Avante Bancário

sexta-feira, 21 de março de 2014

Governo não atende pauta dos SPF e entidades devem intensificar mobilização

andes.org.br
O governo federal deu uma demonstração clara na quarta-feira (19) de que não há disponibilidade em negociar com os servidores públicos federais (SPF). O recado foi transmitido na reunião entre representantes do Fórum das Entidades Nacionais do SPF e membros da Secretaria de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (Mpog), que aconteceu durante o ato realizado pelos servidores na Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF). 

A atividade contou com a presença de centenas de manifestantes de diversas categorias do funcionalismo público e integra o Dia Nacional de Mobilização chamado pelo Fórum. Em diversas cidades do país, os docentes federais se uniram aos demais servidores e foram às ruas cobrar atendimento à pauta unificada da categoria, em defesa de serviços públicos de qualidade e valorização dos SPF. 

Segundo informe passado após a reunião com o Mpog, o Secretário de Relações do Trabalho (SRT/Mpog) Sérgio Mendonça recebeu os dirigentes, acompanhado de sua equipe, e foi explícito ao informar que o governo entende que há um acordo vigente, firmado em 2012 com várias categorias do funcionalismo, e que não irá negociar, nem a pauta específica das categorias nem a unificada dos SPF, e que não há margem orçamentária para revisão do acordado. 

De acordo com Paulo Barela, o secretário da SRT/Mpog disse apenas que seria possível refletir sobre a possibilidade de reajuste nos benefícios sociais. “Reivindicamos um calendário de reuniões para manter a porta aberta e Mendonça respondeu que não há necessidade, pois isso não irá reverter a posição do governo”, comentou Barela.

Barela informou que as entidades cobraram do governo uma resposta escrita e oficial à pauta protocolada em janeiro, o que foi prometido para o final de março, e informaram que as entidades devem intensificar as mobilizações. “Já existe uma greve em curso e várias entidades já têm uma agenda de ações. Vamos intensificar a mobilização para pressionar o governo a mudar essa postura intransigente, como fizemos em 2012”, finalizou.

Ato na Esplanada
Na capital federal, representantes do ANDES-SN e de várias categorias se reuniram em frente ao prédio principal do Mpog (Bloco K), para cobrar a resposta do governo à pauta unificada e a audiência com a ministra Miriam Belchior.  No início de fevereiro, o Planejamento havia se comprometido com dirigentes do Fórum dos SPF em dar retorno às reivindicações e sobre o encontro com ministra até o início de março, o que não ocorreu.

Durante a fala dos representantes das entidades presentes no ato, ficou explícita a indignação dos servidores com o descaso do governo em relação ao pleito da categoria, principalmente diante da argumentação de que não há recursos disponíveis, uma vez que o governo reviu diversos contratos e aumentou o repasse de verba pública para as empreiteiras que estão construindo estádios pra a Copa. Também foram saudados os técnicos administrativos das universidades federais, representados pela Fasubra, em greve desde segunda-feira (17).

Gibran Jordão, coordenador da Fasubra, destacou que, em seu segundo dia, a paralisação por tempo indeterminado já conta com a adesão de mais da metade da categoria. “A greve é uma reação ao descaso do governo com a Educação e com os técnicos administrativos, que recebem o pior piso do funcionalismo federal, cerca de um salário mínimo e meio. Estamos vivendo um clima político em que cresce a mobilização dos trabalhadores para organizar a luta e assim arrancar do governo resposta à pauta específica das categorias e também à pauta unificada”, disse.

Em sua fala, a presidente do ANDES-SN, Marinalva Oliveira saudou o movimento dos técnicos administrativos e ressaltou que a saída é intensificar a mobilização em todo o país. “Começamos hoje com a mobilização em vários setores. No ANDES-SN, chamamos um dia nacional de paralisação, com atos em diversas cidades, como resposta à intransigência em relação às nossas pautas. O governo segue inflexível com os trabalhadores, mas não com o empresariado. Nosso caminho é ir para a luta de forma unificada. Esse governo precisa nos respeitar e o nosso respeito buscaremos na rua, mostrando a força da nossa mobilização, pois é assim que temos feito e foi assim que já conseguimos fazer com que eles nos ouvissem”, avaliou Marinalva.

GREVES DOS GARIS E DO COMPERJ

Um mundo a ganhar, por aqueles que não têm nada a perder.
                                                                                                 
As recentes greves dos garis da COMLURB e dos trabalhadores do COMPERJ marcaram o início desse ano em termos de luta de classes em nosso estado. A primeira foi de curta duração, impactou a vida da cidade em pleno período do carnaval e obteve uma expressiva vitória econômica, além de impor uma clara derrota política ao arrogante Prefeito Eduardo Paes (PMDB). A segunda se estendeu por mais de um mês, teve pouquíssima visibilidade e terminou com resultados bem abaixo das reivindicações dos trabalhadores.


Apesar das diferenças acima, as duas greves revelaram algumas facetas semelhantes que valem ser ressaltadas. As duas categorias estão entre as camadas mais exploradas da classe trabalhadora, enfrentam condições duríssimas de trabalho, recebendo pouco acima do salário mínimo. Os respectivos Sindicatos (Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação do município do Rio de Janeiro, filiado a CGTB e o Sindicato dos trabalhadores da Construção Civil de São Gonçalo e Itaboraí, filado a CUT), que deveriam estar à frente da luta em defesa dos interesses desses trabalhadores, se colocaram de forma descarada como verdadeiros agentes patronais.


No caso dos garis, a diretoria do Sindicato após a assembleia ter deliberado pela greve, publicou, na calada da noite, um boletim informando a suspensão do movimento. Depois desse ato de traição à luta dos trabalhadores, esses sindicalistas de mentirinha se colocaram inteiramente a serviço do Prefeito, boicotando a greve e assinando um acordo rebaixado. Não satisfeitos os traíras fizeram mais um comunicado afirmando que “o Sindicato não foi responsável pela deflagração da greve”.


Já no COMPERJ nas assembleias conduzidas pelo Sindicato não se permitia que os trabalhadores fizessem uso da palavra para discutir os rumos do movimento, apenas os diretores do Sindicato e da CUT podiam falar. Nem assim eles conseguiram deter a força da greve, foram vaiados em todas as assembleias. Inconformados, os pelegos e as empresas contrataram capangas para ameaçar os trabalhadores. Numa das manifestações bandidos passaram atirando e balearam dois grevistas, isto sim, pode ser classificado como um verdadeiro ataque terrorista, no qual acabaram feridos dois operários.


 Além de enfrentar aqueles que deveriam estar ao seu lado (os Sindicatos), os garis e os trabalhadores da construção civil se defrontaram com a repressão do estado. A PM do governador Sergio Cabral (PMDB) reprimiu duramente uma passeata dos garis no sábado de carnaval, espancando, jogando bombas e atirando balas e borracha contra os manifestantes. Igualmente em Itaboraí foi montado um forte aparato policial para agir contra as movimentações dos trabalhadores do COMPERJ, vários confrontos foram registrados, sempre com a marca da brutalidade e da covardia na ação policialesca contra os grevistas.


Outra experiência similar para essas duas categorias foi como a mídia, concentrada nas grandes redes de TV, rádio e jornais, cobriu essas greves, ou seja, da mesma maneira que sempre fazem. Os trabalhadores quase nunca tiveram voz, mas, o Prefeito, as empresas e os Sindicatos pelegos obtiveram ampla cobertura. Eduardo Paes e o presidente da COMLURB se referiam aos garis em greve como “marginais”. De imediato anunciaram 300 demissões na tentativa de derrotar o movimento, mas não contavam com a determinação dos garis e com o apoio que grande parte da população carioca manifestou a greve, reconhecendo a importância do trabalho desses profissionais para a manutenção das condições de vida na cidade.


A disposição de sair para a luta demonstrada por aqueles que, muito pouco, ou quase nada, têm a perder, indica que o processo iniciado com as jornadas de junho de 2013 se desdobra para as mobilizações dos trabalhadores, o que pode significar mudanças profundas na conjuntura social e política brasileira. Não é por acaso que o exemplo dos garis do Rio de Janeiro já "contaminou" os trabalhadores da limpeza urbana em varias cidades. A greve no COMPERJ vem na esteira de outras realizadas em grandes obras. Outras categorias superexploradas, como os motoristas e cobradores de ônibus, retomam também o caminho das greves. 


Todo esse movimento se defronta com o governo do PT/PMDB e seus sócios menores trabalhando a serviço das grandes empresas capitalistas. A fórmula deles é a mesma, quando a economia está aquecida só oferecem migalhas aos explorados, já ao menor sinal de crise ou diminuição da atividade econômica, tratam de intensificar os mecanismos de exploração sobre a classe trabalhadora. Nossa luta, portanto, não deve se limitar aos resultados imediatos, esses apenas sinalizam que a causa fundamental das nossas péssimas condições de vida e trabalho é o sistema econômico e político burguês, este ainda está por ser derrotado.     

Ney Nunes
Unidade Classista - RJ



sexta-feira, 14 de março de 2014

Filósofo avalia quem ganha e quem perde com o lucro dos bancos

Carta Capital
Vladimir Safatle
Duas notícias quase simultâneas forneceram uma boa fotografia do que o Brasil se tornou. Na primeira, descobrimos, o lucro líquido do Itaú em 2013 alcançou os 15,7 bilhões de reais, o maior da história dos bancos brasileiros, segundo estudo da consultoria Economática. Enquanto isso, o Bradesco apresentava o segundo maior lucro do ano, 12 bilhões de reais. Apenas duas instituições financeiras embolsaram quase 28 bilhões de reais, isto em uma economia de crescimento estagnado. Na segunda 3, a outra informação: a produção industrial caíra 3,5% em dezembro em comparação a novembro, a maior retração em cinco anos.


Diante desses dados, é difícil não lembrar de uma bela frase do presidente da Islândia, Olafur Grimsson: "Uma economia com bancos muito fortes é sinal de um país que vai mal". Não só pelo fato de uma nação atrativa para investimento especulativo, no qual aplicar dinheiro em cassinos travestidos é o melhor negócio, nunca conseguirá financiar o desenvolvimento da criatividade empreendedora de seu povo. Mas principalmente porque uma economia com bancos fortes destrói tudo à sua volta.


Os bancos drenam os melhores cérebros para o sistema financeiro. Foi assim que os melhores engenheiros do Brasil não foram parar nas universidades a estudar novos materiais, em programas de despoluição de rios ou em pesquisas sobre energia alternativa. Foram fazer contas. O Brasil assim se transformou em um país que forma economistas não para pensar problemas regionais ou desenvolver políticas de combate à pobreza, mas para fazer consultoria para bancos, fundos de investimentos e outros segmentos do mercado financeiro.


Por outro lado, um sistema financeiro forte constrói uma rede escusa de relações e interferência que corroem todos os poderes políticos, entre eles a mídia e os governos. Ao criar uma relação incestuosa na qual antigos integrantes da administração pública sempre passam ao sistema financeiro e vice-versa ou na qual a saúde financeira dos meios de comunicação depende das boas relações com o sistema bancário, as instituições financeiras acabam por controlar o espectro das decisões econômicas. Não por outra razão, o mundo assistiu à impotência dos governos mundiais em desenvolver políticas capazes de quebrar o interesse do sistema financeiro global em prol da defesa de populações vulneráveis em processo irreversível de pauperização. Na verdade, toda e qualquer discussão econômica imbuída de encontrar novos modelos deve partir da reflexão sobre como quebrar a força de intervenção dos bancos, um poder que não mostra sua cara, que opera na calada da noite dos lobbies.


Que um governo dito de esquerda no poder há 12 anos não tenha quebrado o processo de transformação em um paraíso de rentabilidade para o sistema financeiro, com suas taxas de juro de baile da Ilha Fiscal, é algo que só pode provocar indignação. Nem temos um sistema pesado de taxação sobre lucros bancários, o que permitiria ao governo subvencionar melhoras nos serviços públicos tão cobradas pela população nas manifestações dos últimos meses. Até a CPMF, o imposto mais justo que este país teve, por taxar aqueles que realizam o maior número de transações financeiras, foi abandonada, para nunca mais voltar à pauta.


Neste ano eleitoral, no qual a dependência da classe política em relação ao sistema financeiro e às quadrilhas de construtoras aumenta exponencialmente, dificilmente veremos propostas dispostas a controlar esse que é, no fundo, um dos nossos maiores problemas econômicos. Que tais lucros intergalácticos ocorram em plena retração da economia é apenas um sintoma de onde estão aqueles que realmente controlam as decisões deste país. Assim, quando alguém joga uma pedra em agências bancárias, a sua maneira ele acerta o alvo correto. Este poder das sombras, regado a Romanée Conti e a stockoptions milionários, não pode continuar a, de fato, governar o Brasil.

Pasmem, conforme foto, matéria foi postada no sitio do Seeb/Rio. 

BB é condenado em quase 2,6 milhões

Banco descumpriu decisão judicial que proibia a prática de atos de retaliação aos empregados que buscam seus direitos em juízo.

O Banco do Brasil foi condenado pela Justiça do Trabalho a pagar uma multa de aproximadamente R$ 2,6 milhões por ter descumprido decisão judicial que proibia a prática de atos de retaliação e represália aos empregados que buscam seus direitos em juízo. A ação foi movida pelo Ministério Público do Trabalho no Maranhão (MPT-MA), que iniciou as investigações em 1999. 



Alguns bancários haviam ingressado na Justiça do Trabalho contra a instituição financeira, cobrando, por exemplo, o pagamento de horas extras. De acordo com a denúncia do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários no Estado do Maranhão, o banco estava coagindo os funcionários a renunciarem às reclamações trabalhistas sob pena de dispensa, transferência e outros atos de natureza punitiva. 




Para a procuradora-chefe do MPT-MA, Anya Gadelha Diógenes, esse é mais um típico caso de ato discriminatório nas relações trabalhistas e de afronta à Justiça do Trabalho: “A nossa intenção é que o Banco do Brasil cumpra o comando sentencial e não pratique atos discriminatórios contra trabalhadores que buscam no Judiciário Trabalhista o respeito aos seus direitos”. 




Em sua sentença, o juiz da 1ª Vara do Trabalho de São Luís, Antônio de Pádua Muniz Corrêa, julgou procedentes os argumentos do MPT-MA, destacando já existir uma decisão transitada em julgado que proíbe o Banco do Brasil de adotar tal postura arbitrária. “Resta induvidoso que o reclamado praticou ato ilícito trabalhista, pois demitiu seu corpo de advogados porque tinham reclamações trabalhistas em face do banco réu”, decidiu.

Fonte: www.seebma.org.br

FGTS: O governo rouba dos trabalhadores para beneficiar a burguesia

marxismo.org.br
O governo federal, fruto da coligação do PT com os partidos da “base aliada” vem governando em favor dos interesses da burguesia e do capital estrangeiro. Qualquer trabalhador sabe o estado lamentável dos serviços públicos, de transporte, saúde e educação, que deveriam ser gratuito e para todos, e no entanto assiste à montanha de gastos com obras que só vão beneficiar a burguesia.
 

Como no caso dos gastos com as obras da Copa do Mundo. Milhões de pessoas foram às ruas no ano passado, em grandes manifestações de massa, pelo atendimento de suas reivindicações. O governo que vem realizando programas de “fachada” (Bolsa Família, Mais Médicos, Minha Casa, Minha Vida, etc.), com a farsa da proposta da tal “Reforma Política” e partiu para a repressão e criminalização dos movimentos populares.
 

Essa política de governar para atender aos interesses da burguesia e dos seus negócios vem prejudicando cada vez mais os trabalhadores. Como se não bastassem medidas financeiras que tiram dinheiro dos trabalhadores, como os reajustes tímidos da tabela do desconto do Imposto de Renda ou medidas que reduzem ainda mais as despesas com a aposentadoria dos trabalhadores, como é o caso do “fator previdenciário”, o governo faz uma manobra para corrigir o FGTS muito abaixo da inflação.
 

Mas, foi a própria burguesia quem deu o alerta público para um fato que muita gente que trabalha com os recursos do FGTS já sabia faz tempo. Afinal de contas, ela utiliza o dinheiro desse fundo que deveria servir aos trabalhadores. O jornal O Estado de São Paulo divulgou uma tabela gráfica mostrando o fato através de uma simulação. Um trabalhador que, em 1999, tivesse R$ 10 mil e não teve mais nenhum depósito desde então, teria agora, em 2014, um saldo de R$ 19.971,19, corrigidos pelas regras em vigor do FGTS. O valor subiria para R$40.910, 67 se a correção levasse em conta o índice do INPC que mede a inflação. A diferença chega a 100%.
 

De julho de 1999 a fevereiro de 2014, o FGTS reajustou seu saldo em 99,71%, bem abaixo da inflação no período. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), por exemplo, acumula alta de 159,24% até janeiro deste ano, o último dado disponível. Essas regras levaramo FGTS a um desempenho nada animador nos últimos quinze anos. Conforme aponta o jornal Estado de São Paulo:
 

“O saldo do FGTS é atualizado todo dia 10 de cada mês, respeitando a fórmula de 3% ao ano mais Taxa Referencial. Na ponta do lápis, o rombo criado pelo descolamento entre o atual modelo de reajuste e os índices de preços está na casa dos bilhões. Só neste ano, R$ 6,8 bilhões deixaram de entrar no bolso dos trabalhadores, segundo cálculos do Instituto FGTS Fácil, organização não governamental que presta auxílio aos trabalhadores. Em 2013, a cifra chegou a R$ 27 bilhões.
 

A TR é calculada pelo Banco Central e tem como base a taxa média dos Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) prefixados, de 30 dias a 35 dias, oferecidos pelos 30 maiores bancos do País. A redução da taxa básica de juros, a Selic, a partir de 1999, foi diminuindo o valor da TR e fez com que o reajuste do FGTS não conseguisse nem repor as perdas com a alta dos preços da economia.
 

A queda mais forte dos juros promovida no início do governo de Dilma Rousseff só acentuou esse problema. De 2012 para cá, não foi raro o momento em que a taxa ficou zerada.”
 

A malandragem do governo está em reajustar o FGTS pelas taxas dos CDBs bancários que reflete a taxa de juros cobradospelos bancos enquanto que o correto seria reajustar o saldo do FGTS pelos índices que medem a inflação, como o INPC. Cria-se uma situação paradoxal: ao baixar a taxa de juros, de forma modesta como tem feito, o governo alivia o crédito financeiro em um país em que a maioria da população, de uma forma ou de outra, tem dívidas para pagar. Mas, por outro lado deixa o FGTS muito aquém da inflação real. Dessa forma, o governo federal usa o dinheiro dos trabalhadores e paga muito barato pelo uso desse dinheiro.
 

E para onde vão os recursos do FGTS? Para aumentar os lucros dos capitalistas. O fundo é gerido em tese por uma comissão tripartite formada por representantes do governo  federal, dos empresários e dos “trabalhadores” (ilustres desconhecidos). Mas, na realidade é controlado pela Caixa Economica Federal que disponibiliza esses recursos para investimentos na economia. Os recursos do fundo financiam o crédito imobiliário para o trabalhador adquirir a casa própria. Mas, a maior parte é investida na economia capitalista ao invés de investir na área social, na saúde, educação, transportes, que beneficiam a classe trabalhadora. Em 2013, o governo retirou do Fundo R$ 3,1 bilhões para realizar o Superávit Primário e equilibrar a Dívida Pública. O Fundo, através da Caixa Econômica, investe nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que vem sendo utilizado para beneficiar grandes grupos econômicos capitalistas. Foi criado o FI-FGTS, que já tem dois anos de existência, e nele se investe 80% dos recursos do Fundo. 
 

Segundo o jornal Correio Brasiliense: “O dinheiro do trabalhador criou um gigante no setor de infraestrutura e ampliou, indiretamente, o poder do Estado na economia. Com dois anos de operação, o FI-FGTS - criado com recursos do Fundo de Garantia para investir em transportes, energia e saneamento - já detém participação em 15 empresas privadas, além de debêntures de 10 companhias e cotas de 3 fundos.
 

No total, 28 ativos receberam (ou ainda vão receber) quase R$ 17 bilhões desde o início de operação do fundo de investimento, em julho de 2008. Nos próximos meses, mais quatro companhias deverão incorporar essa lista e receber algo em torno de R$ 700 milhões. Outros 20 projetos estão sob a mesa da Caixa, gestora do FI-FGTS, para análise.
 

Embora tenha se tornado um importante instrumento de financiamento do setor, há quem critique a atuação do fundo. Uma das principais preocupações é a qualidade dos ativos que o FI-FGTS financia. No primeiro ano de atuação, os gestores levaram um "puxão de orelha" da Controladoria-Geral da União (GGU), que fez uma série de recomendações.
 

Entre os pontos levantados está o pagamento de taxa de administração considerada acima da média do mercado à Caixa, sobreposição na cobrança de taxa de administração, investimentos em ativos de baixa rentabilidade e a ausência de critérios de risco para aquisição de ativos não cotados em bolsa.
 

Polêmica. Até agora, as operação mais controversas são as participações nas empresas Nova Cibe Energia, do Grupo Bertin (que virou sócio da Hidrelétrica de Belo Monte), e Rede Energia. Ambas passaram por problemas financeiros nos últimos anos. A Nova Cibe é uma espécie de subsidiária da Cibepar, que em 2008 arrematou 21 termoelétricas em leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
 

Com a crise internacional, a empresa não conseguiu apresentar as garantias exigidas na data prevista, o que resultou em multas milionárias (ainda não pagas) e atraso nas obras. As pendências, porém, não foram suficientes para impedir que o FI-FGTS liberasse R$ 240 milhões para a companhia”.
 

Estes são alguns exemplos do uso que está sendo feito pelo governo Dilma dos recursos do FGTS. A direção da Caixa Econômica, gestora do fundo, alega que estes investimentos do FI-FGTS criaram mais de um milhão de empregos diretos e indiretos. No entanto, estes investimentos na área de infraestrutura já contam com o suporte do BNDES. O dinheiro do trabalhador deveria ir para obras públicas de caráter social que beneficiam a classe trabalhadora. O que geraria empregos do mesmo jeito.
 

As centrais sindicais entraram na justiça para que o FGTS seja corrigido de acordo com a inflação. Centenas de brasileiros também entraram na justiça pelo mesmo motivo. Corrigir o saldo do Fundo é importante mas, o dinheiro do trabalhador que está no FGTS deve ser controlado pelos trabalhadores e suas organizações. Oque implica em lutar pela nacionalização e socialização dos sistema financeiro.

Declaração conjunta de jovens comunistas sobre os acontecimentos na Ucrânia

 

Os acontecimentos na Ucrânia são particularmente cruciais e perigosos, em primeiro lugar para o povo e a juventude do país, que estão sendo transformados novamente em vítimas dos intensos antagonismos entre os EUA e a UE com a Rússia para o controle dos mercados, dos recursos naturais e das redes de transporte do país.


A intervenção aberta da UE, dos EUA e da OTAN, a utilização dos grupos e organizações fascistas e do anticomunismo, as perseguições e a proibição de partidos políticos, sobretudo contra os comunistas, as leis racistas que estão sendo preparadas contra a população que fala russo e outras minorias demonstram o caráter dos acontecimentos, descortinam as mentiras sobre o “triunfo da democracia na Ucrânia”.


Os jovens – especialmente na Europa – podem ver com maior clareza a verdadeira face da UE: se trata de uma união dos capitalistas e dos monopólios da Europa e serve a seus interesses, por isso a própria natureza da UE é reacionária. É uma união de intervenções militares, guerras, apoio dos grupos fascistas, do anticomunismo, esta é a sua ideologia oficial. Todos aqueles que cultivam ilusões de que a UE pode transformar-se em uma força de paz e estabilidade a favor dos povos têm grandes responsabilidades.


As Organizações Juvenis Comunistas que assinam este documento:
  • Denunciamos a intervenção da UE-EUA-OTAN nos assuntos internos da Ucrânia, o apoio direto que prestam aos grupos fascistas armados e as ameaças de uma intervenção militar estrangeira.
  • Expressamos nossa solidariedade com os comunistas da Ucrânia. Denunciamos as perseguições e as tentativas de proibir o Partido Comunista da Ucrânia.
Os jovens da classe operária e de extração popular não devem cair na armadilha dos dilemas nacionalistas escolhendo um lado entre os antagonismos daqueles que querem explorá-los. Pelo contrário, os jovens têm interesse na organização e na luta ao lado da classe operãria, para abrir seu próprio caminho: o caminho da luta a favor de nossas necessidades atuais, para que a riqueza esteja nas mãos daqueles que a produzem, para que nos livremos das uniões imperialistas e seus antagonismos.
  1. Juventud Comunista de Austria KJOe
  2. Unión de Jóvenes Comunistas Brasil UJC
  3. Juventud Comunista Avanzando Brasil JCA
  4. Liga Juvenil Comunista de Bretaña YCL Britain
  5. Juventud Comunista de Bolivia JCB
  6. Liga Juvenil Comunista de Canadá YCL Canada
  7. Juventud Comunista República Checa
  8. EDON Chipre
  9. Juventud Comunista Colombiana - JUCO
  10. Jóvenes Socialistas de Croacia
  11. Jóvenes Comunistas de Dinamarca Ungkommunisterne i Danmark
  12. Juventud Comunista de Ecuador JCE
  13. Colectivos de Jóvenes Comunistas de España – CJC
  14. Unión de Juventudes Comunistas de España - UJCE
  15. Jóvenes Comunistas de Francia MJCF
  16. Juventud Obrera Socialista Alemana - SDAJ
  17. Liga Juvenil Comunista de Georgia YCL Georgia
  18. Juventud Comunista de Grecia KNE
  19. Frente Izquierda de Hungría Baloldali Front
  20. Frente de Juventud Comunista de Italia FGC
  21. Movimiento Juvenil “Connolly” de Irlanda CYM
  22. Liga de Juventud Comunista de Mexico
  23. Jóvenes Comunista de Noruega – UngKom i Norges
  24. Juventud Comunista Paraguaya JCP
  25. Juventud Comunista Peruana - JCP
  26. Juventud Comunista Portuguesa JCP
  27. Liga de Juventud Comunista Revolucionaria (bolcheviques) Russia – RKSMb
  28. Union de Juventud Comunista Siria - Juventud Khaled Bagdash
  29. Liga Juvenil Comunista de Yugoslavia (Serbia) – SKOJ
  30. Juventud Comunista de Venezuela - JCV

114 anos de nascimento de Gregório Bezerra

 

Roberto Arrais*

Hoje faria ele 114 anos de sua data de nascimento, ele que teve em sua trajetória, por conta de sua luta em defesa dos trabalhadores do campo e da cidade, 23 anos de cadeia, 15 anos de atividades clandestinas, 7 de semi clandestinidade e 10 anos de exílio. Foram 55 anos de luta em condições extremamente adversas, onde 28 anos foram parte de sua infância e adolescência, trabalhando desde os 4 anos de idade, com a enxada no campo, como empregado doméstico, como vendedor de jornais, carregador de fretes, como pedreiro, soldado e sargento do exército, 2 anos como deputado federal constituinte de 1945 a 1947, tendo sido cassado e logo depois preso, sofrendo acusações mentirosas promovidas pelos fascistas da época. Mesmo diante de todas as adversidades, ele nos deixou lições de amor e solidariedade ao povo e aos que lutam, dizendo até em resposta a um repórter sobre o que faria com o seu torturador, caso tivesse oportunidade de tomar e poder para decidir: "Que não desejava mal a ele, porque ele era um instrumento do sistema, deveria responder pelos crimes que cometeu, mas raiva e rancor não guardavam nem dele nem de ninguém individualmente, porque não lutava contra pessoas, mas contra o sistema capitalista que esmagava e oprimia os trabalhadores".


Gregório era extremamente corajoso, um abnegado militante do PCB, onde militou por cerca de 50 anos, era disciplinado, cuidadoso, coerente e cumpria com zelo e responsabilidade as tarefas que lhes eram delegadas. Sua vida foi de uma dedicação extraordinária, até os seus últimos dias de vida, manteve sempre a alegria e a determinação da defesa intransigente dos interesses das lutas dos trabalhadores do Brasil e do mundo, tendo um olhar mais forte sobre a situação dos camponeses, onde estavam fincadas suas raízes, como filho da área rural do município de Panelas em Pernambuco.
Gregório continua inspirando com seu legado a luta por um mundo melhor, mais justo e igual, um mundo socialista. Gregório Bezerra continua presente através das lutas dos revolucionários e comunistas do Brasil e do mundo.


Disse o Poeta Ferreira Gullar sobre Gregório: “Mas existe nesta terra / muito homem de valor / que é bravo sem matar gente / mas não teme matador / que gosta de sua gente / e que luta a seu favor / como Gregório Bezerra / feito de ferro e de flor”.

*PCB de Pernambuco