Avante Bancário

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Dilma, a garota propaganda de Eike Batista

  Paulo Schueler*
Em evento promovido pelo empresário Eike Batista, a presidente Dilma Rousseff afirmou que a Petrobras tem a ganhar se fizer parcerias com a OGX, empresa de petróleo e gás de Eike. Segundo Dilma, "ambas podem ganhar muito com uma parceira entre elas. Estou certa que a OGX tem uma grande contribuição na produção de petróleo offshore no Brasil". Haja óleo de peroba.


Dilma chegou ao ponto de vestir a jaqueta de uma empresa concorrente da “estatal” Petrobras, em agrado a Eike, posando para fotografias que servem para ilustrar as denúncias do ex-diretor de Gás e Energia dapetrolífera comandada pelo governo, Ildo Sauer.


Para Sauer, há favorecimento por parte do Governo, do Partido dos Trabalhadores e da presidente da República ao conglomerado do empresário, inclusive com dilapidação do patrimônio da Petrobras.


Essa teia de interesses teria se acelerado a partir da descoberta do pré-sal. Assessorado por José Dirceu (ex-ministro de Lula), Pedro Malan e Rodolpho Tourinho (ex-ministros de FHC), Eike contrata profissionais da Petrobras que detinham informações mais que privilegiadas sobre a geologia das bacias petrolíferas e de todas as descobertas e estudos sobre as bacias.


Informações que podem ter custado até R$ 2 bilhões em pesquisa e desenvolvimento de tecnologia da Petrobras - uma empresa cujo número de empregados está próximo a 400 mil enquanto todo o conglomerado EBX, em seu site, afirma ter “20 mil postos de trabalho de trabalho gerados pelos empreendimentos do grupo”.


Grupo que tem na OGX, seu braço petrolífero, uma das “jóias da coroa”, fonte importante da atual conta bancária de Eike e de seus “assessores” e/ou “consultores”. Lembremos de declaração recente de Sauer para a Revista da Adusp:
Hoje ele [Eike] anuncia ter 10 bilhões de barris já, que valem US$ 100 bilhões. Até então, esse senhor Batista era um milionário, tinha cerca de US$ 200 milhões. Todo mundo já sabia que o Pré-Sal existia, menos o público, porque o governo não anunciou publicamente.


Mas como a OGX foi criada e qual sua relação com a descoberta do pré-sal? Voltemos ao ex-diretor, agora em entrevista ao portal Terra:
A partir de 2007, a empresa OGX foi formalmente constituída. Progressivamente, a partir do primeiro momento, o gerente-executivo mais importante, que detinha toda a estratégia da Petrobrás e o acesso a todos estudos que custaram de R$ 200 milhões a R$ 2 bilhões para marcar a geologia de todas as bacias petrolíferas brasileiras, e uma equipe que chegou depois de 10 a 15 pessoas foi saindo. Este primeiro que saiu é o atual presidente da empresa...


[Ildo faz referência a Paulo Mendonça, que trabalhou por mais de 30 anos na Petrobras e lá chegou a gerente executivo de toda a área de Exploração da Petrobras. Sob sua gerência, a Petrobras fez descobertas de mais de 10 bilhões de barris e 50 novos campos, incluindo o Pré-sal, nas bacias de Santos, Campos e Espírito Santo].


Eu separo as responsabilidades em dois grupos: primeiro, a responsabilidade estratégica e política é do presidente da República [Lula] e da chefe da Casa Civil [Dilma] que dava orientação para a ANP. Essa responsabilidade é irrecorrível.


... Lula determinou a retirada de 41 blocos premiados no entorno de Tupi e manteve o leilão [9º rodada de leilões da ANP, ocorrida em novembro de 2007], quando então essa nobre empresa [OGX] conseguiu arrematar por R$ 1,5 bilhão os blocos. Em seguida, se lançou em programas de captação de dinheiro para pagar essas contas. Onze meses depois de criada, ela fez um IPO [abertura de capital] aqui na Bolsa de São Paulo e arrecadou R$ 6,7 bilhões pela venda de 38% do seu ativo que era a equipe vinda da Petrobras e os blocos leiloados por generosidade para manter o leilão do governo."


Tantas benesses fizeram da OGX a maior empresa privada do setor do Brasil, com 35 blocos exploratórios (30 no Brasil e cinco na Colômbia). Mais de 80% de seu portfólio está localizado em águas rasas ou em terra, com custos reduzidos de exploração e produção. Uma tremenda doação dos governos petistas ao empresário.


O fato de Dirceu, Malan e Tourinho terem passado informações estratégicas a Eike não é de se estranhar. Sobre eles, cabe a citação do saudoso Barão de Itararé: "O homem que se vende recebe sempre mais do que vale".


Eike, aliás, tem "fontes" primorosas: seu pai foi nada mais nada menos que ministro das Minas e Energia, e depois presidente da Vale durante a sinistra Ditadura Militar. Teve, enfim, enormes facilidades para construir sua fortuna e se tronar o bilionário mais querido (por quem busca doações eleitorais) do país!


Por isso o estupor com as declarações de Dilma. Já não basta o que foi espoliado da Petrobras? O Palácio do Planalto é serviçal de Eike em sua jornada para se tornar o homem mais rico do mundo? Não cabe ainda maisentreguismo a financiar delírios de grandiloquência do playboy de cabelo acaju.


Por isso cabe a pergunta: é a Petrobras ou são alguns próceres dos altos escalões da República, futuros "consultores" de Eike, que têm a ganhar com essa "parceria"? Responda, presidente.


*Paulo Schueler é membro do Comitê Central do PCB

Fonte:pcb.org.br

Pedro Simon diz que CPI do Cachoeira não está querendo investigar nada


O senador Pedro Simon (PMDB-RS) afirmou em Plenário, nesta quinta-feira (17) que a CPI do Cachoeira está fazendo investigações apenas “de mentirinha”. Para ele, a decisão tomada na reunião desta quinta, de investigar apenas a empresa Delta Centro-Oeste, mas não suas filiais em outros estados, e de não convocar governadores para depor demonstra claramente o controle rigoroso que o governo federal mantém sobre os rumos das investigações, impedindo o seu aprofundamento.


Simon disse que, mesmo tendo a Polícia Federal e a Procuradoria Geral da República entregado ao Congresso as investigações praticamente concluídas, inclusive com denúncia de mais de 80 pessoas, a CPI está engavetando vários requerimentos de convocação de envolvidos.


— Pela primeira vez na história, o que nunca conseguimos nesta Casa — que é fazer uma CPI com empreiteira, ou seja, com o corruptor — foi conseguido. E a CPI já veio pronta. A Delta já está ali provada, comprovada, tudo pronto e resolvido, mas a CPI está tirando fora — lamentou.


Simon questionou ainda a venda da empreiteira Delta para o grupo J&F, detentor do frigorífico JBS. Ele considerou um absurdo o fato de uma empresa como a Delta, denunciada por fraudes, corrupção e superfaturamento, ter sido vendida a um frigorífico no qual o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem 31% de participação no capital.


O parlamentar manifestou também o seu descontentamento com o fato de a CPI não estar realizando o seu trabalho com independência e autonomia, mas sim tendo suas principais decisões sendo tomadas previamente por líderes partidários da base governista.


— É impressionante. Nós somos quase, eu diria, marionetes, principalmente no Senado, onde quatro ou cinco pessoas fazem o que acham que deve ser feito, e nós vamos atrás. O destino da CPI foi traçado em uma reunião a portas fechadas entre fulano, fulano, fulano e fulano. Eles disseram o que deve ser feito; o resto, todo nós estamos fazendo de mentirinha. Este é o Congresso. Cadê a independência? Cadê a autoridade? Cadê a capacidade? — indagou.


Em apartes, os senadores Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e Roberto Requião (PMDB-PR) manifestaram seu apoio ao pronunciamento de Pedro Simon. Cássio Cunha Lima considerou “escabrosa” a venda da Delta imediatamente após o seu presidente, Fernando Cavendish, ter anunciado que estava quebrada. Já Requião observou que o argumento utilizado por parlamentares governistas da CPI de que a Delta não pode ser investigada em nome da continuidade das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é tão infundado quanto o do “risco da estabilidade do sistema financeiro”, usado pelo governo federal em 1997, após as investigações a CPI dos Precatórios, para blindar bancos envolvidos em irregularidades.


Agência Senado

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A verdadeira verdade

“A força pode esconder a verdade, a tirania pode impedi-la de circular livremente, o medo pode adiá-la, mas o tempo acaba por trazer a luz. Hoje, esse tempo chegou”. As palavras são da presidente Dilma Roussef na instalação da Comissão da Verdade, realizada na quarta-feira em solenidade em Brasília.

Bom, se o que a presidente diz é verdade, cabem algumas perguntas: a verdade chegou para quem? Chegou para punir os assassinos, os torturadores, os maus militares, os péssimos brasileiros e os empresários que apoiaram um regime de exceção?

A verdade é imprescindível. Tão imprescindível que é preciso dizer a verdade naquilo que mais prejudica o povo brasileiro: uma política econômica voltada para beneficiar o capital, uma política econômica direcionada para os rentistas que lucram 47% do Orçamento da União em detrimento da esmagadora maioria dos brasileiros.

É triste ver nosso país, uma das piores distribuições de renda de todo o planeta, direcionar nossa produção para encher os cofres de pessoas desqualificadas, desqualificadas ao ponto de não poderem ser tratadas como seres humanos. Os qualificaria como hienas, mas não o faço em respeito ao animal.

Os três governos petistas aliaram-se ao capital, submeteram-se ao capital apenas pelo Poder, por tudo que ele propicia. Será alguém capaz de apontar a verdade nas suas ações e nas ações dos seus aliados que não seja em detrimento do povo brasileiro?

O capitalismo no Brasil já está em sua fase superior, portanto partícipe ativo do imperialismo. Não há mais espaço para alianças com a burguesia, que há muito deixou de ser nacional. Não há mais espaço humanitário para se aliar ao que existe de mais retrógrado na sociedade: a sanha pelo lucro.

Se é a verdade que a presidente defende e quer, que ela propugna, pois então pratique-a: rompa suas alianças com o mais nocivo existente na história da humanidade e dê os braços ao povo, pois ele merece, afinal é quem trabalha, quem sustenta o país.

Esse mesmo povo merece muito mais que as esmolas oriundas de um Bolsa-Família. Faça um governo de verdade, presidente. Seja verdadeiramente uma presidente do Brasil, não uma mera gerente do capitalismo em nosso País.

Afonso Costa
Jornalista

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Caixa e BB não têm os menores juros mesmo com cortes, diz BC

Mesmo com a série de cortes agressivos de juros anunciados desde o mês passado, os estatais Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal não têm as menores taxas do mercado, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira pelo Banco Central.

A autoridade monetária apresentou uma tabela com taxas médias praticadas no mercado por instituições financeiras em quatro linhas para pessoas físicas (cheque especial, CDC, compra de veículos e compra de bens) e cinco para empresas (desconto de duplicatas, capital de giro prefixado, conta garantida, compra de bens e capital de giro flutuante).

O período da pesquisa foi de 19 a 25 de abril, após o início da primeira rodada de redução de juros de Caixa e BB, em meio aos esforços do governo para tentar forçar a queda dos spreads, a diferença entre o preço que os bancos pagam para captar recursos e o que cobram de clientes.

Em uma das linhas divulgadas pelo BC, a de conta garantida, o BB aparece como dono da trigésima melhor taxa, num ranking com 38 instituições.

No cheque especial para pessoas físicas, a melhor taxa mensal colhida pelo BC foi a do Banco Prosper, de 2,11% ao mês. A pior, do trigésimo primeiro, foi a do Santander Brasil, em 10,34% ao mês.

A melhor taxa do crédito pessoal, segundo o BC, foi do Banco BVA, com 0,73% ao mês. Caixa e BB apareceram com a décima terceira e trigésima segunda melhores taxas, respectivamente, de um total de 91 instituições consultadas, nesse caso.

Bancos de montadoras ofereceram as cinco melhores taxas para financiar a compra de veículos, à frente do BB. Nessa linha, a Caixa teve a vigésima terceira taxa mais atrativa, atrás de Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil.

A Caixa ofereceu apenas a trigésima primeira melhor taxa, de um total de 38, para aquisição de bens.

Ambos os bancos públicos têm sustentado que as taxas menores que têm oferecido são dirigidas a clientes com os quais têm maior relacionamento. Em várias das linhas, os juros mais baixos exigem como contrapartida que os clientes tenham conta corrente no banco. O argumento é que esse modelo permite ao banco manter maior controle sobre a inadimplência.

Fonte: folha.com

 

Contraf chama mobilização contra abertura de agências da Caixa neste sábado

A Caixa Econômica Federal comunicou a Contraf-CUT, na última sexta-feira (4), que manterá decisão de abrir as 500 principais agências em todo o Brasil neste sábado (12). O banco decidiu manter a decisão, mesmo após a Contraf-CUT ter questionado o anúncio da abertura. "Esta é uma decisão ilegal e inadmissível. Não vamos ficar quietos", afirma Plínio Pavão, diretor da Contraf-CUT.

No mesmo dia do anúncio, o Comando Nacional dos Bancários, reunido na sede da Contraf-CUT, em São Paulo, repudiou a iniciativa da Caixa e orientou os sindicatos de todo o país a denunciar a medida junto às Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego (SRTE) e demais órgãos competentes.

A Contraf-CUT já tinha se reunido no dia 26 de abril com o diretor de Recursos Humanos da Caixa, Nelson Antônio de Souza, em Brasília, quando manifestou posição contrária à abertura das agências. Na ocasião, a Caixa alegou que, com a política de redução dos juros, a abertura nesse dia seria mais uma oportunidade para a sociedade conhecer a nova política de crédito da instituição e receber orientações sobre aplicações financeiras.

Apesar de o movimento sindical apoiar a queda dos juros, a abertura de agências da Caixa num sábado não se justifica. "Se o banco entende que os empregados atuais não são suficientes para dar conta das demandas criadas pela redução das taxas de juros, deve contratar novos trabalhadores, e não aumentar a sobrecarga de trabalho, piorando o atendimento aos clientes", defende o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro.

A medida da Caixa parece estar mais para uma ação de marketing do que para uma prestação de serviços à sociedade. "Não vemos necessidade. Temos a preocupação de que a estratégia se repita. É uma questão que precisamos combater", conclui Plínio.

Desta forma, a Contraf-CUT chama mobilização nacional dos sindicatos para combater essa ofensiva da Caixa que agride o direito ao descanso dos bancários.

Fonte: Contraf-CUT

terça-feira, 8 de maio de 2012

O legal e o justo na defesa de Cachoeira

Como pode Márcio Thomaz Bastos atuar como defensor de Carlinhos Cachoeira?
por Jair de Souza
Muita gente não consegue entender certos casos na área jurídica. Por exemplo, todos conhecíamos a trajetória de Luiz Eduardo Greenhalgh como um militante progressista, totalmente envolvido com a luta de nosso povo por conquistar uma sociedade mais justa. Greenhalgh se destacava na defesa dos perseguidos políticos vítimas da ditadura militar, dos camponeses sem terra, e de muitos outros lutadores do campo popular. De repente, nos deparamos com Luiz Eduardo Greenhalgh como advogado de defesa de ninguém menos que Daniel Dantas. É possível isso?

Trajetória algo parecida (não tão comprometida com o campo popular como a de Greenhalgh, é verdade) encontramos em Márcio Thomaz Bastos. O ex-Ministro da Justiça do governo de Lula costuma ser mencionado como um paradigma da correção judicial em nosso país. E agora, eis que nos deparamos com o mesmo Márcio Thomaz Bastos empenhado na defesa do bandido e editor da Veja, Carlinhos Cachoeira. Outra vez, vem-nos a pergunta: é possível tal coisa?

Para começar a responder a tal indagação, devemos deixar muito claro que, em qualquer país que queira considerar-se minimamente democrático, o direito de defesa para todo e qualquer cidadão que esteja sendo acusado de algum delito deve ser respeitado e garantido por todas as instituições do Estado. Isto não deveria jamais ser questionado por ninguém que queira considerar-se democrata.

Sendo assim, não há nenhum impedimento legal para que Luiz Eduardo Greenhalgh atue como defensor do poderoso banqueiro Daniel Dantas, e nem para que Márcio Thomaz Bastos apareça como o arquiteto da defesa jurídica do bandido e editor da revista Veja, Carlinhos Cachoeira.

Então, se não há nada a questionar em termos legais, esses advogados não deveriam manter junto a nós o prestígio e o respeito que tinham até pouco tempo atrás? Bem, esta é outra história completamente diferente. Quando esses profissionais do direito aceitam tais incumbências voluntariamente (eles não são defensores públicos que estão obrigados legalmente a prestar assistência jurídica a qualquer acusado que não disponha de defensor particular), via de regra, eles não as estão assumindo por uma questão de convicção na inocência do acusado ou por solidariedade ao mesmo em razão da justeza da causa em que estão envolvidos.

Durante o período da ditadura militar, vários advogados corajosos atuavam sem descanso para tentar pôr em liberdade ou suavizar as penas dos perseguidos políticos. Muitas vezes, eles tinham de se esforçar para provar que os acusados não tinham feito o que de fato tinham feito. Por exemplo, a lei da ditadura proibia que as pessoas se reunissem para fins de organização de partidos políticos, e várias pessoas foram detidas e acusadas desse delito. Todos sabíamos (especialmente os advogados defensores) que a acusação era verdadeira, mas nós defendíamos a atuação dos advogados e ficávamos felizes quando alguma vitória era conseguida, ou seja, quando conseguiam provar que o acontecido não tinha acontecido. E por que nos comportávamos assim? Simplesmente, porque considerávamos que a causa era justa e o condenável era a lei e não o que haviam feito os acusados. Ou seja, fazíamos a diferença entre o legal e o justo. Agora, eu me pergunto, os feitos de Daniel Dantas ou os do bandido editor da Veja, Carlinhos Cachoeira, podem ser considerados como moralmente justos, sendo a lei com a qual eles estão sendo acusados a verdadeira condenável?

Eu estou seguro (e creio que todo mundo está) de que tanto Luiz Eduardo Greenhalgh como Márcio Thomaz Bastos sabiam/sabem que seus defendidos realmente praticaram as ofensas legais pelas quais estavam/estão sendo acusados. Sendo assim, a única justificativa para que eles assumam a tarefa que decidiram assumir é o pagamento que receberiam como recompensa, ou seja, o dinheiro. Em outras palavras, eles estão agindo plenamente dentro da lei, mas motivados tão somente pelo dinheiro. Dedicaram/dedicam seus esforços para impedir que poderosos exploradores do povo brasileiro sejam punidos.  Não há como negar que eles têm este direito. A condenação aqui é moral, não legal. Pessoas que se dispõem a fazer uso de sua habilidade e de seu conhecimento voluntariamente para defender verdadeiros inimigos do povo não podem merecer nenhum apreço e boa consideração por parte daqueles que almejam alcançar uma sociedade onde impere a justiça e a igualdade. Agem dentro da lei, mas contra os interesses do povo. Devemos deixar que os elogios e alabações a esses profissionais do direito venham daqueles a quem eles estão servindo.


domingo, 6 de maio de 2012

A Economia Política versus a ignorância mercadológica

A Economia Política é uma ciência e como tal deve ser tratada, entendida e respeitada. É lamentável que uma certa jornalista pretendente a opinar sobre Economia desconheça conceitos e dados fundamentais para o público saber o que realmente ocorre.

Por mais que Adam Smith tenha escrito o primeiro livro especificamente sobre tal ciência, é David Ricardo o verdadeiro mentor intelectual da ciência Economia Política.

Qualquer um que tenha um mínimo entendimento dessa ciência sabe que negócios são apenas parte de um todo muito maior, cujos agentes determinantes são os entes econômicos, entendidos enquanto Estado, iniciativa privada e trabalhadores, sendo a relação entre os dois últimos o divisor de águas.

O BNDES já há algum tempo não é mais um banco de desenvolvimento econômico, mas sim um financiador de grandes projetos privados, na sua grande maioria em detrimento da população. Os juros obtidos pela iniciativa privada junto ao BNDES, em comparação com a taxa de juros oficial, garantem margens de lucros altíssimas para a iniciativa privada, independente das verdadeiras inversões realizadas nos negócios contratados junto ao banco.

Apesar dos recursos do BNDES serem oriundos dos trabalhadores, de impostos, portanto imposições, não há qualquer garantia para os mesmos nos contratos firmados com a EBX da vida. Os legítimos defensores dos direitos dos trabalhadores, não os associados ao capital, defendem que para assegurar empréstimos e/ou investimentos públicos é necessário que o público seja beneficiado, tanto a população em geral quanto os trabalhadores em particular, os principais financiadores desses recursos.

Criticar a ‘onda estatizante’ ocorrida na América Latina é desconhecer esse preceito básico existente entre investidor e beneficiado. Mais ainda, é não enxergar o crescimento econômico ocorrido nos últimos anos, superior a de qualquer outra região do planeta. Particularmente os países que são mais atacados pela grande mídia, são justamente aqueles que conseguiram melhor desempenho econômico e mais benefícios à população e aos trabalhadores. As taxas de desemprego também são infinitamente menores que as da Europa e dos EUA, regiões a conviver com uma crise que se estende desde 2008 e que a curto prazo não apresenta nenhuma perspectiva de solução.

Argentina, Equador, Bolívia e Venezuela hoje são o carro-chefe da economia da América do Sul, apesar do Brasil obviamente ser a economia mais forte da região. A Bolívia e a Venezuela, em particular, conseguiram o que poucos países no mundo alcançaram: erradicar o analfabetismo.

Cabe destacar que os ataques aos países que fortalecem o Estado em detrimento da iniciativa privada são contraditórios quanto em comparação com os países em crise. Na Europa e nos EUA o famigerado ‘mercado’ levou-os à bancarrota, mas quem paga a conta são os estados nacionais, a população e o trabalhadores em particular.

O falso argumento de que as nacionalizações e estatizações afastam os investidores não se sustenta, na medida em que o crescimento econômico responde por inversões superiores às do tal ‘mercado’, que normalmente aplica em setores estratégicos, portanto com demanda garantida, ou apenas na especulação por conta das políticas recessivas e extremistas do Banco Mundial e do FMI.

Negar o papel do Estado na economia é fazer coro com o Goldman Sachs e outros congêneres, hoje dominantes em uma Europa que eles mesmos afundaram.

Até quando se pretende esconder a verdade?

Afonso Costa
Jornalista