Avante Bancário

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Nova convenção coletiva será assinada nesta sexta, 21

A Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos bancários será assinada com a Fenaban nesta sexta-feira, dia 21, às 14 horas, em São Paulo. Com a assinatura, a compensação dos dias parados será iniciada na próxima segunda-feira, 24, e deverá ser feita em até duas horas por dia, de segunda a sexta-feira, exceto feriados, até o dia 15 de dezembro.

A partir da assinatura do acordo, os bancos também terão prazo de até 10 dias, isto é, até o próximo dia 31, para o pagamento da antecipação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), que prevê o crédito para cada funcionário de 54% do salário mais o valor fixo de R$ 840,00, limitado a R$ 4.696,37, e a distribuição de 2% do lucro líquido do primeiro semestre deste ano de forma linear com teto de R$ 1.400,00.

Já as diferenças pela aplicação do reajuste nos salários, nos tíquetes-refeição e na cesta-alimentação, relativas aos meses de setembro e outubro, deverão ser pagas até a folha de pagamento do mês de novembro.

Com informações da ContrafCut.

Tesoureiro de retaguarda da CEF receberá horas extras além da sexta diária

A Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho decidiu, por maioria de votos, que a função de tesoureiro de retaguarda é cargo técnico, e não cargo de confiança. Com este fundamento, a SDI-1 condenou a Caixa Econômica Federal (CEF) ao pagamento das horas extraordinárias posteriores à sexta diária a um escriturário que, durante três anos e meio, exerceu a função e, nesse período, teve sua jornada de trabalho estendida para oito horas diárias.

A decisão reformou entendimento da Terceira Turma do TST, que, ao não conhecer do recurso do bancário, mantivera entendimento as instâncias inferiores que negaram ao bancário as horas extraordinárias. Para o Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (CE), as funções desempenhadas incluíam “atos próprios de um cargo de confiança” e, portanto, a jornada de trabalho deveria ser enquadrada na exceção do artigo 224, parágrafo 2º, da
CLT, que exclui da jornada de seis horas dos bancários aqueles que “exercem funções de direção, gerência, fiscalização, chefia e equivalentes, ou que desempenhem outros cargos de confiança, desde que o valor da gratificação não seja inferior a um terço do salário do cargo efetivo.”

O bancário recorreu à SDI-1 sustentando que, por exercer cargo técnico, e não de confiança, faria jus às horas extraordinárias. O relator dos embargos, ministro Aloysio Corrêa da Veiga, observou que, conforme afirmado no acórdão regional, o bancário, no desempenho da função de tesoureiro de retaguarda, administrava o cofre de sua agência, conferia chaves de segurança e até mesmo atuava como preposto, o que, para ele, não era suficiente para que lhe fosse atribuída a jornada de oito horas.

O ministro Lelio Bentes Correa concordou com o ministro relator e acrescentou o fato de a própria CEF já ter mudado o nome da função para “técnico de retaguarda”. Ele lembrou que a principal atividade da função é a de abastecer os caixas de dinheiro, daí o motivo da guarda da chave do cofre. O advogado da CEF confirmou que, de fato, a instituição mudou o nome, porém o fez por uma questão de segurança, uma vez que o tesoureiro e o gerente geral são os cargos mais visados para sequestros em agências bancárias.

Após a maioria dos ministros votar pelo conhecimento do recurso por divergência jurisprudencial, a SDI-1 decidiu, no mérito, de acordo com o voto do relator, dar provimento ao recurso do bancário. Ficaram vencidos no mérito os ministros Renato de Lacerda Paiva, Milton de Moura França, João Batista Brito Pereira e Maria Cristina Peduzzi, que negavam provimento. A decisão restabeleceu a sentença quanto ao tema. O processo agora será remetido ao Regional para o exame dos demais temas do recurso.
Fonte:TST

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Reposição de dias parados será iniciada após assinatura do acordo nacional

 Os dias parados durante a greve começarão a ser repostos a partir da assinatura do acordo do Comando Nacional dos Bancários com a Federação Nacional dos Bancos. Os dias de greve não serão descontados, mas serão compensados em até duas horas por dia, de segunda a sexta-feira, até o dia 15 de dezembro. Assim como nos anos anteriores, eventual saldo após esse período será anistiado.

“É importante que a categoria fique atenta ao início da reposição, pois muitos gerentes já estão pressionando para que os bancários iniciem desde agora a compensação de dias parados, o que não pode acontecer”, afirmou o diretor do Sindicato dos Bancários/ES, Lia Márcia Ragazzi.

Primeira parcela da PRL será paga em até 10 dias após assinatura do acordo

Em até 10 dias após a assinatura do acordo, os bancários receberão a primeira parcela da regra básica da PLR, que corresponderá a 54% do salário mais um valor fixo de R$ 840, com limite de R$ 4.696,37. Além disso, irão receber a primeira parte da PLR adicional que corresponderá à distribuição de 2% do lucro líquido do primeiro semestre de 2011 entre todos os empregados com limite individual de até R$ 1.400. As segundas parcelas da PLR e do adicional deverão ser paga até 1º de março de 2012.

O Comando Nacional dos Bancários ainda não divulgou a data da assinatura da convenção coletiva.

Fonte:http://www.bancarios-es.org.br

domingo, 16 de outubro de 2011

SEGUNDA-FEIRA É DIA DE GREVE E ASSEMBLÉIAS PARA DECIDIR OS RUMOS DO MOVIMENTO


Finalmente, na sexta, dia 14/10, após dezoito dias da greve nacional dos bancários, os banqueiros se dispuseram a negociar uma nova proposta de acordo coletivo. Durante essa greve, nos deparamos com as ameaças e a intransigência da FENABAN e do governo Dilma (leia-se PT-PMDB e seus sócios menores), querendo impor o desconto dos dias parados, tomando medidas judiciais contra a greve e recusando-se a reabrir as negociações.
Esse endurecimento já era previsto, diante da crise capitalista internacional o governo e a burguesia buscam tomar medidas preventivas, todas elas vão no sentido de jogar os custos sobre os ombros da classe trabalhadora. Assim como já vem sendo feito na Europa e nos EUA, provocando nesses países uma reação cada vez maior dos trabalhadores e populares contra o corte de direitos, redução dos salários, demissões e  aumento dos impostos.
Como dissemos em nosso comunicado anterior: “A grande dificuldade, é que a CUT, direção majoritária nos principais sindicatos, não preparou os bancários para o duríssimo enfrentamento que se avizinha”. Fato confirmado pelo desenrolar da greve, com um modelo de campanha que afastou a participação ativa da categoria nos eventos da luta, como piquetes, manifestações e assembléias. Aqui no Rio de Janeiro, o sindicato se limitou a convocar assembléias ditas “organizativas” durante a paralisação, as quais compareciam em média sessenta pessoas, a maioria absoluta composta de diretores ou delegados sindicais.
Agora o comando nacional convoca a categoria para a terceira e última assembléia dessa campanha, orientando para aprovação da proposta apresentada pelos bancos. Mas como nos últimos anos, as assembléias serão separadas, bancos privados, Banco do Brasil e Caixa. Ou seja, um movimento que começou unificado por uma pauta única da FENABAN, de forma inexplicável tem sua conclusão avaliada em assembléias distintas. Quando logicamente deveríamos avaliar as propostas da mesa única com todos os interessados juntos, e posteriormente realizarmos assembléias separadas sobre as questões específicas.
Nossa opinião é de que cabe a nós bancários, principalmente os que fizeram a greve acontecer, definir os rumos desse movimento grevista. Por isso mesmo, é fundamental a presença de todos nas assembléias convocadas para o dia 17/10, segunda-feira. Nelas precisamos, não só avaliar a proposta patronal, mas principalmente,  as condições do nosso movimento até aqui, para que possamos decidir se aceitamos o acordo proposto ou se temos nesse momento capacidade de prosseguir na greve para arrancar uma proposta superior a que foi apresentada.

Assembléias no Rio de janeiro, nesta segunda, 17/10, 18 horas.

Bancos Privados: Sindicato, Av. Presidente, 502, 21º andar.

Banco do Brasil: ABI, Rua Araujo Porto Alegre, 71, 9° andar.

Caixa Econômica: Galeria, Av. Rio Branco, 120, 2º andar.

Abaixo a proposta dos banqueiros:

 Proposta FENABAN

Reajuste Salarial - 9%
Salário Ingresso / Piso
Portaria R$ 967,00
Escriturário R$  1.400,00
Caixa R$ 1.900,36
Anuênio – ATS - R$ 19,43
Gratificação de Caixa / Outras Verb.Cx. - R$ 495,77
Gratificação de Compensador - R$ 110,70
Vale Refeição /Alimentação - (19,78 X 22 ) R$ 435,16 
Auxílio Cesta Alimentação - R$ 339,08
Auxílio Creche / Babá ( filhos de até 71 meses) - R$ 284,85
Auxílio Creche / Babá (filhos de até  83 meses) - R$ 243,67
Auxílio Funeral - R$ 653,57
Ajuda Deslocamento Noturno - R$ 68,22
Requalificação - R$ 974,06
Indenização p/ morte - R$ 97.461,03
13ª Cesta - R$ 339,08


Proposta CAIXA

1 - Reajuste salarial de 9% ;
2 - Menor salário - carreira administrativa - Terá início na ref.202, que é de R$ 1.785,00.
Em 90dias, passando para ref.203, ou seja, R$ 1.826,00;

3 - Menor salário - carreira profissional - Terá início na ref.802, que é de R$ 7.932,00.
Em 90 dias, passando para ref.803, ou seja, R$ 8.128,00;

4 - PLR = Regra Fenaban + PRL EXTRAORDINÁRIA CAIXA
. PLR EXTRAORDINÁRIA CAIXA - 4% do lucro Líquido distribuído linear a todos os empreagos elegíveis:
Primeira parcela - calculada em função do lucro do 1 semestre (aproximadamente R$ 2,3 bi), distribuído linearmente;

. REGRA BÁSICA FENABAN - 90% do salário base mais R$ 1.400,00:
- Primeira parcela PLR (REGRA FENABAN) - 54% do salário base reajustado em setembro/2011 mais valor fixo de R$ 840,00, limitado a R$ 4.696,37;
- Parcela Adicional FENABAN - 2% do Lucro líquido distribuido linear, limitado a R$ 2.800,00;
- Primeira parcela - 2% do Lucro Líquido apurado no 1º semestre (mais ou menos R$ 2,3 bi) linear a todos os empregados, limitado a R$ 1.400,00;

5 - Dias parados não serão descontados. Serão compensados até 15 de dezembro;
6 - Realizará sistemática de avaliação para promoção por mérito em 2012, referente ao ano base 2011;
7 - Participarão da avaliação os empregados ativos em 31/12/2011, com no mínimo 180 dias de efetivo exercício em 2011,
integrantes da Parte Permanente do Quadro de Pessoal, inclusive cedidos, liberados para sindicatos e os licenciados,
sem suspensão do Contrato de Trabalho,conforme regras negociadas com entidades representativas dos empregados.

8 - Ampliação do quadro em no mínimo mais 5 mil novos postos de trabalho.

Proposta BB

Reajuste de 9% sobre todos as verbas salariais e benefícios. O mesmo reajuste será aplicado no VCPI, garantindo o interstício sobre esta verba;
Piso passa para R$ 1.760 (10% de reajuste); com reflexo na curva do PCR (interstícios). Cada M na Carreira de Mérito passa a valer R$ 97,35 (10% de reajuste);
Retroatividade no mérito na carreira do PCR até 1998;
VCP de 12 meses no retorno da licença saúde;
Trava reduzida para um ano em caso de concorrência de posto efetivo para comissionamento;
Reestruturação do Programa Recuperação de Dívidas, com redução da taxa de juros e aumento no prazo de pagamento;
Ampliação de 55.261 para 68.057 no público do programa de aprimoramento, com aumento de valor de R$ 200 para R$ 215;
SACR - Remoção automática no Posto Efetivo para funcionários de CABB – O funcionário não precisará pedir dispensa da comissão para a remoção automática;
Extensão do PAS - Adiantamentos para incorporados que optaram pelo regulamento do BB e pertençam aos planos de saúde Economus, Fusesc ou Prevbep;
Instalação em até 30 dias de mesas temáticas para debater questões do PCR, PC (substituição, Carreira de Central de Atendimento, 55%) e Jornada de Trabalho; na primeira reunião será estabelecido o cronograma de encerramento dos trabalhos;
Cálculo da PLR 2011-01 considerou a proporcionalidade do mesmo período do ano passado:
        - Escriturário – R$ 3.571,46 (13,1% maior do que o 1º semestre de 2010),
        - Caixas, Atendentes e Auxiliares – R$ 3.912,16 (12,5% maior do que o 1º semestre de 2010), 
        - Demais Comissionados – de 1,62 a 3,0 salários (em média 9,9% maior do que o 1º semestre de 2010);
Renovação do ACT em vigor com manutenção da cláusula de trava de descomissionamento;
Ratificação da cláusula de desconto dos dias parados igual a do ano passado, e
1.000 bolsas de graduação e 500 bolsas de pós graduação.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Crimes contra a humanidade

*Afonso Costa
Este ano de 2011 tem sido pródigo em ensinamentos e verdades até então disfarçados e ocultos.
A reação popular ao acirramento da crise econômica que se prolonga desde 2008 demonstra que, apesar da cumplicidade da maioria dos meios de comunicação em nível mundial, parte da população, uma parte a cada dia maior, despertou para a verdade tão bem decantada pelos manifestantes de Wall Street: 1% da população fica com 99% da renda dos EUA, enquanto 99% da população ficam com 1% da renda do mesmo país. Nesse mesmo “princípio” se baseia a imensa maioria dos países no planeta.
De dentro da pátria mãe do imperialismo vem a denúncia para o mundo da barbárie que significam as sistemáticas benesses ofertadas aos bancos, aos grandes conglomerados, às chamadas transnacionais.
Na Inglaterra, na Irlanda, na Itália, na França, na Espanha e em Portugal milhões de pessoas já entenderam o mal que o imperialismo representa para a humanidade. A luta do povo grego contra o pacote propugnado pelo Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial, com o beneplácito dos governos reacionários dos países acima citados e outros mais como Áustria e Alemanha, demonstra haver condições de resistir, de enfrentar o monstro que ameaça considerável parte da humanidade em sua sanha para ‘sobreenriquecer’.
A contradição inerente ao capitalismo nunca esteve tão clara, nunca demonstrou-se tão frágil, tão desumana. A crescente acumulação de capital pressupõe a mais valia, a apropriação de parte dos salários dos trabalhadores, bem como o desemprego, a manutenção do exército de mão de obra de reserva, para manter os salários baixos. Essa condição sine qua non se contradiz com a necessidade de vender os produtos e serviços que as empresas dos capitalistas produzem. Ora, se os consumidores não possuem recursos pois seus salários são baixos e/ou estão desempregados, como conseguirão consumir? Obviamente que não o bastante para manter as altas taxas de lucros que o capitalismo necessita para se reproduzir. Aí se dá a contradição. Daí vem as guerras, o ataque aos estados nacionais, o neoliberalismo e os incontáveis males que afetam a humanidade.
Contraponto
A bem da verdade uma minoria em escala mundial lucra trilhões de dólares às custas de mais um bilhão de pessoas na miséria, ou seja, ganhando menos de um dólar por dia. Quantos seres humanos passam fome para que os trilhardários continuem a lucrar, a desfilar em seus aviões e seus iates? Quantos seres humanos não tem acesso a atendimento médico pelo mesmo motivo? Quantos se suicidam por falta por falta de perspectivas? Quantos se desesperam? Quantos vivem sem a menor dignidade?
Os responsáveis por esses males continuam encastelados, enquanto a mídia vendida faz a propaganda abjeta do capitalismo, atualmente do neoliberalismo, do corte de gastos públicos, da salvação do sistema financeiro mundial. Não se vê, se ouve ou se lê essa mesma mídia vendida defender a maioria da população que sobrevive em condições desumanas.
Aqui na terrinha perguntamos onde estão os outrora companheiros que lutaram pela Anistia, pelas Diretas Já, pelo fim da ditadura militar, pelo impeachment de Collor, contra o governo do príncipe das trevas? Neste momento estão fazendo exatamente aquilo que tanto combateram, venderam-se por cargos públicos, benesses, corrupção desenfreada, pela mosca azul do poder. Querem governabilidade pra quê? Apenas para fazer parte da elite que massacra o povo brasileiro. E ainda tem a coragem de usar a expressão companheiros. É deplorável!
O atual governo vem aos jornais afirmar que pretende combater a pobreza. Como, se destina R$ 125 bilhões anuais para pagar agiotas nacionais e internacionais, e combate a pequena elevação de recursos destinados à saúde? Como acabar com a miséria com apenas R$ 300,00 mensais, como os destinados às famílias pobres do campo? No total levantado pelos institutos de pesquisa são um total de 75 mil famílias, portanto o gasto mensal é de R$ 22,5 milhões. O custo anual será de R$ 270 milhões. Muito menos é pago mensalmente aos agiotas.
Como por fim à violência se o desemprego atinge mais de 10% da população economicamente ativa? Como enxergar futuro se os jovens tem professores mal pagos, lotam as penitenciárias, são a maioria dos assassinados e muitos sequer sabem ler e escrever? Como sobreviver com um salário mínimo menor que o pago mensalmente apenas para a gasolina dos parlamentares?
Basta! É preciso que a verdade venha à tona, que os seres humanos de bem se unam para acabar com a hipocrisia que beneficia poucos em detrimento da felicidade, da própria sobrevivência, da dignidade da maioria da população.
O Brasil infelizmente faz parte dos países que deixou seus cidadãos órfãos, que abandonou os seres humanos e abraçou a mentira, a corrupção, os políticos sem caráter (com raras exceções), os ricos, enfim todo um sistema criminoso que penaliza a quem trabalha ou precisa trabalhar. Não é apenas a crise econômica que permeia o mundo, mas sim a crise de falta de caráter, da ausência de valores, de sentimentos humanitários. Estes sim são os ensinamentos e as verdades que a duras penas a população mundial enxerga com ausentes em seus governantes e nos mandatários da morte e do lucro.
*Afonso Costa é Jornalista



quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O CAMARADA ZÉ RAYMUNDO PARTIU, MAS FICOU SEU EXEMPLO

 
imagemCrédito: PCB


Ivan Pinheiro
Neste sábado, despedimo-nos de Zé Raymundo, que foi assistente da Base dos Bancários do PCB no Rio de Janeiro, em que militei durante muitos anos, a partir do final dos anos 1970.
O texto que transcrevo abaixo, de autoria de seu filho Fred, me libera de narrar a rica biografia de seu pai.
Quero ressaltar duas marcas do legado do camarada Zé Raymundo.
Uma delas é não levar opinião para casa, omitindo-a nas reuniões. Se discordasse do comportamento de algum camarada, Zé fazia a crítica na sua frente. Mas nunca levantou a voz com qualquer camarada.
Outra qualidade de José Raymundo era o respeito quase sagrado ao centralismo democrático, à direção coletiva, ou seja, ao caráter leninista do Partido. Não admitia grupos internos e nem que vaidades ou interesses pessoais se sobrepusessem aos objetivos maiores do Partido.
Zé ensinou lições que devem ser exemplo para todo militante que, em nome do Partido, exerça qualquer cargo ou função em outra instituição.
Por orientação do PCB, fui presidente do Sindicato dos Bancários do RJ, numa época em que a entidade tinha uma dimensão nacional, não apenas na questão sindical, mas nas lutas gerais do povo brasileiro. Eu dirigia o Sindicato dos Bancários, com base nas decisões da Assembléia. Mas quem dirigia a minha atuação era a organização do PCB na categoria, sob a assistência vigilante do Zé Raymundo, em nome do Comitê Regional. Quantas vezes me enquadrou, como dizemos em nossos jargões.
Zé não era autoritário, como parecia a alguns. Ele tinha é autoridade. Não uma autoridade burocrática. Não dava “carteirada”; levava a discussão à exaustão. Dirigia pelo convencimento.
Na sua ação política, Zé não era o Raymundo; era o Partido.
Quando, em 1962, o PCB se dividiu em dois, Zé Raymundo não deve ter pensado um segundo: ficou com a maioria legítima. Mas quando, em 1992, novamente o Partido se dividiu em dois, Zé se afastou de ambos, como grande parte dos que vivemos aqueles momentos dramáticos.
Pelo que conheço de seus princípios, neste caso Zé Raymundo deve ter ficado em dúvida sobre que centralismo acompanhar. Da maioria manipulada pelos que renegavam o PCB ou da minoria que, em verdade, era a maioria dos que continuavam comunistas. Desde então, Zé não se ligou a qualquer partido. Mas morreu comunista. Nos últimos anos, tornou-se um grande amigo do PCB, prestigiando muitos dos nossos eventos. Era uma forma de militância, mesmo que informal.
Nesta sexta-feira, quando Rico e Fred me comunicaram o falecimento do pai, fui tomado de profunda emoção, sobretudo quando ambos exigiram que eu levasse uma bandeira do PCB para cobrir o corpo recém inerte do camarada Zé Raymundo. Diante de minha dúvida se este gesto poderia criar constrangimento numa homenagem que seria politicamente ecumênica, os dois filhos responderam com a firmeza que herdaram do pai: não vacile, nosso pai nunca saiu do PCB!
Em meio aos parentes, camaradas e amigos que foram se despedir de Zé Raymundo, tive a honra de marcar com a foice e o martelo um coração que já não mais batia, mas que partia para a história do PCB.

José Raymundo da Silva *
Bancário do Banco do Brasil, José Raymundo da Silva era casado com a professora Terezinha do Menino de Jesus Pessoa da Silva há 63 anos, mãe de seus seis filhos: Frederico, Alexandre, Ana Célia, Ricardo, Agliberto e Carmem Lúcia. Nasceu no dia 30 de dezembro de 1924 em São José do Egito, agreste pernambucano.
Em 1950 ingressou na Juventude Comunista e a seguir no Partido Comunista Brasileiro ao qual dedicou o melhor de sua vida como militante e dirigente. Militante e dirigente sindical bancário a partir de 1955 fundou e foi o primeiro presidente da Federação dos Bancários do Norte e Nordeste que à época reunia os sindicatos da categoria da Bahia ao Amazonas. Junto com sindicalistas bancários de todo o Brasil fundou a Confederação dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito – CONTEC, em 1958.
No mesmo ano integrou a Frente do Recife que reunia partidos e personalidades democráticas que possibilitaram as vitórias de Cid Sampaio e Miguel Arraes de Alencar governadores de Pernambuco. Frente igualmente patrocinadora das vitórias de Miguel Arraes, Pelópidas da Silveira e Artur Lima Cavalcante para a Prefeitura de Recife.
Junto com Clodomir Moraes e outros militantes foi brutalmente espancado, torturado e preso em 1954 no Comício do Zumbi, organizado pelo PCB. Em 1961 foi preso (junto com David Capistrano da Costa, Gilberto Azevedo, João Barbosa de Vasconcelos e Cícero Targino Dantas) e enviado para o Presídio de Fernando de Noronha por ordem dos militares golpistas que tentavam impedir a posse do presidente João Goulart.
O golpe militar de 1964 o encontrou na Secretaria Geral do Conselho Sindical dos Trabalhadores – CONSINTRA, a intersindical pernambucana. Perseguido e condenado a 19 anos de prisão José Raymundo mergulhou na clandestinidade para, inicialmente, reorganizar o PCB em Pernambuco e, em 1965, integrar a Seção Sindical do Comitê Central do PCB.
Membro da Executiva do Comitê Estadual do PCB na Guanabara foi preso em outubro de 1970 pelo DOI-CODI/RJ quando outra vez foi submetido a bárbaras torturas, recusando-se a prestar qualquer depoimento. Transferido para Recife (onde deveria cumprir a Sentença dos 19 anos) foi absolvido pelo STM e retornou ao Presídio Militar da Ilha das Flores (mantido pela Marinha) onde permaneceu até 1973.
De volta à vida legal dedicou-se à reorganização do PCB no antigo Estado da Guanabara até o final dos anos 80 quando foi eleito para o Comitê Central do PCB em seu VII Congresso. Integrou o Secretariado Nacional do PCB, ao mesmo tempo que desenvolvia intensa militância entre os bancários do Rio de Janeiro.
Aposentado, nos últimos anos atuava no Departamento dos Aposentados do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e na Associação dos Funcionários Aposentados do Banco do Brasil.
(*) por seu filho, o jornalista Frederico Pessoa da Silva

Fonte: http://pcb.org.br