neoliberalismo são insuperáveis: nem desenvolvimento, nem rosto humano.

Alejandro Nadal é membro do Conselho Editorial de SinPermiso

Tradução: Libório Júnior

 
 
 

terça-feira, 23 de julho de 2013

Conferência Nacional dos Bancários define minuta para Campanha Salarial 2013

Rita Lima: coordenadora do Seeb/ES
A 15ª Conferência Nacional dos Bancários, que aconteceu de 19 a 21 de julho, em São Paulo, aprovou a minuta de reivindicações para Campanha Salarial 2013, que será entregue à Fenaban no próximo dia 30. Entre as propostas aprovadas estão o índice de 11,93%, referente à inflação projetada do período (6,6%) mais reajuste de 5%; piso com base no salário mínimo do Diesse (R$ 2.860,21); fim da terceirização e combate ao assédio moral. O encontro reuniu 629 delegados de todo o país, dos quais 422 homens e 207 mulheres.

A conferência foi marcada pela unidade dos setores de oposição, na tentativa de desconstruir a hegemonia da corrente Articulação Bancária (Artban) – atrelada à CUT e ao governo – que dirige nacionalmente o movimento sindical bancário. O Sindicato/ES, que integra o campo de oposição, defendeu uma Campanha Salarial mais combativa e ousada, a fim garantir que as demandas da categoria sejam realmente contempladas em relação às questões como salário, emprego, condições de trabalho, saúde e segurança.

“Essa Campanha Nacional se dará em uma conjuntura em que a juventude e a classe trabalhadora estão nas ruas protestando e pedindo reformas populares que garantam melhores condições de vida. A maioria cutista ainda não acordou para essas vozes e continuamos com uma estratégia de campanha salarial aquém das necessidades da categoria bancária. Apesar disso, vamos discutir a minuta com os bancários da base e iniciar essa Campanha com a unidade e a força necessárias para garantir conquistas”, avalia Carlos Pereira de Araújo (Carlão), coordenador do Sindicado dos Bancários/ES, que representa o estado no Comanado Nacional de Negociação dos Bancários.

Índice de reajuste

Os setores de oposição e outros segmentos sindicais conseguiram definir uma proposta unitária de índice, de 18%, considerando a inflação do período e a lucratividade dos bancos. Mesmo assim, o setor majoritário da CUT, com maioria de delegados, aprovou o índice de 11,93% (inflação projetada mais reajuste de 5%), desconsiderando as perdas salariais e o lucro das instituições financeiras.

“A lucratividade dos bancos é cada vez maior, fruto de uma exploração intensa do trabalhador bancário e de clientes, e essa proposta de índice, infelizmente, não dialoga com as necessidades da categoria”, critica Carlão, diretor do Sindicato/ES.

PLR

A plenária final do Congresso aprovou a proposta de três salários mais R$ 5.553,15, defendida pelo setor majoritário da CUT. O Sindicato/ES, em conjunto com os demais setores de oposição, defenderam a proposta de 25%, distribuída linearmente entre todos os empregados.

“Atualmente, a proposta de PLR beneficia muito mais os funcionários dos altos cargos, aprofundando uma lógica desigual entre os trabalhadores. Os bancários com menores salários, que são maioria e que assumem a maior parte dos serviços, acabam sendo prejudicados em função da não linearidade. Por isso defendemos uma PLR linear, distribuída igualmente entre todos os bancários”, explica Rita Lima, diretora do Sindicato/ES.

Piso salarial

Por unanimidade, a plenária final da Conferência aprovou a proposta de piso salarial com base nos cálculo de salário mínimo do Dieese, com valor de R$ 2.860,21;

Emprego

No eixo de emprego foram aprovados: fim das demissões, mais contratações, aumento da inclusão bancária, combate às terceirizações, especialmente ao PL 4330 que libera geral e precariza as condições de trabalho, além da aprovação da Convenção 158 da OIT, que proíbe as dispensas imotivadas;

Segurança

Prevenção contra assaltos e sequestros, com fim da guarda das chaves de cofres e agências por bancários;

Fim das metas

Novamente, a redação da minuta da categoria pede apenas o fim das metas abusivas, e não o fim das metas, como defendeu o Sindicato/ES e os setores de oposição bancária. Na avaliação da Maristela Corrêa, a resolução não avança para luta contra a imposição de metas e o consequente assédio moral. “Não existem metas mais ou menos abusivas, as metas são instrumentos que servem para intensificar a exploração dos empregados e é o principal instrumento pelo qual se institui o assédio moral. A cobrança de metas tem gerado um adoecimento cada vez maior na categoria e não podemos defender essa prática. Vamos continuar lutando para que, nos próximos congressos, a categoria se posicione contra a imposição de metas”, argumenta a diretora.

Assédio moral

A plenária votou pela manutenção da cláusula de assédio moral que prevê que os casos de assédio não sejam denunciados e sofram uma investigação interna do banco para apuração. O Sindicato defendeu a exclusão desse texto da minuta.

“Os bancos estão se utilizando dessa cláusula para se defender, afirmando que não existe assédio moral e que a categoria bancária é a única com uma clausula que regula ‘conflitos no trabalho’. Na prática, a cláusula não tem efeito para a categoria, porque as denúncias são apuradas pela própria instituição financeira e nunca são confirmadas”, explica Idelmar Casagrande, diretor do Sindicato/ES.

O Congresso Estadual dos Bancários/ES já deliberou, diante da ineficácia da cláusula e de suas consequências, que o Sindicato não assinará esse Acordo, como faz desde a implementação do termo.

Igualdade de oportunidades

Foi aprovado pro consenso a inclusão de uma cláusula que reivindica a contratação de pelo menos 20% de trabalhadores afrodescendentes, a fim garantir a igualdade de oportunidade nos bancos;

Agenda política

Os 629 delegados que participaram da conferência também aprovaram uma agenda política, com temas da conjuntura nacional que precisam ser discutidos com os bancários e com a população. São eles:

* Combate sem tréguas ao PL 4330, que precariza as relações de trabalho.
* Reforma política, para democratizar o Estado.
* Reforma tributária, para corrigir injustiças.
* Marco regulatório da mídia visando democratizar as comunicações.
* Conferência Nacional do Sistema Financeiro.
* Investir 10% do PIB na educação pública.
* Investir 10% do orçamento em saúde.
* Transporte público de qualidade.

Dívida pública fica de fora

O Sindicato dos Bancários/ES defendeu a inclusão da auditoria da dívida pública nos eixos de campanha, mas a proposta foi negada pela corrente majoritária da CUT. O Sindicato fez um apelo para que as correntes reflitam e voltem a discutir o tema.

“Os grupos governistas não têm interesse em fazer esse debate com a sociedade para não expor a política econômica equivocada dos governos Lula e Dilma – que é a mesma de Fernando Henrique Cardoso — que destina quase metade do orçamento geral da união para o pagamento de juros e amortizações da dívida pública (quase 800 bilhões), dinheiro que deveria ser destinado para a saúde, educação, mobilidade urbana etc, e acaba indo integralmente para o bolso dos banqueiros”, diz Idelmar Casagrande, diretor do Sindicato/ES.

Idelmar destaca ainda que a redução da dívida pública por meio de auditoria é não só necessária como possível, citando como exemplo a realizada pelo governo de Rafael Correa, no Equador, que conseguiu reduzir em 70% a dívida pública do país.

Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS): para todos os bancários;

Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós;

Dias de greve

O Sindicato dos Bancários/ES defendeu resolução de que o comando não aceite propostas de acordos que contenham compensação ou descontos dos dias de greve. “Se a greve é um instrumento legal, esses dias têm que ser abonados”, explica Carlos Pereira de Araújo (Carlão).

A proposta aprovada pela plenária, contudo, propõe uma Campanha junto às direções dos bancos a fim de pressionar para que não haja descontos ou compensação. Caso não se chegue a um acordo com a Fenaban, a decisão será submetida às assembleias.

“A resolução é importante, mas deixa possibilidade para aceitar propostas com compensação e descontos, que, na verdade, são formas de punição aos bancários que exercem o direito legítimo de greve. Por isso defendemos que a conferência aprovasse uma resolução de princípio político, de não aceitar nenhuma proposta de acordo com compensação ou desconto dos dias parados”, comenta Carlão.

Calendário de luta

A 15ª Conferência aprovou ainda um calendário de luta que envolve a Campanha Nacional dos Bancários e a luta das centrais sindicais. Confira:

Até 29/07 - Realização de assembleias para aprovar a pauta definida na 15ª Conferência.

30/07 - Entrega da pauta de reivindicações à Fenaban.

06/08 - Dia Nacional de Luta contra o PL 4330.

12 e 13/08 - Mobilizações em Brasília para convencer os parlamentares a rejeitarem o PL 4330.

22/08 - Dia Nacional de Luta dos Bancários, com passeatas no final do dia.

28/08 - Dia do Bancário, com atos de comemoração e de mobilização.

30/08 - Greve de 24 horas, em defesa da pauta geral dos trabalhadores apresentada ao governo e ao Congresso Nacional, apresentada pelas centrais sindicais.

Com informações da Contraf 
 
Fonte:http://www.bancarios-es.org.br/

Aumento real é reduzido para 5% apenas

A Bahia e Sergipe queriam mais, afinal o lucro líquido dos bancos bate recorde a cada ano e em 2012 ultrapassou os R$ 50 bilhões. No entanto, como sempre, o índice aprovado na Conferência Nacional dos Bancários, realizada no fim de semana, em São Paulo, foi rebaixado para 5% de aumento real mais a reposição da inflação, projetada em 6,6%.
 
O percentual de 11,93%, defendido pela corrente ligada a CUT, está longe do que reivindicavam os delegados classistas da Bahia e Sergipe, 10% de aumento real mais a inflação do período, ou seja, reajuste em torno dos 17%.

“O evento teve debates importantes, mas no quesito remuneração deixou a desejar. Os bancos formam o setor mais lucrativo da economia nacional, no entanto, o funcionário não é valorizado. Pelo contrário. Sofre com a cobrança de metas, o assédio moral e o desemprego. A categoria merece mais do que 5% de aumento real”, destaca o presidente do Sindicato da Bahia, Euclides Fagundes.
 
A pauta de reivindicações inclui ainda piso de R$ 2.860,21, PLR de três salários mais parcela adicional fixa de 5.553,15, vales de um salário mínino, ou seja, R$ 678,00 garantia de emprego, mais contratações, investimento em segurança e o combate ao projeto de lei 4330, que regulamenta a terceirização e precariza as condições de trabalho.
 
A Conferência Nacional dos Bancários reuniu, em três dias, 629 delegados de todo o país, eleitos nas etapas regionais. A delegação da Bahia e Sergipe era composta por 31 pessoas entre delegados e observadores. Agora, a mobilização entra em nova etapa, com a entrega da minuta no dia 30 de julho, o lançamento oficial da campanha salarial e as tradicionais manifestações nas agências.
 
Principais pontos aprovados
 
Reajuste salarial de 11,93% – 5% de aumento real, mais inflação (projetada em 6,6%)
PLR – três salários mais R$ 5.553,15
Piso – R$ 2.860,21 (salário mínimo do Dieese)
• Vales alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá – R$ 678 ao mês para cada (salário mínimo nacional)
• Melhores condições de trabalho com o fim das metas e do assédio moral 
Emprego – fim das demissões em massa, ampliação das contratações, aumento da inclusão bancária, combate às terceirizações e contra o PL 4330 que libera e precariza as condições de trabalho, além da aprovação da Convenção 158 da OIT (que inibe dispensa imotivada)
PCCS (Plano de Cargos, Carreiras e Salários) – para todos os bancários
Auxílio-educação – pagamento para graduação e pós
Segurança nas agências e proibição do porte das chaves de cofres e unidades por bancários
Igualdade de oportunidades, com a contratação de pelo menos 20% de afro-descendentes
 
http://www.bancariosbahia.org.br