Avante Bancário

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Petista desvia R$ 100 milhões do BNB

Acusado de fraude é exonerado do Banco do Nordeste

Vale é acusado de operar um esquema fraudulento que teria desviado R$ 100 milhões para o caixa 2 de campanhas eleitorais de petistas do CearáBanco do Nordeste

Fortaleza - O presidente do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), Jurandir Santiago, exonerou neste sábado o seu chefe de gabinete, Robério Gress do Vale, a mando da presidente Dilma Rousseff. Vale é acusado de operar um esquema fraudulento que teria desviado R$ 100 milhões para o caixa 2 de campanhas eleitorais de petistas do Ceará. O esquema está sendo investigado pela Polícia Federal (PF) com base em auditorias do BNB e da Controladoria Geral da União (CGU) que encontraram indícios de fraude em 24 operações de crédito envolvendo petistas.
A auditoria concluiu que empresa dos cunhados de Vale recebeu R$ 12 milhões. O ex-chefe de gabinete do BNB foi, em 2010, o quarto maior doador, pessoa física, da campanha do deputado José Guimarães Nobre (PT-CE), irmão do ex-presidente do PT José Genoino. A denúncia foi publicada pela revista Época deste final de semana.
Em nota, Vale disse que está disposto a prestar todos os esclarecimentos à PF. "Como funcionário de carreira, técnico desta instituição, tendo exercido dentre outras funções a chefia de gabinete na gestão Roberto Smith e na atual, nunca me envolvi em defesa de quaisquer interesses de pessoas, parentes e afins, conforme insinua a referida matéria (publicada na revista)", disse.
Mais adiante o ex-chefe de gabinete do BNB destaca: "Ao longo de minha trajetória nesta instituição, nas várias funções que exerci, sempre pautei minha vida pela ética, moralidade e a transparência".
Em relação à acusação de que foi um dos principais doadores da campanha de José Nobre Guimarães, Vale admite que foi um dos contribuintes do petista, com um valor de R$ 10 mil. Nota do BNB diz que o banco passou, "espontaneamente" a interagir com a CGU e a Polícia Federal para esclarecer o caso.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

GT Universidade Popular

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Diga-me quem te financia, que eu direi para quem governas


PT arrecadou 89,5% das doações de empresas em 2011

Paulo Schueler*

Que os governos encabeçados pelo Partido dos Trabalhadores (PT) foram um grande "achado" para a burguesia, qualquer um que não seja movido por má-fé ou tenha por esta agremiação um fetiche masoquista já sabia.

A novidade, divulgada na imprensa neste último final de semana, é que na folha de pagamento da burguesia estão não apenas a "corte" - membros dos altos escalões do governo que se transformam em consultores e lobistas de grandes grupos empresariais e a máfia sindical que se apodera dos fundos de pensões -, isso sem falarmos dos "menos votados" que se transformaram em sanguessugas dos cargos comissionados pagos pelo erário público. Cotadinhos, esse últimos...

A famiglia, o partido, também é muito bem remunerada pelos bons serviços prestados aos exploradores do suor alheio. Vejamos: dos R$ 54,6 milhões doados por empresas aos 29 partidos políticos registrados na justiça eleitoral em 2011, o PT ficou com 89,5% - cerca de R$ 50,1 milhões, recebidos de 75 doadores, segundo prestação de contas entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A direita clássica deve estar com aquela dor de corno... Afinal de contas, o PSDB recebeu "míseros" R$ 2,35 milhões enquanto o PMDB, segundo na arrecadação, abocanhou apenas 5,2% dos recursos.

Deixemos eles choramingarem suas pitangas com o pires na mão. O revoltante na novidade está mesmo no PT. Com R$ 53,9 milhões de dívidas, ele passou a sacolinha em empreiteiras, bancos, empresas do setor alimentício e petroquímico, chegando ao escárnio de receber dinheiro de um empresário envolvido no mensalão do DEM no Distrito Federal.

Os segmentos doadores deixam claro: boba essa camarilha não é. Foi cobrar sua comissão justo nos setores e empresas mais beneficiados pelo governo federal desde 2003. O setor que mais "contribuiu" foram as empreiteiras (45%, ou R$ 48,9 milhões). Foi também o setor com maior número de doadoras (21) e com a líder em contribuição (Andrade Gutierrez, com R$ 4,6 milhões).

Fornecedoras da Petrobras ficaram em segundo lugar (10,8%), seguidas pelo agronegócio (10,3%). Parêntesis: mão de vaca esses grandes proprietários rurais, hein? Assassinam, usam trabalho escravo, acabaram de ter aprovado o Código Florestal e só repassaram esse percentual aos "companheiros"? Vai ver que é por isso que Dilma vetou alguns artigos do referido Código... O mesmo se pode dizer do setor financeiro (7,9%), que teve o Bradesco e o BMG como doadores.

De acordo com levantamentos da imprensa, há na lista de doadores companhias com contratos "vultuosos" com o governo federal. É o caso da Jurong Shipyard, que irá construir estaleiro em Aracruz (ES) e já adiantou R$ 1 milhão da "comissão" ao PT.

Mas o caso mais escandaloso é o da JBS, a mesma que iria adquirir a empreiteira Delta. Quinta maior doadora petista, tem entre seus acionistas (financiadores) o BNDESPar, braço de investimentos do BNDES. Essa tinha que figurar entre as líderes de doações mesmo, ganhou muito desde 2003!

Envolvido no mensalão, o BMG doou R$ 1 milhão ao PT, após o partido pagar dívida de R$ 1,9 milhão com o banco. Quanta coincidência, quanta idoneidade... Outra novidade: o maior credor da agremiação é a Coteminas, do ex-vice-presidente José Alencar, para a qual o PT deve R$ 5,7 milhões. Mas calma, Coteminas, a desoneração da folha de pagamentos para o setor em que você atua já foi feito pelo Governo Federal!

Sem mais delongas: "Nunca antes na história deste país" um partido soube tão bem aproveitar os benefícios que dá à burguesia em troca de dinheiro vivo, registrado no TSE, tudo dentro da “legalidade”. Uma perfeita máquina de interesses privados que comanda o país.

*Paulo Schueler é membro do comitê central do PCB

Fonte: pcb.org.br

quarta-feira, 30 de maio de 2012

BOLETIM ESPECIAL DA UNIDADE CLASSISTA

ENCONTRO ESTADUAL DOS FUNCIONÁRIOS DA CAIXA
Nesta foto, II Conecef 25/07/1986, no conjunto cultural da CAIXA, em Brasília.
No sábado, dia 09/06, será realizado na FEEB RJ/ES o encontro estadual dos bancários da CAIXA. Neste encontro serão eleitos os delegados que participarão do encontro nacional da CAIXA onde serão definidos os pontos fundamentais que nortearão a campanha salarial 2012 (índice de reajuste, isonomia, SIPON, contratação de pessoal e o papel da caixa, PLR, jornada de seis horas etc), além de definir o posicionamento da categoria sobre outras questões importantes, tais como, plano de metas, até porque o sindicato não é contra as metas, mas sim contra metas abusivas, como se isso fosse possível. Enfim, o encontro estadual da CAIXA é o pontapé inicial da campanha salarial 2012.


Pois bem, apesar da importância de que se reveste este encontro estadual os setores majoritários na diretoria do Sindicato dos Bancários do Município do Rio – SEEB RJ, parecem não estar muito preocupados em iniciar bem a campanha salarial deste ano, o encontro foi organizado de forma que não haja espaço para o debate. Haverá apenas palestras com os representantes da FUNCEF, Saúde Caixa e informes da negociação permanente e representantes do FEEB RJ, todos eles ligados à CONTRAF, e apenas 1 hora para a votação das chapas de delegados.


Diante de mais esta tentativa de esvaziar um importante fórum da categoria e prejudicar mais uma vez a organização de uma campanha salarial capaz de arrancar conquistas verdadeiras para a categoria, cabe a nós a tarefa de comparecermos em massa a este encontro para darmos o nosso recado e impormos um debate verdadeiro.
Se não tomarmos em nossas mãos os rumos deste debate e começarmos a participar destas discussões, estaremos deixando o caminho livre para que os mesmo setores que conduziram as nossas útlimas campanhas salariais para um resultado pífio possam fazer o mesmo em2012.



A categoria precisa se armar para enfrentar um duro embate nesta campanha salarial. Para isso são fundamentais encontros estaduais com ampla participação da base e com debates de qualidade. Vale lembrar que no ano passado, quando os sinais da crise capitalista mundial ainda não se faziam sentir com força no Brasil, o governo Dilma já agiu duro com os funcionários do BB e da CAIXA, endurecendo as negociações na mesa da FENABAN. Agora, com a crise entrando porta adentro só podemos esperar mais intransigência de Dilma e dos outros banqueiros.


É hora de tomarmos as rédeas da nossa luta!!
Só com a nossa participação poderemos sair vitoriosos!!
Todos ao encontro estadual da CAIXA!!


 
Endereço do Encontro Estadual dos Funcionários da CAIXA
FEEB RJ/ES, que fica na Avenida Graça Aranha, nº 19, sala 901, Centro. Em frente ao prédio do MEC

terça-feira, 29 de maio de 2012

Mais salário, menos PLR

  (Um breve histórico sobre a exploração da força-de-trabalho)
Sidney Moura (*)
“Estrategicamente não somos pelas petições de direitos que buscam a inclusão social rebaixada dentro da ordem social capitalista.
Não defendemos a ‘cidadania e a democracia’ tomada emprestadas ao ideário de 1789.
Muito menos lutamos para vender a força de trabalho mais cara aos cassinos da burguesia. Também estamos convencidos de que não podemos desperdiçar energias depositando esperanças no sobrenatural. Somos pela humanização plena que só será possível com a emancipação do trabalho e o fim da sociedade de classes”
(UNIDADE CLASSISTA-PCB)

Antes da era da maquinofatura a vapor, que deu início à potencialização dos processos produtivos do capitalismo, grande parte das necessidades materiais humanas eram obtidas através da produção artesanal doméstica ou em oficinas. Necessidades como a do vestuário, não eram obtidas em lojas de departamentos. Para adquirir-se uma sandália, por mais simples que fosse, na maioria das vezesera necessário recorrer às oficinas de artesanato.


O artesão era considerado pessoa importante, tanto na Antiguidade quanto na Idade Média. Ainda hoje, um simples vestido feito em um atelier, tem cheiro de coisa chique e os preços cobrados estão fora do alcance dos salários dos que suam. Na Idade Média, ser artesão exigia longa formação, as oficinas-escolas eram dominadas por mestres que também controlavam as corporações de ofícios. Estas determinavam todas as regras para aqueles que desejassem desenvolver qualquer atividade artesanal em determinada região.
Antes da existência do modelo industrial como hoje conhecemos, e como antes já foi dito, para se obter uma peça de mobiliário, uma ferramenta de trabalho ou qualquer utensílio doméstico, era necessária a figura do artesão. Este com suas próprias ferramentas concebia o modelo do objeto desejado, determinava o prazo para entrega e o valor a ser cobrado. Ou seja, controlava o produto desde a matéria prima até a hora de ser vendido ou trocado.


A revolução tecnológica na agricultura no fim da Idade Média permitiu aumentar a produção agrícola e com esta o aumento da população. Aquele momento, ao somar-se à descoberta do novo caminho para as ricas Índias e o “descobrimento” da América, no século XV, aumentou a necessidade de aceleração da produção para atender as demandas comerciais que de forma exponencial se ampliavam juntamente com uma nova classe social emergente: a burguesia.


O mundo estava entrando em uma nova era onde o produtor, a apropriação e sua admiração pelo que ele próprio produzia, foi paulatinamente perdendo espaço e importância. Fenômeno a que Marx chamou de alienação. O mundo estava ficando menor e apressado. Diminuir o tempo de se produzir para atender necessidades humanas e baratear o custo do que era produzido estava na ordem do dia.


O advento da máquina a vapor contribuiu de forma determinante para ir acelerando gradualmente o sepultamento da ainda relevante da produção artesanal e da manufatura. O homem foi cada vez mais se tornando um apêndice da máquina. O barateamento dos custos da mão-de-obra e o desemprego dos que foram expulsos do campo e as péssimas condições de trabalho conduziram ao radicalismo ludita.


Para arrefecer o ímpeto dos trabalhadores na luta por melhores condições de vida, ou para potencializar a produção e obter ganhos ampliados, o capitalismo se utilizou de diferentes artifícios, sejam eles a nível tecnológico, gerencial ou mesmo de cooptação da classe. Entrou em cena o Taylorismo, em seguida o Fordismo nas primeiras décadas do século XX, e mais recentemente, o Toyotismo.


Todos esses modelos englobaram de forma desigual e diferenciada os três artifícios de dominação e controle da produção dos trabalhadores anteriormente citados. O Toyotismo, no entanto, modelo mais focado no gerenciamento da produção sob stress, ou administração participativa, trouxe de forma subjacente dois vírus que inoculados no seio da classe trabalhadora, mais danos causaram àsubjetividade e às suas reservas críticas de classe, pois esta, mesmo que de forma atomizada, possuía o mínimo de consciência que a colocava em posição antagônica à classe detentora dos meios de produção.


Sutilmente o modelo toyotista foi cooptando os trabalhadores para co-gerir os processos produtivos oferecendo em troca o emprego vitalício e a falsa ilusão de que os mesmos como colaboradores ou “associados” minoritários sairiam ganhando, ao terem adicionado aos seus salários, valores variáveis relativos a uma dita participação nos lucros e resultados, a famigerada PLR.


Interessa aqui aumentar o zoom sobre estes os vírus cultivados atualmente nos campos do mundo do trabalho. É fundamental hoje, diante do complexo estágio de desenvolvimento do capitalismo e da luta de classes, observar esta evolução virótica, e se possível, pensar o antídoto, que vem provocando certa paralisia e fragmentação das organizações da Classe que entravam o desenvolvimento pleno da humanidade.


Assistimos hoje um abraço de afogados entre os trabalhadores. Embora o capitalismo de forma absoluta tenha se ampliado, as margens de lucro no setor produtivo, alicerce do sistema, não consegue alcançar os mesmos patamares de lucratividade dos seus anos dourados. Por conta disso, a saída clássica do sistema hegemonizado pela burguesia é recorrente, ou seja, a retirada de direitos sociais e o achatamento salarial. Salários baixos têm conseqüências claras para a classe, pois conduz invariavelmente para endividamentos de todos os tipos. Assim, por questões objetivas, a centralidade das muitas lutas hoje travadas entre capital e trabalho está na obtenção ilusória de maiores PLRs.


Não dá para negar, no entanto, que exigir participação nos lucros das empresas sempre foi uma reivindicação dos trabalhadores geminada às exigências de melhores condições de trabalho e salários. No entanto, o sindicalismo combativo e setores da vanguarda consciente da classe foi gradualmente perdendo a centralidade da luta brilhantemente aprofundada por Marx, a questão da mais-valia. Um verdadeiro campeonato de quem consegue maior PLR tem sido exaltado como sendo expressão de sindicalismo combativo escamoteando a realidade: quanto maior for a PLR, maior será exploraçãovia extração de mais-valia. Ou seja, o trabalho realizado que os patrões não pagam.


Os valores das PLR não se agregam aos salários e embora de forma emergencial dê certo fôlego para os trabalhadores afogados em dívidas, no momento da aposentadoria é que a ficha cai. O valor da aposentadoria é irrisório, o que acarreta um padrão de vida abaixo do que aquele em que se encontrava o produtor direto antes de assumirem a natural tarefa de aposentado, que é de “deseducar” seus netos. Manter um mesmo padrão significa muitas vezes continuar trabalhando apesar de aposentado. Por isso, além de lutar pela redução da jornada de trabalho e fim das horas extras, devemos nos empenhar para fazer com que as aposentadorias sejam valorizadas. PLR não dá camisa para aposentados e pensionistas.


A pauta de reivindicações no enfrentamento entre capital e trabalho é extensa e o inimigo e suas classes auxiliares não descansam. Está na ordem do dia superar o sindicalismo de negócio, messiânico e cidadão. O compromisso-tarefa dos que sinceramente acreditam na mudança radical da sociedade dividida entre explorados e exploradores é de levar à base da classe nos seus locais de trabalho, o desvelamento das sutilezas do capital. Não dá para continuar permitindo que a classe dominante continue dourando a pílula e manobrando com a classe trabalhadora.


Nós da UNIDADE CLASISTA estamos empenhados num esforço militante em contribuir para desmascarar o truque ideológico das classes auxiliares da burguesia empenhadas em extrair de forma subliminar o consentimento dos trabalhadores em face à exploração da sua força de trabalho. Esperamos com nossa ação político-sindical de formação ou ombreados nas lutas, oferecer à Classe a compreensão da necessidade de se por em movimento para que esta se reconheça enquanto classe para si e tome em suas mãos as rédeas do seu destino.


A UNIDADE CLASSISTA, sem autoproclamação, se empenhará na construção futura de um instrumento de organização geral da classe trabalhadora, independente de governos, partido e patrões. Lutaremos pelos interesses mais imediatos da nossa classe sem jamais perder de vista que nosso objetivo não é para vender a força de trabalho mais cara. Nosso objetivo histórico é acabar com a mais-valia.

*Sidney Moura é membro do CC do PCB e seu Secretário Sindical Nacional

Fonte: pcb.org.br


Planalto cogita adotar projeto de lei da CUT que flexibiliza a CLT e cria ‘acordo coletivo especial’

Sem estrondos, o deputado Marco Maia (PT-RS) promoveu um encontro reservado na residência oficial da presidência da Câmara, em Brasília. Reuniu, na noite de segunda-feira (21), líderes partidários, sindicalistas e um representante do Planalto: José Lopes Feijó, assessor especial do ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência).

O propósito da conversa foi o de apresentar às lideranças dos principais partidos um projeto de lei que está na bica de chegar à Câmara. Prevê uma novidade que, se for aprovada, vai flexibilizar a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Chama-se ‘Acordo Coletivo Especial’. Ou ‘Acordo Coletivo de Trabalho com Propósito Específico’.


Consiste no seguinte: os sindicatos ficam autorizados a celebrar com as empresas acordos que incluam cláusulas em desacordo com a CLT. O rabo do gato fica exposto no último artigo do projeto de lei, o 16o: “Aplicam-se aos Acordos Coletivos de Trabalho com Propósito Específico os dispositivos do Título VI da Consolidação das Leis do Trabalho, quando não incompatíveis com esta lei.”


Deve-se a autoria do texto ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, braço da CUT e berço político de Lula. Apresentado à ideia, o ministro Gilberto Carvalho, a quem cabe negociar com as centrais sindicais em nome do governo, comprou-a. Está decidido que o projeto será levado ao Congresso. Discute-se apenas se vai pelas mãos do Planalto ou sob o patrocínio dos partidos da coalizão.


Hoje, a legislação trabalhista já prevê a realização de acordos trabalhistas. São de dois tipos: há a convenção coletiva, celebrada uma vez por ano, na data dos dissídios salariais das categorias. E há o acordo coletivo firmado entre um ou mais sindicatos com um grupo de empresas de determinado setor. Nos dois casos, os acertos sujeitam-se às normas previstas na CLT.


Afora o fato de trafegar por cima da CLT, o que diferencia o ‘Acordo Coletivo Especial’ dos outros dois é a sua natureza individual. Em vez de negociar com segmentos empresariais, os sindicatos mais fortes poderão fechar acordos com empresas específicas.


Alega-se que sindicatos como o dos metalúrgicos do ABC já vêm firmando acordos do gênero na base da boa-fé. Porém, como os acertos nem sempre seguem o figurino da CLT, sujeitam-se a questionamentos judiciais. A nova lei daria “segurança jurídica” às casas sindicais e às empresas.


Na reunião organizada por Marco Maia, os líderes receberam uma cartilha que detalha a encrenca. O blog obteve um exemplar. Contém a íntegra do projeto. Na “exposição de motivos” anotou-se o seguinte:


“As relações de trabalho no Brasil estão sujeitas a uma legislação extensa e detalhada, nem sempre adequada à realidade dos trabalhadores e das empresas. Oriunda da década de 1930, ela trata da organização sindical, da negociação coletiva e da proteção ao trabalho. Apesar das mudanças pelas quais passou, essa legislação ainda restringe a organização sindical e a negociação coletiva, e embora assegure padrões básicos de proteção ao trabalho continua a exigir atualização.”


O texto acrescenta: “As recentes tentativas de promover a reforma do sistema de relações de trabalho por meio do diálogo social e da negociação tripartite, para definir novos instrumentos de representação sindical e de negociação coletiva, esbarraram na resistência conservadora de parte dos representantes de trabalhadores, empregadores e operadores do Direito, em certa medida pelo temor de que a valorização da negociação coletiva trouxesse o risco da precarização dos direitos trabalhistas e de insegurança jurídica para as empresas.”


Sustenta-se que a novidade sugerida no projeto não representará supressão de direitos. Ao contrário, dará amparo legal a “práticas sindicais e trabalhistas qualitativamente diferenciadas, em especial nos setores mais dinâmicos da economia brasileira.” Setores nos quais a negociação, por “permanente”, ocorre fora das datas dos dissídios e leva à “solução voluntária de conflitos.”


Nem todos os sindicatos estarão autorizados a firmar os tais ‘acordos coletivos especiais’. Pelo projeto, caberá ao Ministério do Trabalho definir as entidades que poderão trafegar à margem da CLT. Para obter a prerrogativa, o sindicato terá de comprovar dois pré-requisitos: 1) que representa mais da metade de uma categoria; e 2) que mantém uma comissão sindical dentro da empresa com a qual deseja celebrar o acordo “com propósito específico.”


Egresso do movimento sindical, Marco Maia, a exemplo de Gilberto Carvalho, abraçou a causa da CUT. Deu à reunião de segunda à noite um caráter suprapartidário. Além de parlamanetares governistas, convidou para a conversa os líderes das duas principais legendas de oposição. ACM Neto (BA), do DEM, não pôde comparecer. Bruno Araújo (PE), do PSDB, participou do encontro.


Não é a primeira vez que a flexibilização da legislação trabalhista vira tema de debate. Sob FHC, tentou-se reformar a CLT. O PT e as centrais sindicais, sobretudo a CUT, levaram o pé à porta. Mesmo sob Lula, o assunto foi roçado, ainda que de raro em raro. Mas jamais ganhou a forma de um projeto.


O inusitado da cena atual é a autoria da CUT. Chama a atenção também o método. Em vez de reformar a própria CLT, reconhecida por todos como um tratado superado, sugere-se a aprovação de uma gambiarra que atende a interesses específicos do sindicalismo paulista.


Segundo a cartilha distribuída aos líderes partidários, há 200 empresas em São Paulo com comitês sindicais operando regularmente nas suas dependências. É esse o universo que, num primeiro momento, será atendido pela nova lei. Vai abaixo a íntegra do projeto:


Fonte: Notícia do BLOG DO JOSIAS – FOLHA DE SP – 24/05/2012

sexta-feira, 25 de maio de 2012

BOLETIM ESPECIAL DA UNIDADE CLASSISTA


ENCONTRO ESTADUAL DOS FUNCIONÁRIOS DO BB

No próximo sábado, dia 26/05, será realizado na FEEB RJ/ES o encontro estadual dos bancários do BB. Neste encontro serão eleitos os delegados que participarão do encontro nacional do BB onde serão definidos os pontos fundamentais que nortearão a campanha salarial 2012 (índice de reajuste, isonomia, BB 2.0, PSO, PLR, jornada de seis horas etc), além definir o posicionamento da categoria sobre outras questões importantes, tais como o saqueio dos recursos da PREVI pelo Banco, a intransigência do BB em assumir a parte que lhe cabe no custeio da CASSI e a crise capitalista mundial que começa a nos atingir com toda a sua força e ameça muito mais que a nossa PLR. Enfim, o encontro estadual do BB é o pontapé inicial da campanha salarial 2012.

Pois bem, apesar da importância de que se reveste este encontro estadual os setores majoritários na diretoria do Sindicato dos Bancários do Município do Rio – SEEB RJ, parecem não estar muito preocupados em iniciar bem a campanha salarial deste ano, pois além agendá-lo para sábado, mal convocaram este encontro e organizaram-no de forma que não haja espaço para o debate. Haverá apenas palestras com os representantes da PREVI , CASSI e representantes do SEEB RJ, todos eles ligados à CONTRAF, e apenas 45 minutos para a votação das chapas de delegados.

Diante de mais esta tentativa de esvaziar um importante fórum da categoria e prejudicar mais uma vez a organização de uma campanha salarial capaz de arrancar conquistas verdadeiras para a categoria, cabe a nós a tarefa de comparecermos em massa a este encontro para darmos o nosso recado e impormos um debate verdadeiro.

Se não tomarmos em nossas mãos os rumos deste debate e começarmos a participar destas discussões, estaremos deixando o caminho livre para que os mesmo setores que conduziram as nossas útlimas campanhas salariais para um resultado pífio possam fazer o mesmo em2012.

A categoria precisa se armar para enfrentar um duro embate nesta campanha salarial. Para isso são fundamentais encontros estaduais com ampla participação da base e com debates de qualidade. Vale lembrar que no ano passado, quando os sinais da crise capitalista mundial ainda não se faziam sentir com força no Brasil, o governo Dilma já agiu duro com os funcionários do BB e da CAIXA, endurecendo as negociações na mesa da FENABAN. Agora, com a crise entrando porta adentro só podemos esperar mais intransigência de Dilma e dos outros banqueiros

É hora de tomarmos as rédeas da nossa luta!!

Só com a nossa participação poderemos sair vitoriosos!!

Todos ao encontro estadual do BB!!



Endereço do Encontro Estadual dos Funcionários do BB

FEEB RJ/ES, que fica na Avenida Graça Aranha, nº 19, sala 901, Centro. Em frente ao prédio do MEC