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domingo, 9 de abril de 2017

Fórum das Centrais convoca paralisação nacional para 28 de abril


Reunidos na cidade de São Paulo na última segunda-feira (27), representantes das Centrais Sindicais discutiram a construção de uma agenda comum de resistência às contrarreformas em curso no Congresso Nacional. Membros da Coordenação Nacional da Unidade Classista estiveram presentes para acompanhar a reunião.

Apesar das profundas divergências políticas em relação ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, a natureza do governo Temer e o próprio papel do movimento sindical no atual momento, os dirigentes das Centrais chegaram a alguns consensos.
Todos avaliaram de forma positiva as atividades realizadas em 15 de março, dia nacional de paralisações. Assim, identificou-se a importância de dar continuidade a um calendário de ações conjuntas contra as reformas da previdência, trabalhista e as terceirizações.

Definiu-se, por unanimidade, que dia “28 DE ABRIL, VAMOS PARAR O BRASIL”. Nesse sentido, a maioria das entidades presentes também incorporou o dia 31 de março em suas agendas, por entender que a data, inicialmente proposta pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, extrapolou este campo e adquiriu um caráter unitário de preparação do “Abril de Lutas”, rumo à greve geral.

Gravidade dos ataques aos direitos dos trabalhadores impõe unidade tática
Somente a gravidade dos atuais ataques aos direitos dos trabalhadores pode explicar o fenômeno da unificação tática de Centrais e correntes sindicais marcadas por concepções políticas e ideológicas tão diferentes.

As entidades que estão voltadas para as eleições de 2018 aproveitam-se dos processos de mobilização operária e popular para galvanizar suas lideranças políticas e favorecer seu retorno ao governo federal, tendo em vista um novo ciclo de conciliação de classes.

Mesmo os setores mais próximos de Temer são obrigados a compor as articulações sindicais e acenar com alguns gestos de “protesto” para parecer combativos. Por mais que estejam dispostos a negociar direitos, estes setores precisam simular que estão na luta para evitar a desmoralização perante suas bases, desmascarando sua política de colaboração com o empresariado.

Todavia, o dia 15/3 mostrou mais uma vez que, em movimento, os trabalhadores podem avançar na consciência de classe e romper os limites do atual período histórico. Portanto, a tarefa do campo classista é compreender as contradições em jogo e atacar em duas frentes simultâneas: construir a luta de massas para derrotar as contrarreformas do governo Temer e disputar o saldo das mobilizações, contribuindo na politização dos trabalhadores e na formação de um bloco social para superar os ataques do capital e a conciliação de classes, na perspectiva da alternativa anticapitalista e anti-imperialista para o Brasil.

UC Nacional

quinta-feira, 23 de março de 2017

Abaixo o golpe da terceirização: pela anulação imediata do PL 4302!

Ontem, 22/03/17, o Parlamento brasileiro deu mais uma clara demonstração do seu compromisso com o grande capital e sua indiferença em relação aos direitos históricos e necessidades da maioria da população, a classe trabalhadora. Sob o comando de Rodrigo Maia (DEM), 231 deputados, quase todos denunciados por corrupção, votaram pela aprovação do PL 4302. O projeto estava na gaveta desde o final dos anos 1990, porém uma manobra suja do presidente da Câmara o colocou na pauta da noite para o dia, estabelecendo um atalho regimental para agradar o empresariado.


Trocando em miúdos, Maia “passou o rodo” para permitir a terceirização de atividades-fim (essenciais), ampliar o prazo dos contratos temporários de três para nove meses e outras medidas que, em suma, só contribuem para aprofundar a precarização do trabalho. Receoso quanto à possibilidade de aprovar a contrarreforma da previdência, cada vez mais questionada nas ruas como demonstrou o último 15/03, o bloco dominante busca apressar seus golpes em outro flanco: a contrarreforma trabalhista.


O ilegítimo governo Temer alega que se trata de modernizar as leis trabalhistas e facilitar a geração de empregos. Na verdade, porém, tais alterações na legislação promovem um retrocesso de direitos ao período pré CLT (Consolidação das Leis do Trabalho, de 1943) e intensificam o processo de exploração. É público e notório que os trabalhadores terceirizados, mais de 10 milhões de pessoas, possuem médias salariais menores apesar das jornadas maiores. Portanto, o que ocorreu no Congresso Nacional faz parte de uma dura ofensiva patronal, a serviço da burguesia e seus representantes no Estado.


Está mais do que na hora dos trabalhadores darem o troco, exigindo nas ruas a imediata anulação da votação realizada ontem na Câmara dos Deputados, bem como o arquivamento de quaisquer projetos de terceirização, contrarreforma trabalhista, sindical e da previdência. A burguesia declarou guerra, portanto cabe ao proletariado e ao povo brasileiro em geral lançar mão de todas as armas ao seu alcance para barrar os ataques do capital e impedir que a CLT e a Constituição sejam rasgadas: realizar protestos nas casas dos políticos favoráveis aos retrocessos, parar a produção e esvaziar os locais de trabalho para lotar as ruas! Direitos não se negociam, se defendem! Nossa resposta deve ser a radicalização da luta!

Pela imediata revogação do PL 4302!
Contra as reformas trabalhista e da previdência!
É HORA DA GREVE GERAL!

UC Nacional

terça-feira, 14 de março de 2017

O Brasil precisa de uma revolução

O jogo de cartas sebentas e marcadas já começou. De um lado, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin e o senador Aécio Neves brigam pela candidatura do PSDB à Presidência da República. De outro, Lula se consolida como a única opção do PT para voltar ao poder. O PMDB, como sempre, trabalha para ser o vice, desta feita dos tucanos. Por fora, correm o fascista, cujo nome me recuso a escrever, e Ciro Gomes, pelo PDT, pretendendo ser a alternativa desenvolvimentista e nacionalista. Em suma, nada de novo.

Os possíveis e prováveis candidatos, com exceção do fascista, cuja proposta é autoexplicativa, não têm grandes diferenças entre si. Representam, na essência, as pseudo opções disponibilizadas pelo imperialismo de forma a manter seu poder e seus imensos lucros.

Nenhum dos aspirantes ao Planalto defende uma economia voltada para os interesses populares, uma verdadeira mudança, uma mudança estrutural. Não criticam a pseudo dívida pública, as privatizações, nem as ditas parcerias público-privadas, na qual o Estado entra com os recursos e as empresas, e os capitalistas ficam com os lucros. Nem mesmo quando são privatizações de lesa pátria, diretamente prejudiciais à população, como as encaminhadas pelo governo ilegítimo nas áreas de transporte, saneamento e energia.

Enquanto isso, as contrarreformas da Previdência e Trabalhista estão em trâmite no congresso, com grandes chances de ser aprovadas, talvez com algumas alterações pontuais devido ao clamor popular, mas resguardando sua essência contrária aos interesses dos trabalhadores.

Nos tornamos reféns dos banqueiros internacionais que comandam o Planalto, o congresso, os governos estaduais e municipais, além da mídia empresarial, de grande e negativa influência junto à maioria da população.

No curto e médio prazo não há perspectiva de superar os ditames dos “donos do mundo”, imbuídos em manter suas altas taxas de lucros, apesar da crise que o capitalismo enfrenta há uma década.

Não vivemos apenas uma crise política, como muitos gostam de alardear. Vivemos uma crise estrutural, na qual os sistemas político e econômico se encontram falidos, sem quaisquer alternativas, daí a crescente repressão e fascistização.  Não há saída dessa crise pela via eleitoral.

Em contrapartida a esse quadro fúnebre, o sentimento da grande maioria da população é de insatisfação.  Crescente insatisfação. A queda do poder aquisitivo, a retirada de direitos, a avassaladora repressão, a falta de empregos, os baixíssimos salários e as denúncias de corrupção, entre tantas outras coisas, levam o povo à descrença.

Basta conversar com o trabalhador rural, fabril, prestador de serviços para detectar total descrença nos “políticos”, em suas promessas e propostas. Votam por votar, conduzidos pela mídia empresarial, por campanhas publicitárias cada vez mais caras, e pelo velho regime de pequenos coronéis, os “amigos” que indicam o nome de A ou B visando seus interesses particulares.

Apesar dessa crescente insatisfação, não há claramente uma alternativa. Afora os sem terra, os sem teto, algumas categorias de trabalhadores e eventuais lutas comunitárias, grande parte da população se encontra paralisada, com reações pontuais. O peleguismo dominante nas direções sindicais é outro elemento a contribuir para a continuidade de um regime falido e sem perspectivas de interesse popular.

Ainda assim, há exemplos históricos de que os povos se levantam. A gloriosa Comuna de Paris, a comemorar 146 anos no próximo dia 18 de março, é o mais famoso. Lá, como aqui, faltou uma direção centralizada, disciplinada e organizada para conduzir a grande experiência socialista do mundo industrial no século XIX.

Apesar de não termos um partido e/ou uma frente política capaz de conduzir as mudanças necessárias, é preciso acabar com esse sistema falido que tanto prejudica o nosso povo. O País necessita de radical transformação social, que tenha como protagonistas os trabalhadores e as camadas populares.

O Brasil precisa de uma revolta dos trabalhadores, do povo, não um golpe empresarial-militar como o de 64. De uma verdadeira revolução!

Afonso Costa
Jornalista

segunda-feira, 6 de março de 2017

O enfrentamento decisivo ao assalto da Previdência: construir a luta pelas bases e organizar o campo sindical classista

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Como têm demonstrado exaustivamente os dados da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (ANFIP), da Auditoria Cidadã da Dívida, além de outras instituições e pesquisadores reconhecidos, o famigerado “rombo da Previdência” não passa de uma grotesca e repugnante farsa. Mesmo em tempos de crise, o sistema brasileiro de Seguridade Social continua arrecadando mais do que gastando. Em 2015, por exemplo, sobraram mais de 11 bilhões de reais. Portanto, mesmo deixando de lado o viés social da questão para encará-la de um ponto de vista puramente contábil, a cantilena contrarreformista não tem sustentação alguma na realidade.

Os cálculos “criativos” através dos quais as elites e seus fiéis servos nos três poderes procuram justificar o calote nos direitos adquiridos da classe trabalhadora isolam a Previdência do conjunto da Seguridade Social, o que contraria a Constituição. Logo, se o Governo Federal e a esmagadora maioria do Congresso Nacional não fossem meros fantoches do empresariado que patrocina suas campanhas, poderiam estar discutindo como utilizar o superávit da Seguridade Social para melhor assegurar a garantia dos direitos da população.

Como não passam de capachos da burguesia brasileira e internacional, Temer e seus aliados no Parlamento aprovaram a elevação da Desvinculação das Receitas da União (DRU) para 30%, ampliando o desvio oficial de verbas das políticas sociais para o pagamento da dívida pública, a qual, além de nunca ter sido auditada como prevê a lei, está atrelada à mais alta taxa de juros do mundo. Não satisfeitos, determinaram o congelamento dos investimentos públicos pelos próximos vinte anos. No mesmo período, porém, o pagamento de juros da dívida pode crescer à vontade, pois para este gasto – a verdadeira causa do rombo nas contas do Governo -, não foi estabelecido teto.

Agora, querem criar regras tão absurdas para a aposentadoria que, caso aprovadas, a tornarão praticamente impossível à imensa maioria dos brasileiros. Fica cada vez mais claro o que está por trás da virulenta campanha contra mais essa conquista histórica dos trabalhadores: destruir a Previdência pública, baseada em princípios de solidariedade e justiça social, para favorecer o mercado de planos privados. Apesar dos discursos preocupados com as gerações futuras, a real motivação dos inimigos da Previdência passa longe da generosidade. O que de fato os interessa é transferir para o setor privado o controle sobre centenas de bilhões de reais movimentados apenas no regime geral, sem contar os regimes próprios. Assim, os capitalistas poderão realizar aplicações financeiras com os recursos e, caso percam suas apostas no cassino da especulação, basta anunciar falência e deixar o ônus com quem trabalhou e pagou por toda a vida.

Trocando em miúdos, está sendo preparado um grande assalto à Previdência Social. Mais um capítulo da ofensiva contra as barreiras legais erguidas com muita luta pelo proletariado para impor limites à exploração e à ganância dos patrões. A brutalidade do ajuste fiscal operado pelo PMDB é tão grande que até as polícias militares começam a sair do controle, e as Forças Armadas já vêm sendo chamadas para assegurar a repressão a protestos e a gestão militar das cidades.

Enquanto isso, as direções pelegas das grandes centrais sindicais mais uma vez encenam unidade em reuniões de cúpula para discutir uma greve geral que, se depender delas, nunca vai sair do papel. O campo classista e combativo, por sua vez, apesar de ser o único capaz de dirigir a resistência dos trabalhadores em sintonia com seus reais interesses, sem conciliação de classes, segue fragmentado e refém do sectarismo. Há cada vez menos tempo disponível para reverter essa situação. Muito mais que os interesses das organizações anticapitalistas que atuam no movimento sindical brasileiro, estão em jogo os interesses da classe trabalhadora. Esse sempre foi e continuará sendo o referencial para as ações da Unidade Classista.

Nesse sentido, o atual momento exige muito mais que a unidade artificial entre cúpulas sindicais ou o protagonismo isolado de uma ou outra central combativa. A tarefa central dos militantes classistas é construir a luta nas bases e contribuir para a organização unitária do campo combativo, na perspectiva de formação de um bloco. Na avaliação da Unidade Classista, os dois processos caminharão juntos.

O mês de março será crucial. É fundamental fortalecer o dia 08 de março como Dia Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras contra as políticas reacionárias em curso no mundo.

Devemos mobilizar as diversas categorias de trabalhadores para fazer com que o dia 15 de março seja uma data de efetiva paralisação da produção contra a PEC 287 (Reforma da Previdência) e não mais uma mera intenção anunciada pela CUT, CTB, NCST, CSB, UGT e Força Sindical.

Ocupar Brasília no primeiro turno de votação da Contrarreforma da Previdência no Congresso, previsto para 28/03.

FORA TEMER!

Pela Greve Geral contra a PEC 287!!

Por um Encontro Nacional da Classe Trabalhadora.

Fonte:Coordenação Nacional da Unidade Classista

domingo, 29 de janeiro de 2017

“A América Latina não precisa mais da espada de Bolívar; precisa de crédito" (Luiz Inácio Lula da Silva)

 
imagemCrédito: mercopress


*Paulo Schueler
Em recente viagem a Bogotá, durante evento organizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o ex-presidente Lula afirmou que “A América Latina não precisa mais da espada de Bolívar; precisa de crédito".

A frase, que já representaria uma afronta à manutenção da soberania de nossos povos em um momento de exacerbação da crise do capitalismo, crise energética mundial, que traz o cenário nem tão longínquo de disputa por fontes de água potável e agressão imperialista, torna-se ainda pior com o anúncio, quase simultâneo, de que Brasil e Colômbia assinaram acordo militar para “monitoramento” das fronteiras comuns – meses após Brasília ter assinado acordo de cooperação militar com Washington e com a demonização crescente das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e de sua forma de atuar na luta de classes colombiana.

A América Latina, continente no qual a mobilização popular de alguns povos levou às eleições de governos progressistas na Venezuela, Bolívia, Equador e Peru; território que detém o Aquífero Guarany e amplas reservas comprovadas de petróleo e minérios, local onde está localizada a maior floresta tropical do planeta e seu incalculável estoque de biodiversidade, precisa talvez como em poucos momentos de sua história ter em punhos a espada de Bolívar, assim como o legado de José Marti, para se defender da possibilidade crescente de intervenção externa em seus destinos – cujo maior exemplo, aliás, é a interferência de Washington sobre a vida dos trabalhadores da Colômbia.

Integração para o capital...
No evento organizado pelo BID, Lula afirmou que é o momento de nós latino-americanos “pensarmos em nós mesmos” para uma platéia de 500 empresários e altos funcionários da Colômbia e do Brasil.

Entre eles, o ministro das Comunicações do Brasil, os governadores de Rio de Janeiro, São Paulo e Pernambuco, e empresário Marcelo Odebrecht (Odebrecht) e José Sergio Gabrielli (Petrobras), além de Luis Carlos Sarmiento (Grupo Aval), Germain Efromovich (Avianca) e Carlos Raul Yepes (Bancolombia).

Falava não de nossos povos, mas das possibilidades de exploração do trabalho que deveriam ser abertas às burguesias dos dois países. Não à toa, deu o “caminho das pedras” aos empresários presentes: grandes investimentos devem ser feitos em barragens, usinas hidrelétricas, estradas, oleodutos, nos biocombustíveis e no setor automotivo. Segundo ele, nisso “repousa a integração”.

Ao defender “crédito”, Lula na verdade solicitou que os Estados nacionais do continente financiassem a manutenção e elevação do lucro de grupos empresariais ligados a estes setores, como o BNDES brasileiro já faz com empreiteiras e montadoras. Foi o ventríloco mercador de interesses privados, remunerado por isso a preço de ouro em suas recentes e já famosas “palestras” ao mundo empresarial.

A “integração” que deseja é a citada pelo banqueiro Luis Carlos Sarmiento, que deseja um Tratado de livre comércio entre os dois países e a possibilidade de o empresariado colombiano se associar à Bovespa, bolsa de valores brasileira, para “abrir caminho para o mercado de capitais”.

O pior é que tais negociatas já começaram: a Petrobras vai investir 430 milhões dólares na Colômbia, e em 2012 começará a perfuração de um poço no Caribe colombiano. A companhia brasileira objetiva ainda comprar uma participação na Ecopetrol colombiana. Na Colômbia, a Petrobras já tem uma produção de 40 mil barris diários de petróleo em 16 blocos.

Já Sarmiento iniciou visitas e contatos com os bancos brasileiros Bradesco e Itaú para “importação” de estratégias na gestão de tecnologia, além, é óbvio, da estratégia de ferrenha exploração do trabalho, como ocorre com os bancários brasileiros. Não apenas dos bancos privados. Presente ao evento em Bogotá, o vice-presidente de Negócios Internacionais do Banco do Brasil (BB), Allan Simões Toledo, afirmou que o BB instalará seu escritório de representação naquele país em 2012.
... e repressão aos lutadores

Poucos dias depois do convescote burguês, os governos do Brasil e da Colômbia assinaram em Tabatinga (Amazonas) acordo para realizar ações conjuntas e coordenadas na fronteira comum, com a criação da Comissão Binacional Fronteiriça (Combifron) e a adoção do Plano Binacional de Segurança Fronteiriça.

Trata-se de uma indisfarçada estratégia de apoio militar brasileiro à repressão da insurgência colombiana, em colaboração com o exército da Colômbia e sua chefia imediata – o imperialismo norte-americano.

Apesar do discurso no lado brasileiro da fronteira ser de controle da segurança nacional, o discurso do ministro da Defesa colombiano, Rodrigo Rivera, não deixa dúvidas: “Será compartilhada inteligência e experiência entre as forças dos dois países, e serão realizadas operações coordenadas entre os militares e os organismos de segurança contra as ameaças, cada um em seu território. O mundo deveria condenar as Farc pela depredação de nossas selvas para suas atividades criminosas”, declarou Rivera.

Palavras do lacaio sobre o uso do “agente laranja” pelos EUA? Obviamente que não.
*Paulo Schueler é membro do Comitê Central do PCB e editor do Imprensa Popular
21/08/2011.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Um novo pacto com Mefistófeles

Algumas correntes políticas, inclusive a ex-presidente Dilma Rousseff, defendem eleições diretas já em face da crise política, econômica, social, moral e ética que o país vive. Entendem que seria a única alternativa viável para superá-la, ainda mais tendo um forte candidato, o ex-presidente Lula.

Independente dos preceitos constitucionais, o que mais surpreende em tal proposta é a total ausência de autocrítica por parte do autoproclamado Partido dos Trabalhadores (PT), que apesar de afastado ilegalmente do governo e derrotado nas urnas nas eleições municipais de 2016, continua acreditando ser viável um governo, talvez progressista, aliado com setores da burguesia nacional. Um governo de conciliação. Não enxerga a luta de classes, muito menos a crise do capitalismo em nível mundial. Não percebeu e não aprendeu que não existe mais espaço para concessões paulatinas ao capital, que avança vorazmente sobre todos os direitos e conquistas dos trabalhadores alcançados em mais de um século de lutas em nosso país.

Além disso, despreza a realidade ao desconhecer a aliança, ainda que frágil, entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, a fazerem o que preconiza o capital, ou seja, defender seus interesses acima das leis, da Constituição, de todo e qualquer critérios ético e social. Não há independência entre os mesmos, conforme o preceito constitucional, apenas um jogo de interesses cujo único objetivo é favorecer a burguesia. E, ainda, que o ex-presidente Lula viesse a vencer a eleição que preconizam, como iria governar com esse congresso e Judiciário? Iria dar continuidade às barganhas temerosas implantadas por FHC e mantidas pelo ilegítimo?

Da mesma forma que os tradicionais atores políticos já têm suas posições definidas, as regras eleitorais e partidárias são impeditivas de eleições verdadeiramente democráticas. Os diferentes tempos de televisão, as regras de financiamentos das campanhas, o uso da máquina governamental e parlamentar por parte daqueles que estão eleitos ou cujos candidatos sejam seus aliados tornam quaisquer eleições viciadas, permitindo apenas aos mesmos de sempre obterem resultados significativos. Não há espaço para o novo, para a verdadeira representação popular, o debate democrático das idéias, das concepções e das propostas. Apenas o marketing político.

A eleição de Collor em 1989 foi um caso atípico, facilitada pelo fato da direita não ter um candidato forte e pela esquerda ter participado dividida no primeiro turno, unindo-se apenas no segundo, mas tendo pela frente o adversário mais difícil de superar: a mídia empresarial, em particular a emissora de televisão de maior audiência no país. Foi o mais grave erro da Constituição de 1988, que pretendeu ser Cidadã em termos de direitos e conquistas sociais, mas que manteve o status quo político originário da ditadura empresarial-militar. Cederam os anéis diante de uma conjuntura desfavorável à época, mas mantiveram os dedos, as mãos, os braços e tudo mais.

Aguardar as eleições de 2018 e tentar ganhar, com o único candidato viável e opositor ao ilegítimo governo, o ex-presidente Lula, não significa uma mudança radical, contrária aos interesses do capital. Isso ele demonstrou em seus oito anos de governo e em recentes declarações, quando se definiu enquanto um liberal. A falta de autocrítica do seu partido e de qualquer sinalização de uma guinada à esquerda demonstram que não é a alternativa que a realidade e o povo brasileiro necessitam.

Por outro lado, os setores mais combativos dos movimentos sociais vêm defendendo uma greve geral. Sem dúvida é uma excelente proposta para enfrentar os ataques desferidos pelo ilegítimo governo e seus parceiros no congresso e no Judiciário. Entretanto, uma greve geral demanda organização, mobilização e conscientização, que em grande parte foram soterradas pelos 13 anos de governos de conciliação de classes. Existem condições objetivas para uma greve geral, mas é preciso construir as condições subjetivas para a mesma que, ainda que vitoriosa, não seria o suficiente para derrotar o governo, mas um importante passo nesse sentido.

A única opção viável e legal, pois é prevista na Constituição em seu Artigo Primeiro, parágrafo único, é o povo exercer diretamente o poder. Não mais concedê-lo a pseudo representantes, que na verdade apenas defendem os interesses do capital. Alguns governantes são mais conciliadores, outros mais agressivos, mas todos, ao longo da nossa história, tiveram o capital enquanto sua prioridade. A corrupção dos políticos, hoje tão alardeada, é consequência direta dessa submissão, que rouba nossas riquezas, maximiza a exploração da classe trabalhadora e agride os direitos sociais do nosso povo.

Construir esse poder popular passa pelas lutas cotidianas dos trabalhadores e movimentos sociais, pela sua mobilização, organização e conscientização. É o desafio que temos para superar o caos em que foi jogado nosso país e nossas vidas. O resto é pretender ressuscitar um pacto com Mefistófeles, desta feita sem chance de enganá-lo.

Afonso Costa
Jornalista

Temer 8%

Ao borrar-se ante as Forças Armadas, PM e outras corporações, a reforma da Previdência faleceu antes da palmada na bundinha

Quem foi autoridade de fato no velório em Chapecó? Tite, enquanto o bei do Plabaixo se escondia com medo de vaias. É por isso que sua aceitação está em 8%. Até Fernandinho Beira-Mar ganha do presiplacebo, o que não faz efeito. É nessa Samarco (nenhum preso por monstruosa destruição e 20 homicídios) que estamos atolados.


Um exemplo: não estou vendo nada parecido com as manchetes, circo midiático etc. no escândalo Temer/Kassab/teles. Então, vou armar minha esfarrapada lona aqui. O desgoverno do presigárgula, esse gambá de Troia (cavalos são animais nobres) pretende, graças a uma “parceria” entre Jababerto Kassab, atual ministro de Ciência, Tecnologia, Comunicação & Trambiques, para ajudar as chamadas teles, um descalabro subestimado. 

Fala-se em perdão de 19 bilhões, ou seja, mais do que as vendas entreguistas do pré-sal para empresas da França pelo tucano Pedro Parente Deles. Só que o TCU disse que a conta verdadeira vai a quase 100 bilhões. Há mais um probleminha: se levarmos em consideração que as teles ganham de lambuja o que é patrimônio do povo brasileiro, cabos subterrâneos, fiações, torres, antenas, toda essa parafernália, a negociata sobe para duzentos bilhões, quatro anos de “Bolsa Roubada às Famílias”, “Minha Casa, Meu Desabamento”, uma roubalheira de provocar aplausos em Wall Street. E ainda há planos para tirar orelhões e cabines telefônicas de cidades pequenas, que ficarão incomunicáveis, voltando a bater tambor e fazer sinais de fumaça. Aí, querem nos enfiar goela abaixo pecs dos gastos, flexibilização, jogadas com o FGTS. É um bando bem organizado. O tenebroso ministro Eliseu Quadrilha teve um negocinho, cento e poucos milhões embargados por uma juíza honesta. Eliseu aniquilou área de proteção ambiental e botou animais lá. Vi fotos da área como era antes e como ficou arrasada. É crime. Não foi sequer chamado pelo presidiário, opa, presioco, para uma conversa.


Vivemos um dezembro fatal: Réu-nan defecou nas togas do STF. Sugiro que troquem a cor das togas para amarelão extra. O STF foi pressionado para fazer o acordão por caciques como FHC I e II, e outros elementos da cópula no puder. O Dr. Gilmares de Sargaços dispara drones infectos em todas as direções, desrespeitando colegas seguidamente, como nos recentes episódios com Marco Aurélio, Fux e Lewandowski, dublê de magistrado e centro-avante do Bayern Munique.


Em tempo: amigo economista garante que a PEC dos gastos é cascata. Porque ela depende da reforma da Previdência, que está morta antes de nascer. Ao borrar-se diante das Forças Armadas, PMs, Bombeiros e ainda vão entrar o Ministério Público, a Polícia Civil que não é boba, a reforma faleceu antes da palmada na bundinha.
Boas festas, se isso é possível!


O futuro dirá a diferença entre História e escória, Temeroso.

Aldir Blanc é compositor