Avante Bancário

quinta-feira, 19 de março de 2020

segunda-feira, 16 de março de 2020

NA CAIXA, GUIMARÃES ACELERA O DESMONTE!

A reestruturação em curso na Caixa gerou imensa insegurança no seio dos funcionários. A implantação está sendo feita de uma forma tão autoritária e acelerada que as entidades sindicais conseguiram liminar obtendo mais 15 dias de prazo para que os colegas pudessem avaliar com mais calma os prós e contras de aceitar as opções.
Essa batalha ainda não terminou, sabemos que muitos colegas serão descomissionados com a reestruturação sem nenhuma garantia de incorporação e outros têm como única opção apresentada o descesso com redução de renumeração. A luta contra os ataques aos nossos direitos continua!
Mas há outra questão por trás que é talvez mais grave: a lógica da reestruturação é tornar as agências apenas ponto de venda de produtos, extinguindo na prática o papel social do nosso atendimento e, por tabela, minando gravemente o papel social da Caixa.
Mas a Caixa só tem razão de existir por conta de seu papel social! Equiparar a caixa a um “Bradesco da vida” é torná-la dispensável como banco público; é preparar o caminho pra privatização.
E a privatização da Caixa já está acontecendo, só que “pelas beiradas”. Já venderam a Lotex (loteria instantânea) e anunciam a abertura de capital da seguradora e a possibilidade de venda das loterias. É uma estratégia evidente de “comer o mingau pelas beiradas” até que não reste mais nada.
Diante desse quadro, precisamos reagir! Temos que exigir que o Sindicato faça reuniões nas unidades, plenárias conjuntas dos delegados sindicais da Caixa e do BB – nosso “banco federal irmão” que está sofrendo o mesmo tipo de ataques – convocar uma grande assembléia geral unificada dos bancos públicos para organizar a luta contra o desmonte, a privatização e contra os ataques aos nossos direitos.

SÓ A LUTA CONQUISTA E MANTÉM DIREITOS!

No BB é Lutar ou Morrer!

   Diante do que vem acontecendo no Banco do Brasil desde a posse do   Bolsonaro e do seu ministro da economia Paulo Guedes, aprofundando e radicalizando reestruturações iniciadas ainda nos governos anteriores, já não resta outra alternativa aos bancários do BB que não seja a organização de uma verdadeira luta para se contrapor aos planos privatistas da direção do banco e do atual governo.
   O fechamento de agências, desmonte da estrutura de atendimento, incremento da terceirização, redução de pessoal, ataques sem precedentes aos direitos do funcionalismo e culminando com o plano de entrega da BB DTVM para os abutres do mercado financeiro, tudo isso que vem sendo feito tem um objetivo claro, visa preparar o golpe de misericórdia, ou seja, a privatização do banco com a consequente demissão em massa dos seus funcionários.
   A reestruturação do momento, denominada “Performa”, reduz na média o VR em 18%, implanta remuneração variável vinculada as já costumeiras metas abusivas, abrindo campo para o assédio moral e a competição predatória entre colegas. Sem falar do prejuízo no 13º salário, FGTS e benefícios previdenciários. Para piorar, essa verdadeira redução salarial terá impacto negativo também na Cassi e na Previ.
     A passividade diante desses contínuos ataques resultará em perdas cada vez maiores. Os bancários têm apenas dois caminhos: ficar disputando migalhas até a liquidação final do banco e dos seus postos de trabalho, ou se empenhar na sua organização, retomando a participação ativa nos seus sindicatos e associações para fortalecer a nossa luta. Nesse sentido, a unidade com os colegas da Caixa e demais empresas estatais, que estão sofrendo os mesmos ataques é fundamental para aumentarmos as chances de vitória contra os planos de Bolsoaro/Guedes e seus lacaios na diretoria do BB!
   


BANCÁRIOS DOS BANCOS PÚBLICOS: À LUTA!

   Os funcionários do Banco do Brasil e da Caixa sentem na pele os efeitos da nefasta política de Bolsonaro e Guedes para as estatais. Reestruturações selvagens, descomissionamentos, transferências arbitrárias e um clima de total insegurança tornaram-se o dia a dia dos bancários dos bancos federais.
  A arbitrariedade e o autoritarismo são na verdade a marca registrada deste governo. As recentes manifestações de Bolsonaro e de alguns de seus ministros – como o General Augusto Heleno – conclamando seus apoiadores a irem às ruas “contra o Congresso e o Supremo” demonstram de maneira ainda mais clara o caráter autoritário deste governo, cujo Presidente já elogiou publicamente a ditadura militar e o seu mais notório torturador.


A Unidade Classista não tem simpatia alguma nem ilusão com o posicionamento político da imensa maioria dos integrantes do Congresso, os quais são responsáveis, juntamente com o Governo de Bolsonaro, Mourão, Guedes e Moro, pela implementação de violentos ataques aos direitos sociais e trabalhistas duramente conquistados pelos trabalhadores e trabalhadoras em décadas de lutas. Porém, entendemos que o chamamento feito por Bolsonaro e aliados aumenta a escalada golpista desencadeada por este governo, que visa na verdade destruir a legislação social e as tímidas liberdades democráticas implantadas no Brasil com a Constituição de 1988, após as intensas batalhas travadas contra a ditadura empresarial militar imposta a partir do golpe de 1964.
   O objetivo final de Bolsonaro e seus aliados, razão pela qual pretende impor uma ordem autocrática e reacionária para calar os movimentos grevistas em curso e as lutas populares, é transformar o Brasil num país totalmente à mercê dos interesses imperialistas estadunidenses, com a entrega das riquezas nacionais como o petróleo e a privatização plena das empresas estatais. Na Caixa e no BB, as reestruturações em curso enfraquecem ainda mais o papel público destes bancos e intensificam a “bradescalização” – até o momento em que BB e Caixa sejam tão descaracterizados como bancos públicos e tão parecidos com o Bradesco que não tenham mais razão de existir como empresas públicas.
   Essa tentativa de escalada autoritária e antipopular terá a devida resposta da classe trabalhadora, da juventude e dos setores populares. Nós bancários temos que nos somar a esse grandioso movimento. A Unidade Classista conclama aos bancários que participemos de forma ativa e enérgica de todas as atividades de luta da categoria bancária e da classe trabalhadora.

EM DEFESA DOS BANCOS PÚBLICOS: NÃO À PRIVATIZAÇÃO!
DITADURA NUNCA MAIS!
FORA BOLSONARO, MOURÃO E SEUS CAPANGAS!



segunda-feira, 9 de março de 2020

Dois milhões de mulheres lotam as ruas do Chile no 8 de março

Mobilização em Santiago pelo Dia Internacional da Mulher parece ter sido ainda maior que os atos do final de 2019 que sacudiram o país.

Os atos do 8 de março sacudiram o Chile neste Dia Internacional da Mulher. Organizadoras do 8M afirmam que mais de dois milhões de mulheres estiveram nas ruas neste domingo protestando contra o estado patriarcal e exigindo direitos. A Polícia, por sua vez, apresenta uma questionável cifra de 125 mil presentes.
Depois de um longa jornada de protestos que se iniciou no final do ano passado e culminou na convocação de um plebiscito sobre a necessidade de uma nova Constituição – a ser realizado em abril -, as mulheres tomaram as ruas da capital Santiago e realizaram uma manifestação massiva neste 8 de março.
Com lemas como “o estado opressor é um homem estuprador”, imagens mostram que o movimento mobilizou entre 1,5 milhão e 2 milhões de mulheres na capital. Outras cidades também registraram grandes atos.
Os Carabineros (polícia nacional), no entanto, publicaram uma nota com uma estimativa de 125 mil presentes. Esse número foi bastante criticado nas redes sociais.
“Fiz o cálculo entre 1 a 8 pessoas x m2, que foi o máximo que pude contar em algumas áreas de extrema densidade, e o resultado é de mais de 1 milhão de mulheres apenas entre Salvador e UChile, mas existem companheiras em todas as ruas no entrono. Somente com 1 pessoa por m2 dá 100 mil! É impossível”, escreveu a geógrafa e urbanista Valentina em seu Twitter.
Atualização: Após as críticas, os Carabineros aumentaram a cifra para 300 mil – número que seguiu sendo criticado por manifestantes.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Enfrente denuncia demissão de dirigente sindical

"Esse é mais um ataque dos banqueiros ao movimento sindical. Toda solidariedade ao companheiro sindicalista e aos companheiros do EnFrente!"

Itaú demite
Em mais um ataque aos trabalhadores e sua organização, o Banco Itaú demitiu o dirigente sindical cutista Thiago Sant’anna Martins sob a alegação de estar passando por um processo de reestruturação.
Procurado pelo Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, o banco alegou não reconhecer a estabilidade de dirigentes de centrais sindicais.
Ou seja, não satisfeito em apoiar o golpe que derrubou a presidenta Dilma Rousseff, levando o país a viver uma das maiores crises de sua história e a flertar com o fascismo, destruindo direitos e o patrimônio público e ter participação ativa na reforma trabalhista – o maior ataque em décadas aos trabalhadores e suas representações -, o Itaú quer agora excluir as centrais sindicais do campo de representação do país.
Dizer que não reconhece a estabilidade dos dirigentes das centrais sindicais equivale a cassar a representação dessas entidades e negar a elas um direito reconhecido desde o governo Lula.
Sabemos da grande influência e apreço do Itaú ao governo Bolsonaro, mas desconhecemos que as centrais sindicais tenham perdido sua representação.
O Enfrente repudia mais esse ataque do Itaú e vai lutar com todas as armas políticas e jurídicas de que dispõe para fazer valer os direitos do nosso companheiro Thiago Sant’anna, bem como assegurar o respeito devido à CUT e demais centrais sindicais – cujo reconhecimento como parte fundamental do movimento sindical brasileiro não é um favor dos patrões, nem do governo, mas um direito da classe trabalhadora.
O EnFrente acredita que as entidades representativas dos trabalhadores farão valer a unidade necessária frente a este ataque covarde do Itaú. Conclamamos a todos a se unirem a nós nesta luta.
Defender o emprego do Thiago é, além de defender o movimento sindical e suas instâncias máximas de representação, as centrais sindicais, é defender o emprego e a dignidade de cada trabalhador e trabalhadora.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Porque a chuva de SP e “Parasita” dizem mais sobre o capitalismo do que Guedes jamais sonhou.

Em entrevista, o diretor de Parasita Bong Joon-Ho afirma que “enquanto eu dirigia o filme, tentei expressar um sentimento específico à cultura coreana, e pensei que estava cheio de “coreanismo”, visível à vista de quem olha de fora, mas quando foi exibido após a finalização, todas as respostas de diferentes audiências foram mais ou menos as mesmas, o que me fez perceber que esse tema era universal, na verdade. Essencialmente, todos vivemos num mesmo país, chamado Capitalismo, o que pode explicar a universalidade das respostas”.

O ganhador do Oscar de melhor filme – o primeiro ganhador não estado-unidense e europeu – tem a agilidade de explicitar quem são as verdadeiras parasitas da sociedade. A família Parks, que vive de renda bancária num país preenchido de desigualdades, é capaz de comemorar a chuva torrencial que desabriga milhares de pobres e trabalhadores, os construtores da vida no capitalismo que moram nos precários subterrâneos.
Há alguns dias, na sexta-feira (7) era a vez de Guedes opinar sobre o que considera parasitagem. Como ultra neoliberal anti-pobre, acha que o que realmente está errado no país é que algumas pessoas tenham direitos trabalhistas e salariais preservados – um direito que deveria ser de massas mas que hoje se preserva quase que exclusivamente a algum poucos trabalhadores de empresas e serviços públicos.
Guedes foi contribuidor da venda de toda a economia chilena ao capital imperialista, fazendo com que até mesmo a água fosse privada e propriedade de empresas gringas, enquanto a população via seus trabalhos se tornando em salto informais e mal pagos. Seu projeto para o Brasil é o mesmo: um exército de “empreendedores” de bicicleta, sob o permanente risco da morte precoce por exaustão e fome. Enquanto produzimos, garantimos a circulação de produtos e atendemos as diversas necessidades sociais com serviços de diversos tipos, somos a todo tempo sugados de nosso trabalho pelo que são as verdadeiras parasitas que Guedes jamais poderia nomear.
No dia a dia da produção, após o valor que sai para nosso salário, todo o excedente da nossa força de trabalho é roubado pelo capitalista no que nós marxistas chamamos de mais-valia. Depois, nas contas de aluguel, saúde, educação, produtos consumidos, gasolina, etc. pagamos mais uma enorme parcela de impostos que se tornam verba pública, da qual apenas um valor minoritário volta para nós em direitos sociais e a grande maioria é destinada para o pagamento da dívida pública, uma verdadeira bolsa banqueiro.
Os banqueiros, parasitas do nosso trabalho duplamente, já que muitos são também os acionistas das empresas que roubam nosso suor na fonte, são o destino de grande parte da verba pública que poderia estar sendo destinada à prevenção de enchentes, socorro de vítimas, recuperação de casas e outras medidas de emergência como as listadas nesse artigo.
No caso de SP, que vive hoje uma enorme catástrofe social devido às intensas chuvas – uma cena internacional de crime contra as massas trabalhadoras e pobres, como revela Bong Joon-Ho – é possível ver essa parasitagem em prática. Em 2019, menos da metade do orçamento público destinado à prevenção de enchentes foi utilizado pela prefeitura, e mesmo sob esse dado, o Secretário Estadual de Infraestrutura e Meio-Ambiente tem coragem de afirmar que a culpa é da impermeabilização da cidade. Os projetos de canalização de córregos e outras medidas também não foram executados. No que tange aos cofres do estado de São Paulo, outra surpresa: apenas 60% do orçamento foi investido pela gestão Dória.
É por essa via que as chuvas são símbolo do capitalismo. Enquanto simbolizam uma enorme e permanente preocupação nas massas mais pobres, moradoras de morros deslizantes e porões inabitáveis, os patrões e ricos permanecem de olhos fechados, e talvez como a patroa Parks de Parasita, comemoram a umidade sem sequer imaginar a destruição provocada na vida de milhões, fruto de seu roubo sistemático.
Além da dor da perda de bens dificilmente conquistados – dano esse que deve ser reparado pelo Estado imediatamente – as enchentes revelam uma destruição por vezes invisível. Há décadas somos alertados por cientistas e pesquisadores dos danos climáticos já irremediáveis produzidos pela destruição ambiental e pela ganância capitalista.
Muitos são também os que se referenciam em uma série de invenções já criadas e testadas que seriam capazes de mover veículos e produzir energia de forma limpa, eliminando os danos causados pelos lucrativos combustíveis fósseis. As grandes cidades seguem se impermeabilizando também em nome do lucro, dessa vez das construtoras e das extratoras de minérios que são matéria-prima da construção civil, como o aço, o cobre e a calcita (utilizada na fabricação de cimento e argamassa). As petroleiras estão entre as 15 maiores indústrias do mundo lado a lado dos banqueiros – vários deles credores da dívida pública brasileira -, segundo a revista Forbes, enquanto as mineradoras e empresas de construção civil ocupam posições de destaque na economia mundial, em especial nos países do considerado terceiro mundo. No Brasil, a mineração na fonte já é responsável por distintos níveis de tragédia, tais como os rompimentos de barragens que tiraram centenas de vidas em Mariana e Brumadinho, o desalojamento de comunidades ribeirinhas, a poluição de territórios e águas por todo o território brasileiro e a verdadeira política genocida contra as populações nativas indígenas, que apesar da garantia constitucional, veem seus territórios dia a dia ocupados por latifúndios e pelos parasitas da mineração.
Uma saída ao problema das enchentes deve, em primeiro lugar, contar com distintas medidas de emergência para a população vítima do descaso dos governos:
1- Liberar todos os trabalhadores, efetivos e terceirizados, sem descontos de salários.
2- Liberação das catracas dos ônibus, trens e metrô para que a população possa retornar para suas casas.
3- Disponibilização imediata de prédios públicos para deslocamento de população em área de risco, além de garantia de meios seguros para deslocar todos os que estão em risco.
4- Que a população tenha acesso às informações sobre o aumento do nível dos rios e da quantidade de chuvas para evitar futuras tragédias.
5- Indenização imediata do governo a todas as famílias afetadas.
6- Revogação da MP 905 de Bolsonaro, que, entre outras medidas, desconsidera os acidentes de trajeto de ida e volta como parte dos acidentes de trabalho.
7- Impostos progressivos sobre as grandes fortunas e fim de isenções fiscais para poder destinar investimento público a uma reforma urbana radical.

É também preciso levar adiante um profundo questionamento das estruturas do capitalismo, com intelectuais e jovens estudantes dedicados a elaborar formas alternativas de construção das cidades, das moradias, assim como batalhando por medidas eficazes de subsistência urbana que revolucionem a produção e sejam capazes de proteger o meio-ambiente e inclusive regredir nos danos já causados a nível mundial.