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domingo, 30 de abril de 2017

A saída esta nas ruas

 O dia 28 de abril de 2017 entrou para a história do Brasil. Desde a luta pelas “Diretas Já” e pelo impeachment de Collor a classe trabalhadora e a juventude não se uniam e iam às ruas com tamanha dimensão, com marcante presença em todo território nacional. Em todas as capitais dos estados e no Distrito Federal, assim como nas grandes cidades, ocorreram greves, manifestações, atos públicos. As ruas foram nossas.

É amplamente majoritária na sociedade a repulsa às reformas trabalhista e da Previdência encaminhadas às pressas por um governo ilegítimo, alçado ao poder para implantar um programa fracassado em todos os países onde predomina, como Espanha, Portugal, Grécia, Argentina etc.

Ao contrário das manifestações de 2013 e as que levaram ao golpe contra a democracia, não estavam presentes as camisas amarelas da CBF, parlamentares corruptos, integrantes da elite e suspeitas organizações semiclandestinas. Foram os sindicatos, suas centrais, suas organizações, movimentos, os partidos de oposição e as entidades estudantis e da juventude que convocaram e mobilizaram esse dia histórico.

O governo sentiu o golpe. O presidente ilegítimo tentou desdenhar e minimizar a força das manifestações, mas à noite apareceu em entrevista num canal de televisão. Uma tentativa de reação pré-programada. A mídia empresarial, como sempre, evitou falar na greve e sua motivação o quanto pode, até ser empurrada pela força das manifestações. O prefeito da maior cidade do País chegou a taxar os trabalhadores e estudantes de “vagabundos”, enquanto o ministro da Justiça apelava para “o direito de ir e vir”. Tentaram de tudo para esvaziar e desacreditar a luta dos trabalhadores, inclusive soltando a Polícia Militar como verdadeiros cães de guerra contra os manifestantes.

Além da repulsa às propostas do governo, a unidade dos trabalhadores foi decisiva para o êxito das manifestações. É a principal lição que fica dessa data, pois é o único caminho a seguir.  Outra greve virá, provavelmente mais forte, mas sem ilusões: a burguesia tentará cooptar lideranças sindicais, atuará mais contundente na mídia empresarial, buscará desacreditar de todas as formas a legitimidade dos trabalhadores, ao mesmo tempo em que deverá acelerar no congresso a votação das suas contrarreformas.

Diante desse quadro, é urgente uma verdadeira reorganização da classe trabalhadora brasileira. Uma discussão ampla e unitária sobre os próximos passos, mas também para formular um projeto de poder alternativo ao da burguesia, que só poderá ser construído através da luta dos trabalhadores.  É impensável ter ilusões com as eleições de 2018, não será através das urnas que o Brasil alçará as modificações que necessita. A saída está nas ruas.

Afonso Costa
Jornalista

quinta-feira, 27 de abril de 2017

O Sorriso dos Canalhas

 Um velho dito popular afirma: “Quem ri por último, ri melhor”. Esses crápulas estão rindo na cara do povo trabalhador. O projeto de reforma trabalhista, enviado por Temer para favorecer os grandes empresários, foi aprovado na Câmara dos Deputados. Mas a última palavra poderá não ser desse covil dominado por políticos de aluguel, em sua maioria investigados, indiciados e processados por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e etc.
 
As ilusões com as instituições apodrecidas dessa democracia burguesa vão aos poucos se desfazendo, cresce a indignação e a consciência de que é necessário e urgente construir uma alternativa ao poder dos exploradores do povo. A Greve Geral e as manifestações convocadas para esse 28 de abril são um passo importante nesse sentido.     
 
O sucesso da greve poderá arrancar esses sorrisos canalhas do nosso caminho. 

OPERAÇÃO DESMONTE NO BANCO DO BRASIL

 
POPULAÇÃO MAIS POBRE E FUNCIONÁRIOS SÃO OS MAIS PREJUDICADOS

O grande Capital ordena e os seus governos cumprem.
 Para cumprir a tarefa que os Bancos e o grande capital lhe incumbiram, o impopular governo do "Draculesco" Michel Temer acelerou o movimento de desmonte do BB iniciado no governo Dilma. Centenas de agências foram fechadas, outras mais o serão, milhares de funcionários perderam as suas comissões, com perdas enormes nos seus vencimentos e outros tantos (cerca de 9 mil) saíram graças a um incentivo à aposentadoria.
 
Objetivo está cada vez mais claro: PRIVATIZAÇÃO!         
À medida que se definem as agências remanescentes nos bairros, fica evidente a mentira de que a implantação das agências digitais e agências PJ e PF não se trata, pura e simplesmente, de um desmonte. Em alguns bairros sobrou apenas uma agência do BB enquanto que os outros três grandes privados contam com três ou mais agências, são bairros de grande movimento de pessoas e com grande concentração de empresas.
 
Este exemplo deixa bastante claro que a intenção é a destruição deliberada do Banco do Brasil. Aliás, esta estratégia tem sido aplicada de forma recorrente quando se pretende privatizar estatais: Primeiro destrói-se por dentro para depois poder justificar a privatização!
 
Gestão temerária destrói o Banco, beneficia grande capital e culpa o funcionalismo.
Não é de hoje que o BB vem sendo usado para garantir o lucro de grandes grupos econômicos.  O BB comprou 49% do Banco Votorantim, aportando mais de 4,9 bilhões, numa operação que capitalizou a família do empresário Antônio Ermírio de Moraes e causou um prejuízo ao longo de quatro anos passou dos três bilhões. Mais recentemente, explodiu a inadimplência do grupo OGX que gerou quase 548 milhões de prejuízo em operações do “insuspeito” Eike Batista afiançadas pelo Banco Votorantim/BB (2). 
A sete Brasil “explodiu” a PCLD do Banco em 2015 com outro calote bilionário (3).
A irresponsabilidade da alta cúpula do BB  gerou prejuízos enormes e suas diretrizes jogaram nas costas do funcionalismo a responsabilidade pela recuperação do enorme impacto na PCLD, gerando mais assédio e cobrança. O resultado da estratégia "genial" dos dirigentes do BB foi uma queda nos lucros em relação a 2015 da ordem de 60%.
Filas enormes, funcionários superexplorados.
 
O plano de agências digitais, agências de negócios PJ e PF, gerou milhares de descomissionamentos, centenas de agências fechadas, aumento da carga de trabalho, piora  nas condições de trabalho e uma penalização ainda maior dos clientes, sobretudo os mais pobres, que são os que mais precisam das agências. O caos total que se instalou nas agências remanescentes já se faz sentir. Em meio a tudo isso, o banco ainda está cobrando a melhoria do atendimento com a diminuição das reclamações dos clientes na ouvidoria e no BACEN. Como se fosse possível melhorar o atendimento obrigando funcionários que já eram sobrecarregados a se desdobrarem para suprir a falta dos colegas transferidos, aposentados ou descomissionados.  
    
O Banco ataca e o Sindicato se esconde.
            Diante do que se configura no maior ataque ao funcionalismo do BB que se tem notícia, o Sindicato dos Bancários do Rio, seguindo orientação da CONTRAF, sequer convocou uma assembleia específica. Os funcionários foram deixados a mercê das (des)informações do Banco e sem a possibilidade de discutirem, em assembleia, alternativas para organizar a resistência.
Resistir é preciso. O caminho é a organização coletiva.
            Os funcionários que contribuíram para os resultados espetaculares do BB nos anos recentes, hoje estão sendo humilhados, forçados a bater de porta em porta para manterem as comissões, sem sucesso. É hora nos conscientizarmos de que não existe salvação individual diante desses ataques.
            Nós da UNIDADE CLASSISTA fazemos um chamado a todas e todos os colegas do BB à unidade de ação contra essas medidas covardes do banco. E para começarmos a preparar a nossa contraofensiva é preciso que o sindicato convoque urgentemente uma assembleia específica do BB para iniciarmos um forte movimento de resistência.
Assembleia específica do BB Já!
Restituição das comissões!
Reabertura das agências fechadas!
Concurso público para reposição de vagas!

NA CAIXA, MENOS EMPREGADOS E MAIS SUFOCO!

 
O que 2017 tem trazido até agora para os empregados da Caixa? De bom, NADA.           

Começamos o ano com um PDVE que reduziu ainda mais a quantidade de funcionários da Empresa – e a direção da Caixa já deixou claro que não haverá reposição dessas vagas. Mas por outro lado o volume de trabalho só aumentou, especialmente após a liberação dos saques das contas inativas do FGTS. Em português claro, o governo ilegítimo do Usurpador “Fora Temer” quer “fazer um agradinho” aos trabalhadores com a liberação do FGTS e os empregados da Caixa pagam a conta, trabalhando aos sábados e se esfalfando pra atender uma quantidade enorme de gente a semana inteira!
 
E qual o “reconhecimento” com que a Caixa retribui a dedicação de seus empregados? Só mais descaso e ataques: uma “2ª parcela da PLR” que mais parece ajuda de custo ou Bolsa Família (“resultado” de um fechamento de balanço ultra mal explicado) e a cruel e desastrada tentativa de aumentar a mensalidade do Saúde Caixa!
 
Pra piorar ainda mais o que já estava ruim, a FUNCEF não atualiza o valor do saldo das contas do Novo Plano desde janeiro de 2017, porque seu investimento na Eldorado está na mira da Polícia Federal (na chamada Operação Greenfield, que investiga investimentos suspeitos e danosos dos fundos de pensão). Resultado: os colegas que saíram no PDVE e querem resgatar o saldo do Novo Plano não conseguem fazer o resgate, pois os resgates estão SUSPENSOS SEM PREVISÃO!
 
Nada disso é à toa ou “fato isolado”. Claramente, a administração Gilberto Occhi está fazendo o mesmo que as diretorias do BB e da Petrobrás: enfraquecendo as estatais por dentro para permitir sua privatização!
 
Numa situação dessas, não podemos ter um “Sindiquieto” como estamos vendo aqui no Rio. Não basta chamar “plenárias” sem poder de deliberação: precisamos deflagrar uma campanha massiva de defesa da Caixa e dos direitos dos empregados, contra os ataques e a ameaça de privatização.
 
Nós da UNIDADE CLASSISTA fazemos um chamado a todas e todos os colegas da Caixa à luta contra a exploração dos empregados e o desmonte da Caixa. Para isso, é preciso que o Sindicato convoque urgentemente uma assembleia específica da Caixa onde possamos decidir os rumos da luta de resistência.

Assembleia específica da Caixa Já!
Convocação imediata dos concursados!
                                                                              Não à privatização!           
 

domingo, 9 de abril de 2017

Fórum das Centrais convoca paralisação nacional para 28 de abril


Reunidos na cidade de São Paulo na última segunda-feira (27), representantes das Centrais Sindicais discutiram a construção de uma agenda comum de resistência às contrarreformas em curso no Congresso Nacional. Membros da Coordenação Nacional da Unidade Classista estiveram presentes para acompanhar a reunião.

Apesar das profundas divergências políticas em relação ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, a natureza do governo Temer e o próprio papel do movimento sindical no atual momento, os dirigentes das Centrais chegaram a alguns consensos.
Todos avaliaram de forma positiva as atividades realizadas em 15 de março, dia nacional de paralisações. Assim, identificou-se a importância de dar continuidade a um calendário de ações conjuntas contra as reformas da previdência, trabalhista e as terceirizações.

Definiu-se, por unanimidade, que dia “28 DE ABRIL, VAMOS PARAR O BRASIL”. Nesse sentido, a maioria das entidades presentes também incorporou o dia 31 de março em suas agendas, por entender que a data, inicialmente proposta pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, extrapolou este campo e adquiriu um caráter unitário de preparação do “Abril de Lutas”, rumo à greve geral.

Gravidade dos ataques aos direitos dos trabalhadores impõe unidade tática
Somente a gravidade dos atuais ataques aos direitos dos trabalhadores pode explicar o fenômeno da unificação tática de Centrais e correntes sindicais marcadas por concepções políticas e ideológicas tão diferentes.

As entidades que estão voltadas para as eleições de 2018 aproveitam-se dos processos de mobilização operária e popular para galvanizar suas lideranças políticas e favorecer seu retorno ao governo federal, tendo em vista um novo ciclo de conciliação de classes.

Mesmo os setores mais próximos de Temer são obrigados a compor as articulações sindicais e acenar com alguns gestos de “protesto” para parecer combativos. Por mais que estejam dispostos a negociar direitos, estes setores precisam simular que estão na luta para evitar a desmoralização perante suas bases, desmascarando sua política de colaboração com o empresariado.

Todavia, o dia 15/3 mostrou mais uma vez que, em movimento, os trabalhadores podem avançar na consciência de classe e romper os limites do atual período histórico. Portanto, a tarefa do campo classista é compreender as contradições em jogo e atacar em duas frentes simultâneas: construir a luta de massas para derrotar as contrarreformas do governo Temer e disputar o saldo das mobilizações, contribuindo na politização dos trabalhadores e na formação de um bloco social para superar os ataques do capital e a conciliação de classes, na perspectiva da alternativa anticapitalista e anti-imperialista para o Brasil.

UC Nacional

quinta-feira, 23 de março de 2017

Abaixo o golpe da terceirização: pela anulação imediata do PL 4302!

Ontem, 22/03/17, o Parlamento brasileiro deu mais uma clara demonstração do seu compromisso com o grande capital e sua indiferença em relação aos direitos históricos e necessidades da maioria da população, a classe trabalhadora. Sob o comando de Rodrigo Maia (DEM), 231 deputados, quase todos denunciados por corrupção, votaram pela aprovação do PL 4302. O projeto estava na gaveta desde o final dos anos 1990, porém uma manobra suja do presidente da Câmara o colocou na pauta da noite para o dia, estabelecendo um atalho regimental para agradar o empresariado.


Trocando em miúdos, Maia “passou o rodo” para permitir a terceirização de atividades-fim (essenciais), ampliar o prazo dos contratos temporários de três para nove meses e outras medidas que, em suma, só contribuem para aprofundar a precarização do trabalho. Receoso quanto à possibilidade de aprovar a contrarreforma da previdência, cada vez mais questionada nas ruas como demonstrou o último 15/03, o bloco dominante busca apressar seus golpes em outro flanco: a contrarreforma trabalhista.


O ilegítimo governo Temer alega que se trata de modernizar as leis trabalhistas e facilitar a geração de empregos. Na verdade, porém, tais alterações na legislação promovem um retrocesso de direitos ao período pré CLT (Consolidação das Leis do Trabalho, de 1943) e intensificam o processo de exploração. É público e notório que os trabalhadores terceirizados, mais de 10 milhões de pessoas, possuem médias salariais menores apesar das jornadas maiores. Portanto, o que ocorreu no Congresso Nacional faz parte de uma dura ofensiva patronal, a serviço da burguesia e seus representantes no Estado.


Está mais do que na hora dos trabalhadores darem o troco, exigindo nas ruas a imediata anulação da votação realizada ontem na Câmara dos Deputados, bem como o arquivamento de quaisquer projetos de terceirização, contrarreforma trabalhista, sindical e da previdência. A burguesia declarou guerra, portanto cabe ao proletariado e ao povo brasileiro em geral lançar mão de todas as armas ao seu alcance para barrar os ataques do capital e impedir que a CLT e a Constituição sejam rasgadas: realizar protestos nas casas dos políticos favoráveis aos retrocessos, parar a produção e esvaziar os locais de trabalho para lotar as ruas! Direitos não se negociam, se defendem! Nossa resposta deve ser a radicalização da luta!

Pela imediata revogação do PL 4302!
Contra as reformas trabalhista e da previdência!
É HORA DA GREVE GERAL!

UC Nacional

terça-feira, 14 de março de 2017

O Brasil precisa de uma revolução

O jogo de cartas sebentas e marcadas já começou. De um lado, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin e o senador Aécio Neves brigam pela candidatura do PSDB à Presidência da República. De outro, Lula se consolida como a única opção do PT para voltar ao poder. O PMDB, como sempre, trabalha para ser o vice, desta feita dos tucanos. Por fora, correm o fascista, cujo nome me recuso a escrever, e Ciro Gomes, pelo PDT, pretendendo ser a alternativa desenvolvimentista e nacionalista. Em suma, nada de novo.

Os possíveis e prováveis candidatos, com exceção do fascista, cuja proposta é autoexplicativa, não têm grandes diferenças entre si. Representam, na essência, as pseudo opções disponibilizadas pelo imperialismo de forma a manter seu poder e seus imensos lucros.

Nenhum dos aspirantes ao Planalto defende uma economia voltada para os interesses populares, uma verdadeira mudança, uma mudança estrutural. Não criticam a pseudo dívida pública, as privatizações, nem as ditas parcerias público-privadas, na qual o Estado entra com os recursos e as empresas, e os capitalistas ficam com os lucros. Nem mesmo quando são privatizações de lesa pátria, diretamente prejudiciais à população, como as encaminhadas pelo governo ilegítimo nas áreas de transporte, saneamento e energia.

Enquanto isso, as contrarreformas da Previdência e Trabalhista estão em trâmite no congresso, com grandes chances de ser aprovadas, talvez com algumas alterações pontuais devido ao clamor popular, mas resguardando sua essência contrária aos interesses dos trabalhadores.

Nos tornamos reféns dos banqueiros internacionais que comandam o Planalto, o congresso, os governos estaduais e municipais, além da mídia empresarial, de grande e negativa influência junto à maioria da população.

No curto e médio prazo não há perspectiva de superar os ditames dos “donos do mundo”, imbuídos em manter suas altas taxas de lucros, apesar da crise que o capitalismo enfrenta há uma década.

Não vivemos apenas uma crise política, como muitos gostam de alardear. Vivemos uma crise estrutural, na qual os sistemas político e econômico se encontram falidos, sem quaisquer alternativas, daí a crescente repressão e fascistização.  Não há saída dessa crise pela via eleitoral.

Em contrapartida a esse quadro fúnebre, o sentimento da grande maioria da população é de insatisfação.  Crescente insatisfação. A queda do poder aquisitivo, a retirada de direitos, a avassaladora repressão, a falta de empregos, os baixíssimos salários e as denúncias de corrupção, entre tantas outras coisas, levam o povo à descrença.

Basta conversar com o trabalhador rural, fabril, prestador de serviços para detectar total descrença nos “políticos”, em suas promessas e propostas. Votam por votar, conduzidos pela mídia empresarial, por campanhas publicitárias cada vez mais caras, e pelo velho regime de pequenos coronéis, os “amigos” que indicam o nome de A ou B visando seus interesses particulares.

Apesar dessa crescente insatisfação, não há claramente uma alternativa. Afora os sem terra, os sem teto, algumas categorias de trabalhadores e eventuais lutas comunitárias, grande parte da população se encontra paralisada, com reações pontuais. O peleguismo dominante nas direções sindicais é outro elemento a contribuir para a continuidade de um regime falido e sem perspectivas de interesse popular.

Ainda assim, há exemplos históricos de que os povos se levantam. A gloriosa Comuna de Paris, a comemorar 146 anos no próximo dia 18 de março, é o mais famoso. Lá, como aqui, faltou uma direção centralizada, disciplinada e organizada para conduzir a grande experiência socialista do mundo industrial no século XIX.

Apesar de não termos um partido e/ou uma frente política capaz de conduzir as mudanças necessárias, é preciso acabar com esse sistema falido que tanto prejudica o nosso povo. O País necessita de radical transformação social, que tenha como protagonistas os trabalhadores e as camadas populares.

O Brasil precisa de uma revolta dos trabalhadores, do povo, não um golpe empresarial-militar como o de 64. De uma verdadeira revolução!

Afonso Costa
Jornalista